Milho mais novo ainda pode se recuperar após geada no RS, enquanto áreas mais adiantadas já inspiram mais preocupação

Publicado em 09/09/2026 14:12
Folhas queimadas já são visíveis em lavouras de Condor, mas estágio das plantas e posição no relevo devem definir a dimensão dos danos

As geadas registradas no Rio Grande do Sul nesta semana já deixaram sinais visíveis em lavouras de milho, com folhas queimadas pelo frio. O impacto sobre o potencial produtivo, porém, ainda pode variar bastante conforme o estágio de desenvolvimento das plantas e a localização das áreas atingidas.

Em Condor (RS), o produtor rural Mauro Costa Beber relata que lavouras implantadas mais recentemente apresentam maior possibilidade de recuperação, mesmo depois dos danos observados nas folhas.

Segundo Beber, em áreas semeadas por volta de 25 de agosto, o ponto de crescimento das plantas ainda permanece abaixo do solo, o que permite ao milho continuar emitindo novas folhas.

“Ele praticamente não vai ter dano. Como o ponto de crescimento está embaixo da terra, ele vai conseguir seguir emitindo folhas”, explica.

A preocupação é maior nas lavouras implantadas no início de agosto e que já estavam em estágio mais avançado quando ocorreu a geada. Nessas áreas, principalmente nos pontos mais baixos do terreno, o produtor avalia que algumas plantas podem ter maior dificuldade para rebrotar.

A posição das lavouras no relevo também fez diferença na intensidade do frio. Ao percorrer os talhões após a geada, Beber observou menor congelamento nas partes mais altas e efeitos mais intensos nas baixadas.

“Nas partes mais baixas estava bem congelado”, relata.

Apesar da intensidade do episódio, alguns fatores podem ter ajudado a limitar os danos. Segundo o produtor, o período de congelamento foi relativamente curto e a baixa umidade reduziu a presença de orvalho sobre as plantas no momento das menores temperaturas.

Mesmo nas áreas em que as folhas já apresentam queimaduras, ainda é cedo para transformar os sintomas visuais em estimativa de perda de produtividade. No milho, porém, a reação das plantas tende a aparecer mais rapidamente do que em culturas como trigo e canola.

Segundo Beber, em poucos dias já deve ser possível identificar melhor quais áreas conseguirão seguir emitindo folhas e quais foram atingidas de forma mais severa pela geada.

Painel de veículo registrava 0°C durante a manhã da geada

Por: Guilherme Dorigatti
Fonte: Notícias Agrícolas

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