Tempo seco põe em xeque segunda safra de milho do Brasil

Publicado em 30/05/2011 16:53 708 exibições

A falta de chuva que preocupa os produtores de Mato Grosso também se transformou em fator de temor para os produtores do Paraná, o que coloca em risco a segunda safra de milho do país, apontaram nesta segunda-feira (30-05) agrônomos e especialistas.

Uma quebra da segunda safra, também chamada de safrinha, certamente terá impacto na previsão total de colheita do cereal do Brasil em 2010/11 --antes dos efeitos da seca no Paraná e do agravamento da situação em Mato Grosso, o Ministério da Agricultura estimou a produção de milho do país em 56 milhões de toneladas, estável ante 2009/10.

A safrinha, com a colheita já em fase inicial, representa quase 40 por cento da produção brasileira total de milho, enquanto Mato Grosso e o Paraná produzem juntos mais de 60 por cento do grão na segunda safra.

"Hoje, pode-se falar que a segunda safra de milho já está sendo prejudicada. O potencial produtivo está prejudicado. A luz amarela está acesa", afirmou Margorete Demarchi, agrônoma do Deral (Departamento de Economia Rural), do governo do Paraná.

Dados do Deral apontam uma produtividade média para o Estado de 4.353 quilos por hectare, contra um potencial inicial de 4.422 kg/ha e ante 4.996 kg/ha da boa temporada passada.

A agrônoma lembrou que a maior parte das lavouras do Paraná está em fases de floração e frutificação, etapas em que chuvas são fundamentais para o desenvolvimento da cultura.

Importantes regiões produtoras do Estado como a de Cascavel, no oeste, não registram chuvas há aproximadamente 30 dias. Além da estiagem, as baixas temperaturas retardam o desenvolvimento do milho. As geadas, embora tenham sido fracas na última madrugada, também são fator de risco para o milho.

"A preocupação agora é com o Estado do Paraná. O risco de estiagem que assombrou os produtores rurais durante o verão vem se tornando uma ameaça cada vez mais real para a safra de inverno", afirmou a consultoria Clarivi, em relatório nesta segunda-feira. "O volume de chuvas no mês está bem abaixo do necessário...", completou.

A Céleres tem avaliação semelhante. "As perdas no (Brasil) já começam a ser observadas, porém, ainda sem uma definição de quanto poderá ser perdido por conta da falta de umidade", reforçou a consultoria.

A situação no Paraná só não representaria um problema pior para a oferta de milho do Brasil porque o Estado plantou uma área recorde na segunda safra do cereal, de 1,7 milhão de hectares, crescimento de 25 por cento ante o ano anterior.

MATO GROSSO

Em Mato Grosso, onde a área caiu 10 por cento na comparação ao ano passado, para 1,7 milhão de hectares, segundo o Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária), a colheita pode ser ainda menor do que a esperada, pois produtores já sofrem com a seca há mais tempo.

Por ora, o Imea estima uma produtividade média de 4.317 kg/ha, mas a colheita deve apontar um rendimento menor.

"Vai ter perda um pouco maior que a esperada", afirmou o superintendente do Imea, Otávio Celidonio.

O Imea deverá atualizar a sua previsão na próxima semana.

A consultoria Clarivi tem também uma avaliação pessimista em relação ao Mato Grosso. "A falta de chuvas já afetou a produção do milho safrinha. O desenvolvimento das lavouras foi prejudicado e agora existe uma possibilidade de redução de até 40 por cento na produção de milho inverno..."

Com o atraso na colheita da soja, boa parte dos produtores de Mato Grosso arriscou e plantou o cereal fora do período ideal, após 25 de fevereiro, o que explica também o fato de as lavouras sofrerem agora com períodos de estiagem normais para esta época no Estado, lembrou Celidonio, destacando que aqueles produtores que conseguiram plantar o milho precocemente sofrerão menos o efeito da seca.

 

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Fonte:
Reuters

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