Com dúvidas sobre clima e pacote tecnológico, estimativas de área e produção variam bastante para segunda safra de milho
Os trabalhos de plantio da segunda safra de milho 2026 ainda são muito incipientes nas principais regiões produtoras do país. No Mato Grosso, a colheita da soja está em menos de 2% e como o plantio prioritário da segunda safra de algodão, as atividades do cereal ainda não foram reportadas. Já no Paraná, apenas 1% da área prevista foi semeada até o final da semana passada.
“As primeiras lavouras vão começar mesmo a ser plantadas mais no final de janeiro, começando já na semana que vem, mas o principal mesmo vai ficar lá para o dia 15 de fevereiro em diante”, aponta Vlamir Brandalizze, analista de mercado da Brandalizze Consulting.
Apesar do começo ainda fracionário, a segunda safra brasileira de milho já começa envolta em uma série de dúvidas quanto a área, nível de tecnologia empregada e potencial produtivo. As dificuldades de plantio da soja acabaram estendendo o ciclo e afentado as janelas de plantio do milho que vem na sequência.
“Em 2025 tivemos alguns problemas regionais com a soja, o que acaba empurrando o plantio do milho um pouco mais para frente. Agora precisamos ficar muito atentos ao ritmo de colheita da soja, porque quando olhamos os mapas até o começo de fevereiro percebemos que podem ter algumas chuvas que atrapalhem um pouco esse ritmo de colheita”, alerta Eduardo Seccarecio, analista de mercado da Agrifatto Consultoria.
Em seu primeiro relatório de acompanhando da safra de grãos 2025/26 publicado em outubro/25, a Conab estimava uma área semeada de milho segunda safra de 18,092 milhões de hectares resultando em produção de 110, 460 milhões de toneladas, no segundo reporte de novembro/25 os números já foram revisados para 18,090 milhões e 110,459 milhões. Em dezembro/25 houve uma revisão ligeiramente positiva com a área voltando para 18,092 milhões de hectares e a produção subindo para 110,461 milhões de toneladas. Por fim, o relatório de janeiro/26 manteve as projeções passadas.
Os números oficiais representariam uma elevação de 3,8% na área cultivada, que foi de 17,427 milhões de hectares em 2024/25, mas uma redução de 2,48% na produção, que somou 113,271 milhões de toneladas na safrinha passada.
As projeções das consultorias privadas também estão variando, trabalhando nos intervalos de 17,7 a 18,5 milhões de hectares semeados e com a produção flutuando na faixa entre 101,94 e 117,6 milhões de toneladas.
A StoneX projeta área de 17,742 milhões de hectares (contra 17,543 milhões de 24/25) e uma produção de 105,816 milhões de toneladas (ante as 111.667 milhões da safra anterior). Para a Céleres, o plantio vai subir 3% e chegar em 18,8 milhões de hectares com produção 1% menor de 117,6 milhões de toneladas.
A Pátria Agronegócios trabalha com números de 17,59 milhões de hectares (1,2% acima dos 17,38 milhões de 24/25) e produção de 101,94 milhões de tonelada (7% abaixo das 109,63 milhões do ano passado.). A Brandalizze Consulting projeta plantio perto de 18 milhões de hectares e produção de entre 105 e 108 milhões de toneladas.
“O plantio deve crescer um pouco aproveitando bem as áreas de soja, mas em função do mercado estar mais calmo, o produtor dá indicações de uma tecnologia média, investindo um pouco menos, o que pode limitar o potencial produtivo. Porém, o que determina mesmo a safrinha é o clima, então vai depender muito disso ainda”, afirma Brandalizze.
“Se o clima ajudar devemos ter uma produtividade regular e confortável. Imaginamos que seja uma safra um pouco menor do que a do ano passado, que foi uma safra excepcional, mas não algo que preocupe em termos de volume”, diz Seccarecio.
O analista da Agrifatto Consultoria ainda destaca que os próximos dois meses deve ter o mercado acompanhando de perto essas condições e evolução do plantio da safra de milho no Brasil para definir os próximos rumos dos preços no país.
“Algum stress em relação ao milho segunda safra, e talvez algum rally de câmbio, é o único cenário capaz de ajudar a gente a ter alguma situação de preços mais confortável para o produtor”, comenta.