Milho: Nos EUA, plantio chega a 85% e mercado tem novo dia de queda na CBOT

Publicado em 19/05/2015 07:51 e atualizado em 19/05/2015 13:19
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Na Bolsa de Chicago (CBOT), os futuros do milho trabalham em campo negativo na manhã desta terça-feira (19). As principais posições do cereal exibiam perdas entre 3,25 e 3,75 pontos, por volta das 7h37 (horário de Brasília). O vencimento julho/15 era cotado a US$ 3,64 por bushel, após ter encerrado o dia anterior a US$ 3,68 por bushel.

Depois dos ganhos registrados nesta segunda-feira em decorrência das fortes altas observadas nos contratos do trigo, o mercado voltou a recuar com o foco no andamento da safra norte-americana. No final da tarde de ontem, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) indicou o plantio do milho da safra 2015/16 completo em 85% da área prevista para essa temporada até o último domingo (17).

O percentual ficou dentro das expectativas dos participantes do mercado, que variavam entre 83% a 90%, conforme dados do site internacional Farm Futures. Além disso, o número está acima do registrado no mesmo período de 2014, de 71% e da média dos últimos cinco anos de 75%.

O órgão também informou que cerca de 56% das lavouras de milho já emergiram. Na semana anterior, o número era de 29%, já no ano passado, o número era de 32%. A média dos últimos cinco anos é de 40%.

Enquanto isso, as previsões climáticas apontam chuvas nos próximos dias para o Meio-Oeste dos EUA, aliadas a uma onda de frio. Inicialmente, a perspectiva é que esse cenário, se confirmado, poderia afetar os trabalhos nos campos norte-americanos, com a finalização do plantio.

Veja como fechou o mercado nesta segunda-feira:

Milho: Com suporte do trigo, mercado fecha sessão com leves altas em Chicago

As cotações do milho na Bolsa de Chicago (CBOT) fecharam a sessão desta segunda-feira (18) com leves ganhos. As principais posições da commodity registraram altas entre 2,50 e 3,00 pontos. O contrato julho/15 era cotado a US$ 3,68 por bushel, mesmo patamar observado no início do dia.

A forte valorização observada no trigo nesta segunda-feira serviu de suporte aos preços do cereal. Por sua vez, as cotações do trigo foram sustentadas pelas preocupações com possíveis prejuízos e queda na qualidade das lavouras de inverno, em função das chuvas previstas nas Planícies nos Estados Unidos. Os dois mercados são interligados, uma vez que, um grão pode ser substituído pelo outro na fabricação de ração.

O site internacional Farm Futures também destacou como fator de sustentação aos preços do milho, as previsões de chuvas, aliadas a uma onda de frio, que poderia afetar os trabalhos de finalização de plantio do grão da safra 2015/16. Os investidores ainda aguardam o boletim de acompanhamento de safras do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), que será reportado ainda hoje, para a confirmação do andamento da safra.

Os participantes do mercado apostam no cultivo completo para o milho entre 83% a 90% "O número deverá ficar à frente do ritmo normal e suficiente para aliviar os temores de que os atrasos, observados no início do plantio, poderiam prejudicar as perspectivas para a produção", disse Bryce Knorr, do site Farm Futures. Na semana anterior, o cultivo estava completo em 75% da área prevista para essa temporada.

Diante desse cenário, os analistas destacam que a perspectiva é que os preços operam próximos do patamar de US$ 3,60 por bushel. As cotações do cereal ainda podem voltar a registrar oscilações positivas, caso haja algum problema na safra norte-americana, quadro que não se configura, nesse momento, de acordo com os especialistas.

BM&F Bovespa

O vencimento setembro/15 encerrou a sessão desta segunda-feira (18) em alta  de 2,51% na BM&F Bovespa. O contrato buscou uma após recuar mais de 1% no pregão da última sexta-feira (18). Além disso, a valorização do dólar, que terminou o dia a R$ 3,02, com ganho de 0,83% também exerce pressão positiva aos contratos.

Mercado interno

A alta do câmbio também impactou os preços praticados no Porto de Paranaguá. Nesta segunda-feira (18), a saca para entrega em outubro terminou o dia a R$ 27,80, com alta de 2,96%. Os ganhos registrados no mercado internacional também ajudaram na composição do cenário.

Em contrapartida, as cotações recuaram ao redor de 2,70% na região de Jataí (GO), com a saca do milho a R$ 18,00. Em Cascavel (PR), a queda foi menor, de 1,03%, e a saca do cereal a R$ 19,20, conforme levantamento realizado pelo Notícias Agrícolas. Nas demais praças pesquisadas o dia foi de estabilidade aos preços.

Nesse momento, o mercado do cereal enfrenta um momento baixista frente às perspectivas de safrinha recorde e os estoques de passagem elevados. "E, em julho e agosto, momento da colheita da segunda safra, a pressão de baixa não irá diminuir, ao contrário deverá crescer. E os preços nos Portos recuaram cerca de R$ 2,00 em relação aos valores praticados em maio e as propostas de compras, a cada semana são menores, em função da grande oferta", ressalta Carlos Cogo, consultor da Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica.

O consultor ainda destaca que, a concentração de oferta também deverá exercer pressão nos fretes e armazenagem, o que deverá aumentar a pressão nas cotações. "Quem tiver condições de sair do mercado deve fazer a planejar as vendas a partir de outubro", orienta Cogo.

Já o analista de mercado da Céleres Consultoria, Anderson Galvão, ressalta que, o mercado irá atravessar um período de maior pressão sobre os preços, entre maio e agosto. "Mas de agosto em diante, os preços do milho voltam a se recuperar. A safra dos EUA caminha bem, mas a área deverá ficar abaixo do previsto, e se confirmado, deverá trazer um cenário de firmeza aos preços. Não teremos uma alta, mas uma sustentação ao mercado. Na região de Rondonópolis (MT), as cotações deverão trabalhar entre R$ 18,00 a R$ 19,00. Em Rio Verde (GO), deveremos ter cotações entre R$ 20,00 a R$ 21,00 e em SP, valores ao redor de R$ 25,00 a R$ 27,00", finaliza Galvão.  

Exportações

Até a segunda semana de maio, as exportações brasileiras de milho totalizaram 4 mil toneladas, com média diária de 0,4 mil toneladas. Em comparação com o mês anterior, a quantidade embarcada representa uma queda de 94,9%. As informações são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior nesta segunda-feira (18).

Os embarques do cereal renderam ao país uma receita de US$ 1 milhão, com média diária de US$ 0,1 milhão. Do mesmo modo, a receita recuou 93,9% em comparação com divulgado no mês de abril. Na contramão desse cenário, o preço médio da tonelada ficou em US$ 241,0, uma alta de 19,8%, em comparação com abril, quando o valor ficou em US$ 201,1.

Em comparação com maio de 2014, as exportações representam uma queda de 93,3% e o volume total exportado uma diminuição de 93%. Já o preço médio representa uma alta de 5,3%.

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Por: Fernanda Custódio
Fonte: Notícias Agrícolas

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