Milho recupera os US$ 4,50 em Chicago e B3 fecha dividida; preços caem em Mato Grosso

Publicado em 29/10/2026 15:54 e atualizado em 29/10/2026 16:46
Contratos reduzem perdas ao longo do pregão, mesmo com recuo nas exportações semanais americanas

Os preços futuros do milho encerraram a quinta-feira (29) próximos da estabilidade na Bolsa de Chicago (CBOT), após recuperarem parte das perdas registradas durante a manhã. No Brasil, a B3 terminou o pregão com movimentos mistos, apesar da valorização do dólar frente ao real, enquanto o mercado físico apresentou novas quedas em Mato Grosso e recuperação em algumas praças de São Paulo.

Em Chicago, o contrato dezembro/26 fechou negociado a US$ 4,5125 por bushel, com recuo de 0,11%, equivalente a 0,50 cent. O março/27 perdeu 0,25 cent, encerrando a US$ 4,6475, enquanto o maio/27 avançou 0,25 cent, para US$ 4,7300. O julho/27 permaneceu estável, cotado a US$ 4,7900 por bushel.

A recuperação intradiária foi um dos destaques da sessão. Por volta das 11h47 (horário de Brasília), o dezembro/26 chegou a ser negociado a US$ 4,4950 por bushel, abaixo do patamar de US$ 4,50. Entretanto, os preços conseguiram reduzir as perdas e terminaram próximos dos ajustes registrados na quarta-feira (28), quando o mesmo vencimento havia fechado a US$ 4,5175.

Exportações recuam, mas vendas permanecem acima da média

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou nesta quinta-feira os números semanais de vendas para exportação de milho da temporada 2026/27, referentes à semana encerrada em 22 de outubro.

As vendas líquidas somaram 1.303.900 toneladas, redução de 15% em relação à semana anterior, mas volume 32% superior à média das últimas quatro semanas. O resultado permaneceu dentro das expectativas dos analistas, que variavam de 800 mil a 1,6 milhão de toneladas.

Entre os principais compradores estiveram destinos não revelados, com 411.800 toneladas, México, com 318.900 toneladas, Japão, com 251 mil toneladas, e Coreia do Sul, com 124.900 toneladas.

Os embarques efetivos apresentaram retração mais acentuada, totalizando 552.900 toneladas, queda de 29% na comparação semanal e de 57% em relação à média das últimas quatro semanas.

A diferença entre o desempenho das vendas e dos embarques mostra que a demanda comercial permaneceu relevante, mas a movimentação física do cereal desacelerou no período analisado. Os números não foram suficientes para estabelecer uma direção consistente para os preços futuros durante a sessão.

Outro fator acompanhado pelos operadores é a demanda doméstica dos Estados Unidos, especialmente o consumo de milho para produção de etanol. Segundo dados divulgados na quarta-feira (28) pela Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA), a produção norte-americana do biocombustível avançou para 1,118 milhão de barris diários, com crescimento de 24 mil barris por dia em relação ao levantamento anterior.

O aumento da produção representa um indicador favorável para o consumo industrial de milho, embora o mercado continue enfrentando a pressão sazonal da entrada da safra norte-americana. Até 25 de outubro, os produtores dos Estados Unidos haviam concluído a colheita em 60% da área cultivada com milho, segundo o USDA, abaixo da média de 66% dos últimos cinco anos.

B3 fecha dividida e mercado físico tem novas quedas em Mato Grosso

Na Bolsa Brasileira (B3), os preços futuros do milho terminaram a quinta-feira com resultados mistos, mesmo diante da valorização do dólar frente ao real ao longo do dia.

O contrato novembro/26 avançou 0,75%, encerrando a R$ 67,30 por saca de 60 quilos, enquanto o janeiro/27 permaneceu estável, cotado a R$ 70,57. Os demais vencimentos registraram perdas, com o março/27 recuando 0,37%, para R$ 74,92, e o maio/27 apresentando baixa de 0,13%, para R$ 74,52.

Entre os contratos mais longos, o julho/27 caiu 0,42%, terminando a R$ 74,21, enquanto setembro/27 e novembro/27 recuaram 0,68% e 0,21%, respectivamente.

A diferença de comportamento entre os vencimentos ocorreu em uma sessão marcada pela valorização da moeda norte-americana. Segundo acompanhamento da Agrinvest, o dólar chegou à região de R$ 5,42 durante a tarde, em meio às incertezas políticas e fiscais brasileiras. Embora o câmbio mais elevado possa favorecer a competitividade do cereal nacional nas exportações, o movimento não foi acompanhado por ganhos generalizados nos futuros negociados na B3.

No mercado físico brasileiro, o levantamento do Notícias Agrícolas apontou novas quedas em importantes regiões produtoras de Mato Grosso. As cotações recuaram em Tangará da Serra, Campo Novo do Parecis e Sorriso, dando continuidade ao cenário de pressão observado em diferentes localidades do estado. Também houve recuo no Oeste da Bahia (BA).

Em contrapartida, os preços apresentaram recuperação em São Paulo, com valorizações registradas em Itapetininga, Campinas e no Porto de Santos.

O comportamento desigual das praças mostra que a formação dos preços domésticos continua refletindo condições regionais distintas de oferta, demanda e comercialização. Para os produtores, o avanço do dólar representa um elemento importante a ser acompanhado, mas a disponibilidade de milho, o interesse dos compradores e os custos logísticos também permanecem determinantes para os negócios.

Com Chicago praticamente estável, a B3 sem direção única e movimentos distintos no mercado físico, a comercialização do milho brasileiro segue exigindo atenção às condições específicas de cada região e às oportunidades oferecidas pelos mercados interno e externo.

Fonte: Notícias Agrícolas

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Futuros do milho voltam do Natal subindo em Chicago
Milho fecha 6ªfeira estável na B3, mas acumula perdas de até 1,7% na semana
B3 fecha terça-feira com desvalorização para o milho
Milho fecha sexta-feira com ganhos em Chicago, mas se desvaloriza quase 5% ao longo da semana
Com grande oferta disponível no mercado, cotações do milho na B3 fecham em queda nesta quinta-feira