Com físico e futuro desalinhados, mercado do milho na B3 tem novo dia de baixas intensas nesta 4ª

Publicado em 28/05/2025 16:01 e atualizado em 28/05/2025 17:06
Na Bolsa de Chicago, mercado também cedeu, liderando as perdas entre os futuros

A volatilidade intensa no mercado de milho continua e a quarta-feira (28) foi um novo dia de baixas intensas para os preços tanto na B3, quanto na Bolsa de Chicago. E no Brasil, mais uma vez, o mercado foi na contramão do dólar, que voltou a subir nesta quarta, depois de algumas sessões consecutivas de baixas. Assim, as perdas entre os futuros na bolsa brasileira foram de mais de 1%, levando o julho de volta aos R$ 63,31 e o o setembro a R$ 64,59 por saca. O janeiro segue trabalhando acima dos R$ 71,00 por saca. 

"Há muita oscilação. A B3 está no maior fator de dúvida do operador brasileiro, seja o produtor, a indústria ou especulador, já que é ele, na verdade, que dá liquidez para a bolsa", afirma o analista de mercado e diretor da Royal Rural, Ronaldo Fernandes. "Temos a questão da gripe aviária - que ainda está em curso - e paralelo a isso temos o clima, o risco de geada - que era quase uma certeza para o Sul do Brasil, já se reduzindo e vários modelos já retiraram os alertas de geadas para o Brasil, mas as temperaturas baixas ainda continuam - e agora mais um fator que é o mais decisivo neste momento, que é o mercado olhando para o indicador Cepea/ESALQ".

Segundo o analista, o indicador acumulou 26 dias de baixa consecutivos e, na última segunda-feira (26), quebrou esse ritmo, voltando a subir ou ao menos parando de cair. "E aí o mercado ficou sem direção porque a diferença entre Esalq e B3 ainda é grande. Estamos falando de Esalq na casa de R$ 70,00 e a B3 na casa de R$ 64,00", detalha Fernandes. A dúvida agora qual valor irá se alinhar a qual, B3 à Esalq ou Esalq à B3. 

Além disso, ele explica ainda que mercado físico não conta com um fator forte de alta agora para a reversão deste movimento de queda. No levantamento do Notícias Agrícolas, os indicadores do cereal no físico têm variado entre R$ 56,00 e R$ 68,00 por saca nas principais praças de comercialização. 

BOLSA DE CHICAGO

Na Bolsa de Chicago, a quarta-feira também foi negativa e os futuros terminaram o dia perdendo entre 3 e 8,50 pontos nos principais vencimentos, levando o julho a US$ 4,51 e o setembro a US$ 4,29 por bushel. 

"O milho na CBOT está pesado. Os spreads estão caindo forte com o clima devendo melhorar nos EUA nesta semana - com mais calor e menos chuvas -, o milho brasileiro se mostrando mais barato, e rumores de cancelamento da safra velha. O cancelamento não é uma causa da queda, mas uma consequência. O Brasil está no jogo e a Ucrânia competitiva para os meses de outubro e novembro. Game over para os EUA. Vai ser muito difícil bater a estimativa do USDA de exportação", afirma a equipe da Agrinvest Commodities. 

Por: Carla Mendes | Instagram @jornalistacarlamendes
Fonte: Notícias Agrícolas

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Em dia de correções, milho recua em Chicago nesta terça-feira, mas cenário segue com fatores de sustentação
Exportações de milho começam setembro ainda abaixo de 2025, mas ritmo reage após agosto fraco
Futuros do milho com leves recuos em Chicago antes do USDA desta terça-feira
Plantio do milho verão chega a 11% e supera 2025 e média histórica
Milho volta do feriado com leves altas na Bolsa de Chicago
Milho/Cepea: Preço segue em alta; safra de verão começa no Sul