Opep+ ignora crise na Ucrânia e confirma aumento modesto na produção

Publicado em 02/03/2022 12:35

Por Maha El Dahan e Ahmad Ghaddar e Alex Lawler

(Reuters) - Os produtores de petróleo da Opep+ decidiram nesta quarta-feira manter os planos de aumento modesto na produção de petróleo em abril, ignorando a crise da Ucrânia durante as conversações e também apelos de consumidores por mais óleo à medida que os preços disparam.

O petróleo subiu acima de 110 dólares o barril nesta semana, o maior patamar em quase oito anos, à medida que as sanções ocidentais contra a Rússia se intensificaram devido à invasão da Ucrânia e interromperam o fornecimento do segundo maior exportador de petróleo do mundo.

Por volta das 12h (horário de Brasília), Brent subia 6%, operando acima de 111 dólares o barril.

As medidas ocidentais também afetaram muitos compradores de petróleo russo e causaram problemas para as exportações do Cazaquistão, outro membro da Opep+, grupo que inclui a Organização dos Países Exportadores de Petróleo, a Rússia e produtores de petróleo aliados.

A Opep+ tem aumentado a produção em 400.000 barris por dia (bpd) a cada mês desde agosto, à medida que desfaz os cortes realizados quando a pandemia reduziu a demanda.

Eles resistiram aos pedidos dos Estados Unidos e de outros consumidores por mais oferta.

Em um comunicado após a reunião de quarta-feira que anunciou a decisão de manter os planos existentes, o grupo não fez menção à crise na Ucrânia, referindo-se apenas a "desenvolvimentos geopolíticos" que estavam perturbando o mercado.

"Os fundamentos atuais do mercado de petróleo e o consenso sobre suas perspectivas apontavam para um mercado bem equilibrado e que a volatilidade atual não é causada por mudanças nos fundamentos do mercado, mas por desenvolvimentos geopolíticos atuais", disse o comunicado da Opep+.

Após as conversas de quarta-feira, que duraram menos de um quarto de hora e a reunião mais curta já registrada, uma fonte disse: "Não houve sequer uma palavra pronunciada sobre a questão da Ucrânia".

Fonte: Reuters

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