Preço do frete sobe 15% para escoar milho

Publicado em 16/08/2010 13:46 708 exibições

A necessidade de escoar 6,89 milhões de toneladas de milho subvencionadas até agora pelo governo federal nos leilões de Prêmio de Escoamento do Produto (PEP) em Mato Grosso encareceu em média 15% o transporte de carga, especialmente da região Norte – onde se concentram grandes produtores – até o terminal de cargas de Alto Araguaia.

De Sorriso, Sinop e Lucas do Rio Verde devem ser removidas 2,93 milhões de toneladas do grão, ao custo de R$ 80 a tonelada transportada. No mesmo período do ano passado, o preço do frete variava entre R$ 65 e R$ 70 a tonelada até Alto Araguaia.

“Na comparação com o ano passado, aumentou o preço porque não tinha tanto milho para transportar com prazo apertado”, comenta o diretor executivo da Associação dos Transportadores de Carga de Mato Grosso (ATC), Miguel Mendes. “Não há caminhões suficientes”.

O gerente operacional da Transportadora Bom Jesus, Dionísio Mendes, confirma a alta nos preços do frete. “Na realidade, com esses leilões, houve um aumento, por que tem um prazo para o milho ser removido”. Mendes calcula que entre julho e agosto houve um encarecimento de quase 10%.

“Isoladamente, esse encarecimento pode ser real”, diz o coordenador do Centro-Grãos da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), João Birkham. “Mas, o normal é que os preços caiam depois do término da colheita. Por enquanto, não caiu, nem subiu”. Segundo Birkham, o custo do transporte de Sorriso até o porto de Santos (SP) se mantém em R$ 210 a tonelada transportada.

De acordo com o gerente da Transportadora Bom Jesus, além da remoção da produção agrícola, outro fator que tem impactado os custos do transporte rodoviário em Mato Grosso é o aumento na demanda por produtos utilizados na construção civil. “Muitas empresas contratam caminhões para transportar cimento, por exemplo, por até três anos”.

Agrava a situação a diminuição da participação de profissionais autônomos atuando com o transporte de cargas. “Com a implantação do CTe (Conhecimento de Transporte eletrônico), os caminhoneiros que também realizavam esse transporte foram saindo de Mato Grosso”.

O novo documento fiscal eletrônico foi adotado a partir de outubro do ano passado no Estado. “O transportador passa a descontar na fonte os impostos”, diz Mendes.

Ele estima que atualmente 30% do transporte de cargas seja realizado por profissionais autônomos e o restante por empresas especializadas no serviço.

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Fonte:
Folha do Estado

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