Futuros do milho de Chicago acumulam perdas de quase 6% em semana marcada por surpresa do USDA

Publicado em 02/10/2026 15:54 e atualizado em 02/10/2026 16:47
Analista acredita em volta das altas na CBOT, mas aponta possível pressão nas cotações da B3

Os preços internacionais do milho fecharam a sexta-feira (2) em campo negativo na Bolsa de Chicago (CBOT), encerrando uma semana marcada pela forte pressão após a divulgação dos estoques trimestrais dos Estados Unidos acima das expectativas do mercado.

Os contratos do cereal voltaram a recuar nesta sexta-feira após uma tentativa de recuperação na sessão anterior. O mercado segue assimilando os números divulgados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) nesta semana, que apontaram estoques norte-americanos de milho em 2,095 bilhões de bushels em 1º de setembro, alta de 35% na comparação anual e maior volume para a data desde a temporada 2018/19.

Segundo Luiz Fernando Gutierrez, Coordenador de Inteligência de Mercado na Hedgepoint, os estoques acima do esperado aumentaram a disponibilidade inicial da safra 2026/27 e provocaram liquidação de posições compradas em Chicago. Apesar da pressão recente, o analista avalia que o cenário ainda apresenta fatores de sustentação, principalmente diante da forte demanda pelo milho norte-americano e de uma produção dos Estados Unidos menor do que a registrada na temporada passada.

Do lado da demanda, as vendas semanais norte-americanas ficaram em 536 mil toneladas, queda de 36% ante a semana anterior e menor volume registrado até agora no ano comercial 2026/27. Em contrapartida, o USDA anunciou nesta sexta-feira uma nova venda de 218,6 mil toneladas de milho para o México, distribuída entre as temporadas 2026/27, 2027/28 e 2028/29.

A expectativa de possíveis revisões na produção também aparece entre os fatores acompanhados pelo mercado, com as atenções passando a se voltar para o relatório de oferta e demanda do USDA previsto para 9 de outubro, que poderá trazer novas alterações para o balanço do cereal. Gutierrez destaca que existe espaço para uma recuperação dos preços diante de possíveis ajustes negativos nas estimativas de produtividade e produção norte-americanas.

Nesta sexta-feira, o vencimento dezembro/26 foi cotado a US$ 4,97 com desvalorização de 4,50 pontos, o março/27 valeu US$ 5,11 com perda de 5,25 pontos, o maio/27 foi negociado por US$ 5,18 com baixa de 5,25 pontos e o julho/27 teve valor de US$ 5,22 com queda de 5,25 pontos.

No acumulado semanal, os contratos do cereal norte-americano registraram desvalorizações de 5,77% para o dezembro/26, de 5,62% para o março/27, de 5,51% para o maio/27 e de 5,21% para o julho/27.

Na comparação com a sexta-feira anterior (25), os contratos do milho acumularam perdas expressivas em Chicago. O dezembro/26 havia encerrado a semana passada cotado a US$ 5,2825 por bushel e terminou esta sexta-feira a US$ 4,9775 por bushel, abaixo da marca dos US$ 5,00. O contrato também acumula recuo próximo de 9% desde a máxima de três anos de US$ 5,4950 por bushel registrada em 2 de setembro.

Mercado brasileiro

No Brasil, o mercado também sentiu os reflexos das perdas registradas em Chicago ao longo dos últimos dias, mas encontra sustentação no avanço da demanda doméstica, especialmente com a expansão da produção de etanol de milho.

Gutierrez destaca que o crescimento do consumo interno reduz parte da dependência brasileira das exportações para equilibrar oferta e demanda. Por outro lado, o desempenho dos embarques passou a representar um dos principais pontos de atenção para os próximos meses.

Segundo o analista, as exportações brasileiras estão cerca de 3 milhões de toneladas abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. Diante desse desempenho, a projeção, que anteriormente indicava possibilidade de embarques entre 42 e 43 milhões de toneladas, foi reduzida para aproximadamente 38 milhões.

Entre os fatores que ajudam a explicar esse cenário estão a maior competitividade do milho argentino, que disputa mercados com o produto brasileiro, e a redução das compras do Irã. Caso o ritmo mais fraco das exportações permaneça, Gutierrez alerta para a possibilidade de estoques mais elevados no Brasil e de pressão adicional sobre as cotações nos próximos meses.

A comercialização também permanece como ponto de atenção. As vendas da safrinha 2025/26 estão cerca de 10 pontos percentuais atrasadas em relação à média nacional, enquanto os produtores voltaram a se retrair diante das recentes quedas dos preços e direcionam as atenções para o plantio da soja e para a definição da janela da segunda safra de milho.

Na B3, os contratos futuros do milho também encerraram a sexta-feira majoritariamente em campo negativo. O novembro/26 caiu 0,72%, negociado a R$ 71,67, o janeiro/27 perdeu 0,20%, valendo R$ 76,35, e o março/27 recuou 0,08%, cotado a R$ 79,15. O maio/27 terminou estável a R$ 77,95.

No acumulado semanal, as perdas também foram expressivas na bolsa brasileira, especialmente entre os vencimentos mais próximos. O novembro/26 recuou 5,09% ante os R$ 75,52 da sexta-feira anterior, enquanto janeiro/27 perdeu 3,84%, março/27 caiu 3,12%, maio/27 cedeu 2,13% e julho/27 acumulou baixa de 1,28%.

Já no mercado físico brasileiro, a sexta-feira foi marcada por estabilidade na maioria das praças acompanhadas pelo Notícias Agrícolas, mas com algumas desvalorizações. As quedas apareceram em Ubiratã/PR, Marechal Cândido Rondon/PR, Cândido Mota/SP, Oeste da Bahia/BA e Sorriso/MT.

Fonte: Notícias Agrícolas

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