Milho amplia perdas em Chicago e cai abaixo de US$ 4,50, mas B3 sobe mais de 1% nesta sexta-feira

Publicado em 30/10/2026 12:15
Dólar valorizado e comercialização lenta no Brasil seguem no radar

Os preços futuros do milho ampliaram as perdas na Bolsa de Chicago (CBOT) ao longo da manhã desta sexta-feira (30), enquanto os contratos negociados na B3 apresentavam valorização em todos os vencimentos acompanhados. O movimento divergente ocorre no último pregão de outubro, em meio ao avanço da colheita norte-americana, à valorização do dólar frente ao real e às dificuldades de comercialização do cereal no mercado brasileiro.

Por volta das 11h59 (horário de Brasília), o contrato dezembro/26 era negociado a US$ 4,4825 por bushel em Chicago, com recuo de 3,00 cents, equivalente a 0,66%. O março/27 perdia 2,75 cents, cotado a US$ 4,6200, enquanto o maio/27 registrava baixa de 2,75 cents, para US$ 4,7025. O julho/27 recuava a US$ 4,7650 por bushel.

A pressão se intensificou em relação à abertura, quando o dezembro/26 era negociado a US$ 4,4950. Na quinta-feira (29), o contrato havia encerrado o pregão a US$ 4,5125, depois de recuperar parte das perdas durante a tarde. Nesta sexta-feira, porém, voltou a trabalhar abaixo dos US$ 4,50 e se aproximou da região de US$ 4,48.

Oferta americana e demanda continuam no radar

A entrada da safra dos Estados Unidos permanece entre os fatores que pressionam o mercado internacional. Segundo o último levantamento do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), 60% da área cultivada com milho havia sido colhida até 25 de outubro, avanço de 16 pontos percentuais em uma semana, embora ainda abaixo da média histórica de 66%.

Os dados de exportação divulgados na quinta-feira também continuam sendo avaliados. Na semana encerrada em 22 de outubro, as vendas líquidas norte-americanas somaram 1.303.900 toneladas, queda de 15% em relação à semana anterior, mas volume 32% superior à média das últimas quatro semanas.

Os embarques efetivos, por sua vez, alcançaram 552.900 toneladas, recuo de 29% na comparação semanal e de 57% em relação à média recente. O resultado reforça a atenção do mercado ao ritmo de escoamento da produção americana, mesmo diante de volumes relevantes de novas contratações.

Em contrapartida, a demanda doméstica por etanol continua oferecendo sustentação ao consumo de milho nos Estados Unidos. Na semana encerrada em 23 de outubro, a produção do biocombustível alcançou 1,118 milhão de barris diários, maior patamar em cerca de três meses.

As previsões de chuvas para áreas produtoras do Meio-Oeste americano também permanecem no radar, diante da possibilidade de interrupções temporárias nos trabalhos de colheita.

B3 avança apesar das perdas em Chicago

Enquanto os contratos americanos ampliavam as baixas, o mercado futuro brasileiro apresentava valorizações na B3.

Por volta das 12h07, o novembro/26 subia 0,83%, negociado a R$ 67,93 por saca de 60 quilos. O janeiro/27 registrava alta de 1,22%, cotado a R$ 71,45, enquanto o março/27 avançava 0,71%, para R$ 75,43. O maio/27 era negociado a R$ 74,82 por saca, com ganho de 0,40%.

A divergência entre Chicago e B3 ocorre em uma semana marcada pela forte volatilidade cambial brasileira. Nesta sexta-feira, o dólar voltou a operar acima dos R$ 5,40, oferecendo um elemento de sustentação para a competitividade das exportações nacionais, embora o comportamento dos futuros também dependa das condições internas de oferta e demanda.

Em entrevista ao Notícias Agrícolas nesta sexta-feira, Yeda Monteiro, analista de inteligência e estratégia da Beyond Agro, destacou que o milho brasileiro recuperou parte de sua competitividade internacional nas últimas semanas, mas alertou que o avanço da colheita americana tende a ampliar novamente a concorrência entre as principais origens exportadoras.

Segundo a analista, o mercado doméstico ainda apresenta baixa liquidez, com compradores dos setores de proteína animal e etanol relativamente abastecidos para novembro e início de dezembro. Nesse cenário, as negociações ocorrem principalmente quando consumidores encontram oportunidades de compra ou quando produtores precisam gerar fluxo de caixa.

A especialista também chamou atenção para as perspectivas da safrinha de 2027. O avanço do plantio da soja, especialmente em Mato Grosso, pode favorecer uma janela antecipada de semeadura do milho, ampliando as expectativas de oferta para o próximo ano, caso as condições climáticas permaneçam favoráveis.

Para os produtores brasileiros, o descolamento observado nesta sexta-feira reforça a importância de acompanhar não apenas Chicago e o dólar, mas também as condições de demanda regional, os custos de armazenagem e as oportunidades de comercialização futura. A valorização dos contratos na B3 ainda precisa ser confirmada no encerramento do pregão e não representa, necessariamente, recuperação equivalente dos preços no mercado físico.

Fonte: Notícias Agrícolas

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