Petróleo do Oriente Médio se torna o mais caro do mundo conforme guerra corta fornecimento

Publicado em 17/03/2026 09:02 e atualizado em 17/03/2026 11:07

Por Florence Tan e Siyi Liu e Nidhi Verma

CINGAPURA/NOVA DELHI, 16 Mar (Reuters) - Os índices de referência do petróleo bruto do Oriente Médio atingiram recordes históricos, tornando-se os mais caros do mundo, mesmo com a queda da comercialização devido à guerra no Irã e alguns traders argumentando que os "benchmarks" perderam relevância devido às interrupções do fornecimento.

O aumento nos índices de referência, usados para precificar milhões de barris de petróleo bruto do Oriente Médio destinados à Ásia, está aumentando custos para as refinarias asiáticas, forçando-as a buscar alternativas ou a reduzir ainda mais a produção nos próximos meses.

O Dubai à vista foi avaliado em um recorde de US$157,66 por barril na terça-feira para cargas de carregamento de maio, informou a S&P Global Platts, superando o recorde histórico dos futuros do Brent de US$147,50 em 2008.

Isso elevou o prêmio de Dubai para swaps a US$60,82 por barril na segunda-feira, contra uma média de 90 centavos em fevereiro, segundo dados da Reuters.

Da mesma forma, os futuros do petróleo bruto de Omã atingiram um recorde de US$152,58 por barril, elevando seu prêmio para os swaps de Dubai a US$55,74 por barril, em comparação com apenas 75 centavos em média em fevereiro.

Os preços de Dubai estão distorcidos devido à grande diferença de preço em relação aos futuros de Murban, que se estabeleceram em US$114,03 por barril na terça-feira, segundo três fontes comerciais.

As exportações de petróleo bruto do Oriente Médio para a Ásia caíram para 11,665 milhões de barris por dia (bpd) em março, de quase 19 milhões de bpd em fevereiro, e reduziram aproximadamente 32% em relação aos níveis de março de 2025, já que a guerra interrompeu o transporte pelo Estreito de Ormuz, mostraram dados da empresa de análise Kpler.

Várias refinarias asiáticas reduziram suas taxas operacionais.

OFERTA REDUZIDA

Algumas fontes do setor de refino atribuíram a alta de preços à redução da oferta disponível para entrega durante o processo do Platts Market on Close, depois que a agência retirou três tipos de petróleo bruto que transitam pelo estreito.

Uma das fontes disse que a precificação foi injusta porque os tipos restantes -- Omã e Murban -- não são representativos da referência usada para precificar os barris do Oriente Médio e também alguns barris russos.

Outra fonte do setor de refino disse que o comércio de petróleo bruto do Oriente Médio para carregamento em maio foi paralisado porque as referências de Dubai e Omã estão desajustadas. As fontes não quiseram ser identificadas, pois falaram sob condição de anonimato.

"O Platts Dubai continua a refletir o valor da comercialização de petróleo azedo do Oriente Médio no mercado spot", disse um porta-voz da S&P Global Energy em um email, acrescentando que a atividade durante o Platts MOC foi robusta este mês, com várias cargas entregues.

No entanto, traders disseram que a TotalEnergies tem sido a principal compradora a receber cargas na janela da Platts. A empresa francesa adquiriu 42 cargas de petróleo bruto de Omã e Murban, ou 21 milhões de barris, este mês, segundo dados comerciais. A TotalEnergies não quis comentar.

A Platts disse na segunda-feira que está buscando feedback imediato sobre a capacidade de entrega do petróleo do Oriente Médio e sobre a metodologia de referência do petróleo de Dubai da Platts.

ÁFRICA E AMÉRICAS EM BUSCA DE SUPRIMENTO ALTERNATIVO

Os prêmios spot para o petróleo das Américas e da África aumentaram à medida que as refinarias asiáticas correm para garantir fornecimento.

Dois traders disseram que os prêmios do petróleo spot brasileiro atingiram recordes de US$12 a US$15 por barril em relação ao Brent datado.

Os prêmios para o petróleo bruto da África Ocidental de carregamento em abril, em uma base free-on-board, subiram cerca de US$1 por barril em relação ao mês anterior, com a maioria das cargas vendidas, disse um dos traders.

(Reportagem de Florence Tan e Siyi Liu em Cingapura, Nidhi Verma em Nova Délhi; reportagem adicional de Chen Aizhu)

Fonte: Reuters

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