Colheita de milho da China deve crescer; milho dos EUA “ainda não é opção”, diz diretor da Cofco Futures

Publicado em 13/10/2026 10:17 e atualizado em 13/10/2026 12:07

Por Ella Cao e Liz Lee

DALIAN, China, 13 Out (Reuters) - A produção de milho da China deve aumentar este ano, enquanto as importações apresentam uma ligeira queda, já que os suprimentos dos EUA “ainda não são uma opção” por continuarem sendo antieconômicos, afirmou nesta terça-feira Zhang Dalong, diretor de pesquisa de produtos agrícolas da Cofco Futures.

Em fala durante uma conferência na cidade de Dalian, no nordeste da China, Zhang disse que a produção de milho da nova safra chinesa aumentaria de 5 milhões a 8 milhões de toneladas em relação ao ano passado, impulsionada principalmente pelos ganhos no norte do país.

“No Nordeste, a área plantada aumentou, mas a produtividade diminuiu, enquanto a produção e a qualidade do milho melhoraram no norte da China”, disse ele.

Zhang previu que as importações de milho da China para a safra 2026/27 serão de 3,5 milhões de toneladas, uma queda de 170 mil toneladas em relação ao ano anterior, incluindo 1,2 milhão de toneladas do Brasil e da Argentina, respectivamente, e 900 mil toneladas dos EUA, com o restante proveniente de outros fornecedores.

Traders globais têm acompanhado de perto se a China intensificará as compras de produtos agrícolas dos EUA depois que os dois países divulgaram uma lista proposta de redução de tarifas abrangendo milho, trigo, óleos vegetais e farelos, entre outros produtos.

O milho tem sido historicamente uma das exportações agrícolas de maior valor dos EUA para a China e poderia desempenhar um papel fundamental para ajudar Pequim a cumprir o compromisso de compra de US$17 bilhões que, segundo a Casa Branca, foi acordado na cúpula de líderes em maio.

No entanto, Zhang afirmou que o milho dos EUA não é comercialmente viável no momento, mesmo com uma tarifa de 1% dentro da cota, pois as margens de importação permanecem negativas.

Um slide de sua apresentação apontou que, usando os portos do Golfo dos EUA como referência, a margem teórica de importação para o milho entregue entre novembro de 2026 e março de 2027 variava de um prejuízo de 15,52 iuanes a 59,75 iuanes (US$2,32 a US$8,93) por tonelada.

As importações chinesas de sorgo estão projetadas em 8 milhões de toneladas em 2026/27, um aumento de 550 mil toneladas em relação ao ano anterior, disse Zhang. As importações de cevada devem totalizar 10 milhões de toneladas, uma queda de 3,14 milhões de toneladas em relação ao ano anterior.

As chegadas de milho no quarto trimestre estão estimadas em 400 mil toneladas, enquanto as de sorgo estão projetadas em 2,95 milhões de toneladas, um aumento de 2,06 milhões de toneladas em relação ao ano anterior. Já as chegadas de cevada devem atingir 2,6 milhões de toneladas.

(Reportagem de Ella Cao e Liz Lee)

Fonte: Reuters

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