Milho: atraso no plantio pesa e preços sobem no Brasil nesta sexta-feira

Publicado em 25/09/2020 16:35 e atualizado em 28/09/2020 09:39 1460 exibições
Chicago ganha no dia, mas acumula queda de 3,6% na semana

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A sexta-feira (25) chega ao final com os preços do milho no mercado físico brasileiro. Em levantamento realizado pela equipe do Notícias Agrícolas, foram percebidas desvalorizações apenas no Porto de Santos/SP (1,52% e preço de R$ 65,00).

Já as valorizações apareceram nas praças de Itapetininga/SP (0,84% e preço de R$ 60,00), Cândido Mota/SP (0,93% e preço de R$ 54,50), Cafelândia/PR (0,95% e preço de R$ 53,00), Campo Novo do Parecis/MT (1,03% e preço de R$ 49,00), Dourados/MS (1,85% e preço de R$ 55,00), Pato Branco/PR (1,86% e preço de R$ 54,70), Marechal Cândido Rondon/PR, Londrina/PR e Ubiratã/PR (1,90% e preço de R$ 53,50) e Eldorado/MS (1,99% e preço de R$ 51,30).

Confira como ficaram todas as cotações nesta sexta-feira

De acordo com o reporte diário da Radar Investimentos, o milho entrou em uma espiral de alta durante esta semana na esteira do dólar. “O apetite em negociar no porto cresceu em relação ao mercado interno, o que deixou o volume mais enxuto no interior”.

Os preços do milho retomaram a tendência de alta no Brasil. O indicador Cepea e a Bolsa Brasileira (B3) registram movimentações ao redor dos R$ 62,00 e este deve ser o cenário para o restante deste ano de 2020.

Segundo o analista de mercado da Céleres Consultoria, Anderson Galvão, todos os componentes necessários para a manutenção dos preços em patamares sustentados estão presentes e vão seguir nos próximos meses. Entre eles, cita a demanda aquecida, as exportações em ritmo forte, uma safra norte-americana menor do que o esperado inicialmente e, principalmente, um câmbio com o dólar valorizado.

Galvão destaca que o cenário é positivo ao produtor brasileiro desde 2019, se manteve assim durante 2020 e promete estender o bom momento também para 2021. “O remanescente do segundo semestre de 2020 está dado com preços firmes generalizados Brasil a fora. O cenário ainda é de um Real desvalorizado então o risco para derrubar as cotações do milho é razoavelmente baixo”, explica.

Outro fator que entra no radar do mercado para a sequência das movimentações são as dificuldades no plantio da safra verão nos estados do Sul. Galvão comenta que, em condições normais de produção na safra 20/21 o Brasil já terá estoques ainda mais apertados do que os ciclos anteriores e que problemas na produção podem pressionar ainda mais este tópico.

B3

Os preços futuros do milho operaram durante todo o dia em alta na Bolsa Brasileira (B3). As principais cotações registravam movimentações positivas entre 1,01% e 2,09% por volta das 16h21 (horário de Brasília).

O vencimento novembro/20 era cotado à R$ 63,49 com elevação de 1,42%, o janeiro/21 valia R$ 63,75 com ganho de 1,43%, o março/21 era negociado por R$ 63,60 com valorização de 2,09% e o maio/21 tinha valor de R$ 60,10 com alta de 1,01%.

As movimentações cambiais também foram favoráveis para o dólar ante ao real e deram sustentação aos contratos do cereal brasileiro. A moeda americana era cotada à R$ 5,54 após subir 0,66% por volta das 16h35 (horário de Brasília).

Para o analista de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, o atraso na safra verão também contribui para este movimento de alta nas cotações do milho na Bolsa Brasileira.

“O plantio do milho normalmente começa em agosto e no final de setembro a maioria das lavouras já estão plantadas, mas já estamos chegando no final de setembro e o Paraná não chegou à 40% plantado, Santa Catarina também, Rio Grande do Sul 50%, então falta muito milho pra ser plantado no Sul e o clima está fazendo o comprador vir a campo”, relata Brandalizze.

O analista destaca ainda que, existe o risco de muito produtores decidirem mudar de plantio por volta do dia 10 de outubro, substituindo o milho pela soja.

Mercado Externo

A Bolsa de Chicago (CBOT) também encerrou a semana subindo para os preços internacionais do milho futuro. As principais cotações registraram movimentações positivas entre 1,00 e 1,75 pontos ao final da sexta-feira.

O vencimento dezembro/20 foi cotado à US$ 3,65 com valorização de 1,75 pontos, o março/21 valia US$ 3,73 com ganho de 1 ponto o maio/21 foi negociado por US$ 3,78 com elevação de 1 ponto e o julho/21 teve valor de US$ 3,82 com alta de 1 ponto.

Esses índices representaram ganhos, com relação ao fechamento da última quinta-feira, de 0,55% para o dezembro/20, de 0,27% para o março/21, de 0,27% para o maio/21 e de 0,26% para o julho/21.

Com relação ao fechamento da última semana, os futuros do milho acumularam desvalorizações de 3,44% para o dezembro/20, de 3,62% para o março/21, de 3,57% para o maio/21 e de 3,29% para o julho/21 na comparação com a última sexta-feira (18).

Segundo informações da Agência Reuters, os contratos futuros de milho da Bolsa de Valores de Chicago subiram na sexta-feira, se recuperando de quatro dias consecutivos de quedas em uma rodada moderada de compras por pechinchas, disseram traders.

A publicação destaca que a perda semanal do milho de 3,6%, a maior desde o início de abril, e levou alguns investidores a endireitar as posições antes do fim de semana, embora os ganhos tenham sido atenuados pelas expectativas de uma aceleração no ritmo da colheita nos próximos dias.

Mark Weinraub da Reuters Chicago ainda ressalta que os traders esperam pressão do mercado nos próximos dias, à medida que a colheita acelera e os produtores registram as vendas diretamente de suas colheitadeiras, o que fará com que os negociantes comerciais protejam as compras à vista de milho com posições vendidas no mercado futuro.

Reveja outras informações desta semana sobre o milho:

+ Milho: negócios no spot nacional são pontuais

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Por:
Guilherme Dorigatti
Fonte:
Notícias Agrícolas

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