Tamanho da safrinha de milho gera muitas incertezas no BR e mercado ainda não precificou perdas
O mercado do milho registrou mais uma sessão de baixas nesta terça-feira (5), tanto na Bolsa de Chicago, quanto na B3. No Brasil, os futuros do cereal perderam mais de 1% com a pressão vinda do dólar em queda e também das expectativas de uma melhora nas condições do clima para a segunda safra de milho no país. As condições da safrinha, porém, ainda são frágeis e inspiram insegurança e incerteza.
"O milho está barato e continua sendo atrativo para o comprador, o comprador se garantir para ter abastecimento, para atender o setor de rações, de etanol, porque ainda temos grandes dúvidas sobre o tamanho da safrinha. A safrinha está sendo prejudicada, os produtores de Goiás, Minas Gerais, leste do Mato Grosso, parte do Paraná e Mato Grosso do Sul sofreram muito com o clima e ainda existem muitas dúvidas sobre o tamanho da safrinha", explica o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting.
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Assim, segundo o especialista, a segunda safra de milho do Brasil deverá surpreender "para baixo", e o mercado vai reagir a este volume menor, provavelmente, depois da colheita.
Até que este movimento se consolide e que os preços do cereal - com a pressão na CBOT e do dólar hoje se combinando e pressionando a B3 - voltem a subir, "o mercado está dando oportunidade para os compradores se protegerem, para depois não chegar lá na frente com o mercado de milho perto de R$ 80,00 e eles reclamarem que o milho está caro e que não dá margem. É o mercado dando oportunidades. Agora os setores de ração e etanol estão dando margens e depois ele vai ter que arriscar o mercado com uma oferta limitada. Então, este é o momento do consumidor", complementa Brandalizze.
O consultor acredita que no fim deste ano e início do próximo, os preços do milho podem voltar a se aproximar dos R$ 80,00 por saca.
A análise de Rapahel Mandarino, diretor da AgResource Brasil, é semelhante e, em sua última entrevista ao Notícias Agrícolas, o especialista afirmou que a consultoria já está revisando para baixo suas estimativas para a safra brasileira de milho. "Algumas revisões já trazem 1 milhão, 1,5 milhão a menos", diz. "É um cenário de incerteza para o nosso quadro de oferta e demanda".
E por isso, o monitoramento do clima nas principais regiões produtoras é ainda mais necessário e constante. As previsões indicam algum alívio do calor intenso para áreas-chave de safrinha, porém, o cenário precisa se confirmar para começar a mitigar efeito de adversidades que já acometeram os campos de milho do Brasil.
"Em função do que vimos de longo prazo, se ausência de umidade de superfície e de subsolo, e um calor intenso, altas temperaturas, há sim uma tendência de termos tido estresse e do potencial produtivo ter sido reduzido em partes de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e, na contramão, temos chuvas previstas para partes de Minas Gerais, Paraná", detalha Mandarino.
BOLSA DE CHICAGO PERDE MAIS DE 1%
Na Bolsa de Chicago, os futuros do milho terminaram o pregão desta terça-feira com mais de 1% de baixa. Os preços cederam de 4,75 a 8,50 pontos, com o julho terminando o dia com US$ 4,79 e o dezembro com US$ 4,99 por bushel.
O mercado do milho acompanhou as perdas fortes do trigo, de quase 2% na sessão de hoje, e ambos foram pressionados pela queda forte do petróleo, que vai encerrando o dia com mais de 3% tanto no brent, quanto no WTI. O clima para as safras norte-americanas também estão em evidência e ajudam na pressão.
"A forte baixa do petróleo pesa sobre o complexo de commodities, enquanto a previsão de chuvas em importantes regiões produtoras de trigo nos EUA adiciona pressão às cotações", afirma o time de análises da Agrinvest Commodities.
De acordo com os últimos números trazidos pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) nesta segunda-feira, o plantio do milho chega a 35% da área, acima do ano passado e da média das últimas cinco safras neste mesmo período. Apesar do ritmo acelerado, os traders estão agora atentos às condições climáticas do Corn Belt nas próximas semanas, que podem trazer alguns alertas e ameaçar a alta produtividade esperada para não só o milho, mas também a soja.