Milho: Após altas recentes, mercado realiza lucros e março/15 perde patamar dos US$ 4,10 por bushel

Publicado em 19/12/2014 08:25 e atualizado em 19/12/2014 12:32 128 exibições

As cotações futuras do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) iniciaram a sessão desta sexta-feira (19) em campo negativo. Por volta das 9h00 (horário de Brasília), as principais posições da commodity exibiam quedas entre 2,50 e 3,50 pontos. O vencimento março/15 era cotado a US$ 4,07 por bushel, depois de ter fechado o dia anterior a US$ 4,11 por bushel. 

O mercado do cereal exibe um movimento de realização de lucros frente à recente valorização observada nos preços, conforme informações reportadas pelo noticiário internacional. Os preços do milho têm sido influenciados pela alta registrada nos futuros do trigo. Com a decisão da Rússia  em limitar as exportações do trigo tem refletido positivamente nas cotações da commodity. E, consequentemente, afeta o milho, uma vez que as duas culturas são concorrentes no mercado de ração animal.

Além disso, a aprovação da importação de DDGs pela China também trouxe boas expectativas para o mercado. De acordo com o analista de mercado da Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica, Carlos Cogo, destaca que, a situação é um fator altista para os preços do cereal norte-americano. Enquanto isso, a demanda pelo grão dos EUA também permanece aquecida.

Confira como fechou o mercado nesta quinta-feira:

Milho: Mercado encontra suporte na aprovação da importação do DDGs por parte da China e fecha sessão em alta

Em mais uma sessão volátil, as cotações futuras do milho finalizaram a quinta-feira (18) com leves altas na Bolsa de Chicago (CBOT). As principais posições da commodity exibiram ganhos entre 3,00 a 3,50 pontos no final do pregão de hoje. O vencimento março/15 era cotado a US$ 4,11 por bushel, depois de ter iniciado o dia a US$ 4,13 por bushel.

Segundo o noticiário internacional, o mercado ainda encontra suporte na situação da aprovação das importações de DGGs por parte da China. Após um longo período rejeitando carregamentos norte-americanos, por conter o MIR-162, que ainda não tinha sido aprovada no país, os compradores chineses teriam assinado contratos de até 15 carregamentos de grãos de destilaria para embarques entre dezembro e março.

"O governo dos EUA conseguiu com que a variedade fosse aprovada pelas autoridades chinesas. Com isso, destravamos as exportações de DDGs, o que influencia no mercado do grão e é um fator altista aos preços do milho", explica o analista de mercado da Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica, Carlos Cogo. 

Ao todo, a expectativa é que cerca de 1,2 milhões de toneladas de milho norte-americano tenha sido rejeitada pelo país desde o ano passado. Contudo, o analista da Cofco Futures Co., Meng Jihui, disse em entrevista à Bloomberg, que as importações do cereal não deverão sofrer um aumento expressivo no curto prazo.

"O governo chinês também tem mais de 80 milhões de toneladas de estoques de milho temporárias e uma quantidade de estoques permanentes", afirma Meng. "Na China, o milho é uma questão muito mais sensível do que a soja", completa.

Para essa temporada, a projeção é que os produtores rurais chineses colham ao redor de 215 milhões de toneladas de milho. Na anterior, o volume colhido totalizou 218,5 milhões de toneladas do grão, conforme dados do National Bureau of Statistics. Ainda de acordo com dados da Bloomberg, somente esse ano, os preços do cereal recuaram 3%, depois de ter registrado uma queda de mais de 40% em 2013, frente à expansão da colheita nos EUA, Europa e China, criando um excesso de oferta. 

Exportações semanais

Em contrapartida, o relatório de vendas para exportação veio abaixo das expectativas do mercado. Para o milho, até a semana encerrada no dia 11 de dezembro, as vendas ficaram 693,4 mil toneladas, segundo dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). As estimativas do mercado estavam entre 650 mil a 850 mil toneladas.

O número representa uma queda de 28% em relação à semana anterior, na qual, o volume ficou 962,8 mil toneladas do grão. Em comparação com a média das últimas quatro semanas, o recuo é de 30%. Destinos desconhecidos foram os principais compradores do cereal norte-americano, com 268,700 mil toneladas, seguido do México, com 159.900 mil toneladas. 

No acumulado no ano safra, as exportações do cereal norte-americano somam 24.406,2 milhões de toneladas, contra 44.450,00 milhões de toneladas previstas pelo departamento. 

Rússia 

Outra variável que também tem influenciado o mercado do cereal é a situação da Rússia que reportou medidas de restrição às exportações. O cenário tem dado suporte aos preços do trigo e refletindo nos preços do milho. "Como as duas commodities são utilizadas na fabricação de ração, o quadro também reflete nas cotações do cereal", afirma o analista de mercado da Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica, Carlos Cogo.

Produção de etanol

De acordo com informações do site internacional Agrimoney, a demanda pelo milho no mercado interno norte-americano permanece firme. Apesar da queda recente nos preços do petróleo, que afetam a competitividade do etanol, a produção de etanol no país terminou a semana anterior com aumento de 2 mil barris por dia, subindo para um novo recorde de 990 mil barris por dia.

Já os estoques registraram uma queda de 91 mil para 17,659 mil barris de etanol. Nesta temporada, a projeção do USDA é que mais de 130 milhões de toneladas do milho sejam destinado à produção do etanol no país. 

BM&F Bovespa

Na bolsa brasileira, a quinta-feira foi mais um dia de queda aos preços futuros do milho. Após uma alta expressiva, as principais posições do cereal fecharam a sessão com desvalorizações entre 1,25% e 1,96% pelo segundo dia consecutivo. O vencimento março/15 era cotado a R$ 30,52 a saca. 

Mais uma vez, a queda do dólar foi um fator determinante para pressionar os futuros do milho. A moeda norte-americana encerrou a quinta-feira a R$ 2,6550 na venda, com perda de 1,73%, e chegou ao patamar de R$ 2,6454 na mínima da sessão. Segundo dados da Reuters, o movimento é decorrente do anúncio do Federal Reserve, banco central dos EUA, indicar na véspera que está caminhando para elevar os juros em algum momento do próximo ano, mas de maneira mais cautelosa. 

Enquanto isso, os participantes do mercado também observam as informações sobre o desenvolvimento da safra brasileira. Além da redução na área cultivada na safra de verão, algumas localidades sofrem com o clima irregular, como é o caso de Ijuí (RS). As estimativas iniciais apontam para uma redução de até 50% na produtividade das lavouras.

Conforme levantamento da Agroconsult, na safra de verão, a produção brasileira deverá totalizar 29,2 milhões de toneladas devido à seca em algumas localidades, especialmente no Rio Grande do Sul. Na safra passada, a safra ficou em 31,7 milhões de toneladas. No total, a safra deverá somar 78 milhões de toneladas, cerca de 2 milhões de toneladas a menos do que no ano anterior.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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