Mudanças climáticas podem agravar incidência de doenças no milho

Publicado em 06/07/2011 16:34 548 exibições
Maior incidência de doenças provocadas na cultura do milho por um agente específico, a cigarrinha Dalbulus maidis. Esse é o principal prognóstico obtido até o momento por pesquisadores envolvidos no projeto “Impactos das mudanças climáticas globais sobre problemas fitossanitários” ou “Climapest”, financiado com recursos do Sistema Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) de Gestão, na carteira de projetos do Macroprograma 1 – Grandes Desafios Nacionais.

Iniciados em janeiro de 2009, os estudos indicam previsão de aumento dos enfezamentos, doenças causadas por microrganismos denominados molicutes e transmitidos por essa cigarrinha, em regiões onde a temperatura média deverá ser mais alta, a exemplo da região Centro-Oeste brasileira. Quando a incidência de enfezamentos é alta, os prejuízos também são severos, podendo haver perda total da produção.

Esses prognósticos vêm sendo feitos com base nos mapas para o clima no futuro divulgados pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) e nas condições que conhecidamente favorecem cada doença do milho. Segundo a pesquisadora da Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG) Elizabeth de Oliveira Sabato, é possível que as condições da temperatura ambiente sejam um dos principais fatores determinantes da predominância de fitoplasma ou de espiroplasma sob condições de campo.

O fitoplasma é causador do enfezamento vermelho na cultura do milho, enquanto o espiroplasma provoca o enfezamento pálido. Pertencentes à classe Mollicutes, são disseminados pela cigarrinha Dalbulus maidis e a infecção das plantas por esses molicutes causa danos na fisiologia, na nutrição, no desenvolvimento e na produção do milho. Segundo a pesquisadora, o fitoplasma necessita de temperaturas mais elevadas para sua multiplicação em relação ao espiroplasma, daí a projeção de maior incidência para o enfezamento vermelho.

“Pode-se prever, com base nesses resultados, que os aumentos da temperatura ambiente, previstos para as mudanças climáticas nos anos futuros, poderão proporcionar condições ambientais mais favoráveis aos danos pelo enfezamento causado por fitoplasma na cultura do milho”, explica Elizabeth Oliveira. Os enfezamentos, segundo ela, afetam a fisiologia e a nutrição das plantas de milho.

Podem também causar redução no crescimento das espigas e dos grãos e ainda prejudicar a formação de grãos na espiga, ou o enchimento dos grãos, que ficam chochos. Algumas plantas se tornam totalmente improdutivas. As plantas infectadas secam precocemente e essas doenças são tanto mais favorecidas quanto mais elevadas as temperaturas forem, sempre em detrimento do desenvolvimento e da produção das plantas.

Efeitos sobre as pragas também vêm sendo estudados

Ivan Cruz, também pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo, coordena os estudos relacionados à temperatura. Ele explica que os trabalhos vêm sendo desenvolvidos em câmaras de crescimento de plantas utilizando níveis de temperatura determinados com base nos prognósticos divulgados pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas).

Segundo Cruz, as atividades coordenadas pela Embrapa Milho e Sorgo têm como objetivos, além de avaliar os impactos do aumento da temperatura e seus reflexos na incidência de doenças na cultura do milho, a avaliação dos impactos do aumento da concentração do CO2 atmosférico sobre pragas (entre elas a lagarta-do-cartucho, a broca-da-cana e o pulgão-do-milho) e seus principais inimigos naturais (entre parasitoides de ovos e predadores), além de avaliar a fisiologia de plantas de milho sadias, doentes e infestadas por insetos-praga e os impactos da concentração do CO2 atmosférico sobre plantas invasoras na cultura do cereal, como o capim marmelada, o capim carrapicho e o juá de capote.

O projeto Climapest é liderado pela Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna-SP) e tem a participação de 37 instituições, sendo 16 Unidades da Embrapa e 21 entidades parceiras, entre universidades, institutos de pesquisa e empresas privadas. O estudo foi selecionado entre os melhores projetos da Embrapa em 2009 e premiado em quinto lugar na categoria “Criatividade”.

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Embrapa Milho e Sorgo

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