Milho: Mercado recua em Chicago e na B3 nesta 5ª feira; chuvas começam a chegar para a safrinha no BR
O dia foi de foi de baixas para o milho tanto na Bolsa de Chicago, quanto na B3 nesta quinta-feira (30). Os mercados continuam bastante voláteis, sentindo de um lado os impactos dos fundamentos, ao mesmo tempo em que continua regiando ao cenário externo e a influência da geopolítica não só no milho, mas nos principais mercados de commodities agrícolas.
LEVES BAIXAS EM CHICAGO
Em Chicago, os futuros do cereal terminaram o dia perdendo entre 3 e 4 pontos, levando o julho a US$ 4,63 e o dezembro a US$ 4,93 por bushel. O mercado acompanhou a despencada do trigo, que terminou o dia com mais de 2% de baixas, além do petróleo e do farelo de soja.
"A safra americana está caminhando com um plantio acelerado, sem atraso, perto de 30% concluído contra a média de 25%, mas tudo indica que a área de milho vai cair nos EUA", afirma Vlamir Brandalizze, consultor de mercado da Brandalizze Consulting. Assim, o mercado espera por uma oferta mais ajustada norte-americana, "e esse volume vai fazer falta lá na frente", o que pode trazer ainda algum suporte aos preços mais a frente.
No entanto, ao lado dos fundamentos, o mercado também continua influenciado pela geopolítica, o que o mantém muito volátil e com dificuldade de uma definição de direção. "A indefinição sobre o Estreito de Ormuz mantém energia e óleo de soja firmes, mas também trava direção mais clara nos grãos. Além disso, as vendas semanais de exportação dos EUA decepcionaram, mostrando preços americanos pouco competitivos", afirma o time de análises do Grupo Labhoro, em seu boletim diário.
Na semana encerrada em 23 de abril, os EUA venderam 1,597 milhão de toneladas de milho para exportação, contra expectativas do mercado de 1 milhão a 1,9 milhão de toneladas.
RECUO NA B3
Na B3, os preços também fecharam no vermelho e foram intensificando suas perdas nas principais posições. As baixas foram de 0,5% a 1,4%, levando o julho R$ 69,43 e o setembro a R$ 71,38 por saca. O mercado se ajustou após os últimos ganhos, mas também sentiu as previsões de boas chuvas chegando a regiões importantes de produção de safrinha no Brasil, além de observar ainda os registros da chegada de agluns volumes a áreas também expressivas do cultivo do milho segunda safra.
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As precipitações começam a chegar, porém, precisam continuar se confirmando para trazer um alívio efetivo às lavouras.
Como explicou em entrevista o diretor da Germinar Corretora, Roberto Carlos Rafael, a safrinha atrasada passando por seca está no radar, a real produção ainda é incerta e, por isso, o mercado precisa acompanhar safra dos EUA, a continuidade da guerra e as exportações brasileiras em que ritmo deverão caminhar. O dólar em baixa nesta quinta-feira também pressionou os preços na B3.
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