Milho: Com foco na safra norte-americana, preços iniciam o pregão desta 2ª feira em campo negativo em Chicago

Publicado em 01/08/2016 07:56 e atualizado em 01/08/2016 12:27
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Na Bolsa de Chicago (CBOT), os futuros do milho iniciaram a semana em campo negativo. As principais posições do cereal exibiam perdas entre 2,75 e 3,25 pontos, por volta das 7h32 (horário de Brasília). O vencimento setembro/16 era cotado a US$ 3,31 por bushel, enquanto o dezembro/16 era negociado a US$ 3,39 por bushel. Já o maio/17 operava a US$ 3,54 por bushel.

Em meio ao desenvolvimento da safra norte-americana, os investidores permanecem bem atentos ao comportamento do clima no Meio-Oeste do país. Para essa semana, as previsões climáticas indicam um período mais seco e temperaturas elevadas em grande parte da região. Contudo, o sentimento é que as chuvas recentes contribuam para amenizar os possíveis danos às lavouras.

Ainda nesta segunda-feira (1), o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) traz novo boletim de acompanhamento de safras. Na semana anterior, em torno de 76% das plantações do cereal ainda apresentavam boas ou excelentes condições. Além disso, o órgão também reporta novo relatório de embarques semanais, importante indicador de demanda e que pode influenciar o andamento das negociações.

Confira como fechou o mercado na última sexta-feira:

Milho: No Brasil, preços dão continuidade ao movimento positivo e exibem alta semanal de até 24%

Os preços do milho registraram mais uma semana positiva no mercado interno brasileiro. De acordo com o levantamento realizado pelo economista do Notícias Agrícolas, André Bitencourt Lopes, em Barretos (SP), a alta foi de 24,22%, com a saca do cereal a R$ 40,05. Em Mato Grosso, Tangará da Serra e Campo Novo do Parecis, o ganho foi de 13,33%, com a saca do cereal a R$ 34,00.

Em Assis (SP), o preço da saca do cereal subiu 11,12% na semana e fechou a sexta-feira a R$ 39,08. Já em São Gabriel do Oeste (MS), a saca fechou o dia a R$ 38,00 e alta de 10,14%. Em Araçatuba (SP), o valor apresentou valorização de 7,14%, com a saca a R$ 43,96, em Cascavel (PR), o ganho foi de 7,04% e a saca a R$ 38,00. Ainda no Paraná, em Ubiratã e Londrina, o ganho foi de 2,78%, com a saca a R$ 37,00. Em Ponta Grossa, a alta foi menor, de 2,38%, com a saca a R$ 43,00.

A postura de grande parte dos produtores rurais em segurar o produto e vender compassadamente foi o que impulsionou as cotações recentemente. Em meio à perspectiva de uma quebra acima de 20% na produção de milho safrinha, os agricultores que têm o grão para negociar tem se mostrado mais cautelosos na comercialização. Muitos apostam em um preço ainda mais alto, uma forma de poder compensar os prejuízos deixados pelo clima irregular, conforme ponderam os analistas.

Com isso, a previsão é que sejam colhidas cerca de 43 milhões de toneladas do cereal nesta temporada. Outro que também tem sido observado pelos participantes do mercado são as exportações do cereal. Tradicionalmente, os embarques do grão ganham ritmo no segundo semestre. Porém, esse ano, os valores praticados no mercado interno estão acima da paridade para exportação, o que acaba dificultando a formação de novos negócios. Ainda hoje, a saca do cereal para entrega setembro/16 fechou a R$ 33,00 no Porto de Paranaguá.

"E dado o quadro de profunda escassez de oferta no mercado doméstico, acreditamos que os preços ainda deverão se manter firmes", disse o analista de mercado da Céleres Consultoria, Anderson Galvão.

Ainda nesta sexta-feira, o Conselho Interministerial de Estoques Públicos de Alimentos autorizou ampliação dos limites de compra de milho comercializado no Programa de Vendas em Balcão (PVB) da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A resolução n. 5 de 28 de julho de 2016, foi publicada no Diário Oficial da União.

>> Governo amplia limite de compra de milho no Programa de Vendas em Balcão

Bolsa de Chicago

A semana foi de ligeira movimentação aos preços do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT). As principais posições do cereal registraram leves valorizações entre 0,07% e 0,29%. Nesta sexta-feira (29), os contratos da commodity apresentaram altas entre 3,25 e 4,00 pontos. O vencimento setembro/16 era cotado a US$ 3,34 por bushel, enquanto o dezembro/16 era negociado a US$ 3,42 por bushel. Já o março/17 fechou o dia a US$ 3,51 por bushel.

O comportamento do clima nos EUA continua como o principal foco dos participantes do mercado. Isso porque, a safra 2016/17 ainda se desenvolve no país. Porém, até esse momento, em torno de 76% das plantações ainda apresentam boas ou excelentes condições, conforme números do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). As informações serão atualizadas na próxima segunda-feira (1).

E, a partir da próxima semana, as temperaturas deverão ficar mais elevadas no Meio-Oeste norte-americano, especialmente nos estados de Nebraska e Iowa, segundo projeções divulgadas hoje pelo NOAA - Serviço Oficial de Meteorologia do país. No mesmo período, de 6 a 12 de agosto, as chuvas deverão ficar abaixo da normalidade, de acordo com indicado nos mapas.

Temperaturas previstas nos EUA entre os dias 6 a 12 de agosto - Fonte: NOAA

Temperaturas previstas nos EUA entre os dias 6 a 12 de agosto - Fonte: NOAA

Chuvas previstas nos EUA entre os dias 6 a 12 de agosto - Fonte: NOAA

Chuvas previstas nos EUA entre os dias 6 a 12 de agosto - Fonte: NOAA

Contudo, as agências internacionais destacam que as chuvas recentes reduziram a probabilidade de danos nas lavouras causados pelo calor, mas que também podem gerar outros riscos. "A chuva registrada em julho coincidiu com o período de polinização da cultura, aumentando o potencial de produção. No entanto, a doença é uma preocupação crescente em um ambiente úmido", alertou o meteorologista Gail Martell em entrevista ao Agrimoney.

Para essa temporada, a perspectiva é que sejam colhidas mais 369 milhões de toneladas, com produtividade estimada em 177,8 sacas do grão por hectare. "Agora, o mercado irá esperar as informações atualizadas sobre as condições das lavouras e também em relação ao novo relatório de oferta e demanda que será divulgado no início do mês", destaca o analista e editor do portal Farm Futures, Bob Burgdorfer.

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Por Fernanda Custódio
Fonte Notícias Agrícolas

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