Governo decide trocar presidente da Petrobras e indica Adriano Pires

Publicado em 29/03/2022 08:15

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O governo federal indicou nesta segunda-feira Adriano Pires para a presidência-executiva da Petrobras, no lugar do general da reserva Joaquim Silva e Luna, após críticas do presidente Jair Bolsonaro sobre alta nos preços de combustíveis.

Pires, doutor em Economia e diretor-fundador do Centro Brasileiro de InfraEstrutura (CBIE), é defensor histórico da paridade de preços da Petrobras em relação às cotações internacionais, e já defendeu a privatização da companhia.

A apresentação da nova chapa para o conselho foi divulgada em nota pelo Ministério de Minas e Energia (MME). Mais cedo, fontes haviam afirmado à Reuters que o nome de Luna não estaria na lista de indicados, sem detalhar que o citado para a presidência seria Pires.

A relação de nomes ainda apresentou Rodolfo Landim para presidir o conselho. Os demais membros indicados são: Sônia Villalobos, Luiz Henrique Caroli, Ruy Schneider, Márcio Weber, Eduardo Karrer e Carlos Eduardo Lessa Brandão

A Petrobras confirmou em fato relevante na noite desta segunda-feira que recebeu ofício do ministério com duas substituições nas indicações para a eleição do conselho.

No comunicado, a companhia reafirmou as informações citadas pelo MME, dentre as quais ressaltando que Pires atuou como assessor do diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (2001), e exerceu os cargos de Superintendente de Abastecimento(dez/1998-ago/1999) e Superintendente de Importação e Exportação de Petróleo, seus Derivados e Gás Natural da agência.

A assembleia de acionistas para renovar o conselho está agendada para 13 de abril.

A exclusão do nome de Luna da lista indica que ele deve deixar o comando da Petrobras, segundo as fontes, que falaram na condição de anonimato.

A saída do general da reserva ocorre após Bolsonaro ter criticado a alta de cerca de 25% no preço do diesel anunciada pela Petrobras no início do mês, quando também reajustou o valor da gasolina em quase 19%, na esteira da alta do petróleo no mercado internacional.

Questionado em meados deste mês, Bolsonaro afirmou que existia a "possibilidade" de substituição de Luna.

Caso a saída seja efetivada, será o segundo presidente da Petrobras a deixar a companhia devido a rusgas envolvendo preços de combustíveis. Em 2021, o então presidente da estatal Roberto Castello Branco saiu em condições semelhantes.

"Embora a decisão seja igual à tomada um ano atrás, quando o governo decidiu não reconduzir Castello Branco e indicar o General Silva e Luna à presidência da Petrobras, os desdobramentos do fato para as ações hoje se deram de forma bem mais contida", disse a corretora Ativa.

As ações preferenciais da Petrobras chegaram atingir uma mínima de 30,98 reais após a notícia, mas reduziam perdas e fecharam em baixa de 2,2%, a 31,60 reais.

"Isto acontece pela hora na qual a notícia foi divulgada e pelo mercado já trabalhar há semanas com a possibilidade de a mudança ser executada", acrescentou a Ativa.

Na gestão Luna, a Petrobras seguiu a política de paridade de preços, mas evitando repassar aumentos do mercado de petróleo imediatamente. No início do mês, após um salto nas cotações devido à guerra na Ucrânia, a companhia efetivou o reajuste argumentando que isso era necessário para o abastecimento do país, que depende de importações de combustíveis.

A informação de que Bolsonaro decidiu tirar Luna da presidência da estatal foi publicada antes pela edição online da revista Veja, que citou o especialista do setor de energia Adriano Pires como nome mais forte para substituir Luna.

"Pires é reconhecido pelo mercado como uma indicação que não romperia com as transformações operacionais e financeiras que vêm sendo executadas na companhia desde a metade da década passada", opinou a Ativa.

(Reportagem adicional de Roberto Samora, André Romani e Nayara Figueiredo)

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Petróleo despenca 11% após Trump prever fim rápido para guerra com Irã
Casa Branca diz que preços do petróleo cairão quando objetivos de segurança nacional forem alcançados no Irã
Altas no diesel são injustificáveis, abusivas e colocam agronegócio brasileiro em alerta, dizem entidades do setor
Petróleo cai após previsão de Trump sobre fim da guerra no Oriente Médio
EUA consideram vender petróleo da reserva estratégica, diz secretário de Energia
Preços do petróleo saltam 7% com guerra do Irã e atingem máxima desde 2022