Preço alto estimula as vendas antecipadas de milho no país

Publicado em 06/09/2011 08:34 468 exibições
A forte valorização dos preços do milho no mercado internacional - diante da perspectiva de quebra da safra americana - estimula as vendas antecipadas do produto brasileiro, inclusive para o mercado externo. Já há contratos de exportação fechados, para entrega em agosto do ano que vem, de milho de Mato Grosso que será plantado na safrinha 2011/12, ou seja, a partir de janeiro e fevereiro.

Isso é inédito na história da comercialização do produto no país, segundo Sílvio Farnese, coordenador geral de fibras e oleaginosas da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura. Em 12 meses, o contrato de segunda posição do milho subiu 69,83% na bolsa de Chicago, conforme o Valor Data. Os contratos de exportação antecipados, para entrega em agosto do ano que vem, foram negociados a R$ 15,00 FOB. "Nunca antes se vendeu milho com tanta antecedência", afirma Farnese.

O superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola (Imea), Otávio Celidonio, diz que a comercialização antecipada é "muito rara" no caso do milho. "A antecipação foi estimulada pelos preços altos", afirma. Segundo ele, a estimativa é de que um terço da safrinha 2011/12 de milho de Mato Grosso, projetada em 8,9 milhões de toneladas, já tenha sido comercializada. Algo também inédito. A fatia é semelhante à estimada para a comercialização antecipada de soja no Estado.

De fato, os patamares de preço do milho mudaram de um ano para cá em Mato Grosso, por conta da quebra da safrinha de milho passada, a 2010/11. A saca, que está hoje em R$ 20,80 em Rondonópolis (MT), estava em R$ 11 há um ano, de acordo com o Imea.

Além da perspectiva de quebra da safra dos EUA, os estoques baixos de milho e a demanda internacional explicam a antecipação das vendas, afirma Celidonio. Anderson Galvão, da consultoria Céleres, avalia que o mercado está com "receio muito grande" em relação à disponibilidade de milho este ano. "Há quem diga que o USDA [Departamento de Agricultura dos EUA] vai reduzir ainda mais a estimativa para a safra de milho do país no relatório de setembro". Em agosto, o USDA reduziu para 328 milhões de toneladas a previsão. A primeira estimativa indicava 343 milhões de toneladas.

Para Farnese, quanto mais venda antecipada houver, mas positivo para a cadeia produtiva do milho. "É um incentivo para o plantio", afirma. Segundo ele, a expectativa é que a produção brasileira de milho na safra 2011/12 chegue perto de 60 milhões de toneladas, considerando o plantio de verão e o de inverno. Na 2010/2011, ficou em 56,34 milhões de toneladas.

A valorização do milho no mercado internacional também se reflete nos números das exportações brasileiras do produto. De janeiro a agosto, o país embarcou 4,593 milhões de toneladas, alta de 29,45% sobre os 3,548 milhões de igual período de 2010. A receita cresceu muito mais, 85,3%, de US$ 678,1 milhões para US$ 1,269 bilhão, segundo dados da Secex. Os principais importadores são Irã, Espanha, Coreia e Indonésia.

Só em agosto, o país embarcou 1,5 milhão de toneladas de milho, ou 25% mais do que no mesmo mês de 2010. Conforme Galvão, o salto em agosto aconteceu depois de dois meses de embarques muito baixos. "No fim de junho, o milho caiu após picos de alta, o que levou os compradores a travarem posições", explica. Esse produto foi embarcado em agosto.

A estimativa do governo é de que o Brasil exporte entre 8,5 milhões e 9 milhões de toneladas de milho este ano. Em 2010, quando o governo deu apoio às exportações, foram 10,8 milhões.

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Fonte:
Valor Econômico

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