Produtor prefere jogar milho fora a vender em leilão federal

Publicado em 25/03/2010 08:54 573 exibições
O preço oferecido pelo governo no último leilão de milho realizado, na última terça-feira, por meio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), não foi atrativo ao bolso do produtor. Nenhum grão, dos cerca de 1,2 milhão de quilos a serem comercializados, foi negociado. Nova tentativa de transação deste volume deve ser feita na manhã do dia 30.

Em janeiro de 2010, de acordo com números da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o governo federal estipulou em R$ 17,46 o preço do milho na região oeste, onde foi promovido o leilão. No entanto, o valor mínimo fechado para negociação no último dia 23 de março foi de R$ 0,2483 o quilo, ou R$ 14,898, o correspondente à saca de 60 quilos.

A Conab deve divulgar no próximo dia 26, o preço mínimo a ser oferecido no leilão do fim do mês. Os Ministérios da Fazenda e da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) vêm discutindo há pelo menos duas semanas a possibilidade de reduzir o preço mínimo do produto com o objetivo de reequilibrar a oferta e a demanda nacional do grão.

De acordo com Jason de Oliveira Duarte, pesquisador e economista agrícola da Embrapa Milho e Sorgo, diante deste cenário o agricultor optou por esperar, apostando em melhora de preço. "Se o produtor vender a R$ 14,89, vai no máximo empatar com o custo de produção. O lucro com o milho já é bem pequeno. Ele pode até preferir jogar fora", pondera.

Duarte explicou que dependendo da logística, o produtor pode ainda ter de arcar com despesas de transporte. "Se o armazém credenciado não for próximo à propriedade pode haver alguma incidência de valor, o que reduz ainda mais o mínimo."

Para Flávia Sologuren, analista de mercado de milho da Céleres Consultoria, é incomum não ocorrer comercialização em leilões via Conab. "Os preços estão muito baixos", afirma.

Segundo Duarte, não existe expectativa de melhora no preço do grão, já que o milho safrinha está em plena colheita.

Estimativa da Conab aponta que esta segunda safra deve render 18,4 milhões de toneladas, de uma produção nacional de 51,4 milhões de toneladas do produto, além dos cerca de 10 milhões de toneladas do estoque de passagem do ano passado.

A prática do preço mínimo seria uma garantia ao produtor, de acordo com João Carlos Werlang, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), que acredita na possibilidade de redução de área para a próxima temporada devido aos entraves na comercialização.

Outros fatores que diminuem ainda mais a chance de aumento de preço, segundo Duarte, são as estimativas de alta produtividade americana e argentina, o que elimina qualquer previsão de aumento na demanda de exportação do milho brasileiro. "A questão é o mercado reagir, mas não vejo isso. A única resposta imediata seria o leilão pagar mais."

Duarte disse ainda que o ideal seria a prática do valor mínimo estipulado. "Se o governo lança um preço mínimo teria de comprar naquele preço. O governo deve cumprir com o que prometeu", afirma.

De acordo com o pesquisador, em janeiro deste ano, a fixação do mínimo foi feita conforme a média de custo de produção em diferentes regiões. A saca de 60 quilos no sul, sudeste e centro sul foi definida a R$ 17,46, no norte e nordeste R$ 20,10, e no Mato Grosso e Rondônia a R$ 13,98.

Ainda de acordo com levantamento da Céleres, o custo de produção de milho por hectare varia de R$ 1,4 mil a R$ 1,6 mil. Já o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) calcula um custo operacional para a produção de milho no Paraná de R$ 19 para produtividade de 61 sacas por hectare.

O Mato Grosso, maior estado produtor de milho do País, é o que mais tem sofrido na hora de comercializar o grão, de acordo com Duarte. No estado, a saca chega a ser comercializada a R$ 9.

A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja) se manifestou contrária à tentativa de reduzir ainda mais o valor estipulado pelo próprio governo. Uma vez que o produtor já investiu nesta safra. No entanto, existem rumores no mercado de que o governo vai mesmo diminuir ainda mais o preço mínimo de R$ 13,98 em Mato Grosso.
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Fonte:
DCI

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