União Europeia amplia demanda por milho e Brasil começa a ganhar espaço após avanço dos Estados Unidos

Publicado em 22/10/2026 12:37
Levantamento do Notícias Agrícolas com dados da Secex mostra crescimento de 9,6% nos embarques para Espanha, Itália e Países Baixos em setembro; corretora projeta nova aceleração em outubro

O milho brasileiro começa a ganhar espaço em importantes destinos europeus depois de perder participação para os Estados Unidos no acumulado da temporada comercial da União Europeia. Levantamento do Notícias Agrícolas com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostra que cinco países do bloco receberam, somente em setembro de 2026, mais milho brasileiro do que nos oito primeiros meses do ano somados.

Espanha, Itália, Países Baixos, Irlanda e Portugal importaram conjuntamente 1,07 milhão de toneladas do cereal brasileiro em setembro, ante 895,4 mil toneladas acumuladas entre janeiro e agosto. O movimento ocorre em um cenário de maior demanda europeia por importações, embora o Brasil ainda registre perda de volume no acumulado da atual temporada comercial da União Europeia.

Segundo dados da Comissão Europeia divulgados pela Reuters, o bloco importou aproximadamente 6,64 milhões de toneladas de milho entre 1º de julho e 18 de outubro de 2026, crescimento de 40% em relação ao mesmo período da temporada anterior.

Os Estados Unidos registraram o maior avanço entre os principais fornecedores, passando de aproximadamente 900 mil para 2,9 milhões de toneladas. O Brasil permaneceu como segundo maior fornecedor, mas seus embarques para o bloco recuaram de 2,74 milhões para 1,82 milhão de toneladas.

A Ucrânia também ampliou o fornecimento, de cerca de 770 mil para 1,62 milhão de toneladas. Portanto, apesar da reação observada recentemente nos embarques brasileiros, o país ainda registra perda de volume no acumulado da temporada europeia.

Setembro concentra embarques brasileiros para destinos europeus

O levantamento do Notícias Agrícolas, realizado a partir dos dados de peso líquido exportado da Secex/Comex Stat, mostra uma forte concentração dos embarques destinados a países europeus em setembro.

Considerando os cinco mercados da União Europeia analisados, setembro respondeu por aproximadamente 54% de tudo o que foi exportado para esses destinos entre janeiro e setembro de 2026.

A Espanha liderou os embarques do mês, com 446.725 toneladas, seguida pela Itália, com 290.623 toneladas, e pelos Países Baixos, com 263.785 toneladas. Irlanda e Portugal receberam, respectivamente, 37.400 e 30.041 toneladas.

O destaque foi a Itália. O país recebeu 290,6 mil toneladas em setembro, volume mais de três vezes superior às 87,4 mil toneladas embarcadas durante os oito meses anteriores somados. Para dimensionar esse movimento, somente setembro de 2026 representou 61,4% das 473,6 mil toneladas de milho brasileiro destinadas à Itália durante todo o ano de 2025.

Os Países Baixos também apresentaram concentração expressiva de negócios no mês, enquanto a Espanha manteve a liderança entre os destinos europeus do cereal brasileiro.

A concentração dos embarques em setembro evidencia uma mudança recente na distribuição temporal das exportações. Entretanto, os dados agregados de janeiro a agosto não permitem afirmar que houve crescimento contínuo mês a mês.

Além disso, parte do milho enviado aos Países Baixos pode ser redistribuída para outros mercados europeus, de modo que o destino registrado nas exportações não representa necessariamente o local final de consumo.

Compras de Itália e Espanha também crescem na comparação anual

O movimento de setembro não se resume à concentração dos embarques dentro de 2026. Na comparação com setembro do ano anterior, Espanha, Itália e Países Baixos receberam conjuntamente 1.001.133 toneladas de milho brasileiro, ante 913.402 toneladas em 2025, crescimento de 9,6%.

A Itália apresentou o maior avanço, de 64,1%, passando de 177.118 para 290.623 toneladas. A Espanha também ampliou suas compras, de 418.175 para 446.725 toneladas, alta de 6,8%.

O resultado não foi uniforme. Os Países Baixos reduziram as importações de milho brasileiro de 318.109 para 263.785 toneladas, recuo de 17,1%.

Mesmo assim, o crescimento conjunto dos três destinos contrasta com a queda das exportações brasileiras totais de milho, que diminuíram 31,1% entre setembro de 2025 e setembro de 2026, de 7,56 milhões para 5,21 milhões de toneladas.

Com isso, a participação desses três mercados no total exportado pelo Brasil passou de aproximadamente 12,1% para 19,2%, demonstrando maior importância relativa dos destinos europeus para o escoamento do cereal naquele mês.

Os números da Secex correspondem às exportações brasileiras de setembro, enquanto as estatísticas da Comissão Europeia abrangem o período iniciado em julho. Por isso, não devem ser interpretados como medidas diretamente equivalentes de participação no mercado europeu.

Corretora projeta aceleração dos embarques em outubro

A possibilidade de continuidade da reação brasileira aparece em projeção da corretora Stag International, divulgada pela Reuters na quarta-feira (21).

Segundo a empresa, as exportações brasileiras de milho para países europeus podem alcançar 1,65 milhão de toneladas em outubro de 2026, ante aproximadamente 200 mil toneladas no mesmo mês do ano anterior.

A corretora relaciona essa expectativa à menor disponibilidade exportável da Ucrânia, diante das dificuldades logísticas enfrentadas pelo país, e à competitividade das ofertas sul-americanas.

Na avaliação da Stag, as atuais condições comerciais favorecem fornecedores como Brasil e Argentina, criando oportunidades para ampliar a presença do cereal sul-americano no mercado europeu.

Programações de embarque acompanhadas pela agência marítima Cargonave, também citadas pela Reuters, apontam possibilidade de exportações brasileiras superiores a 1 milhão de toneladas para destinos europeus em outubro, com destaque para a Espanha.

Esses números representam estimativas e operações programadas, não volumes efetivamente embarcados e confirmados pelas estatísticas oficiais.

A confirmação dos negócios será importante para verificar se a reação identificada nos dados de setembro terá continuidade e contribuirá para compensar parte da perda brasileira registrada no acumulado da temporada comercial europeia.

Para os produtores brasileiros, a maior procura externa pode representar uma alternativa adicional de escoamento da produção, especialmente em um momento de crescimento da demanda doméstica pela indústria de etanol de milho.

Entretanto, a recuperação das exportações não significa necessariamente melhora dos preços recebidos nas regiões produtoras. O resultado comercial também depende do câmbio, dos fretes, dos custos logísticos e da concorrência entre fornecedores.

Assim, o levantamento da Secex mostra que o Brasil já registra maior concentração de embarques em importantes destinos europeus, enquanto as projeções para outubro apontam possibilidade de continuidade do movimento. A consolidação de uma recuperação mais ampla da participação brasileira no mercado europeu, porém, ainda dependerá dos resultados efetivos dos próximos meses.

Fonte: Notícias Agrícolas

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