Emirados Árabes Unidos deixam Opep e Opep+ em  grande golpe para grupo global de produtores de petróleo

Publicado em 28/04/2026 10:53 e atualizado em 28/04/2026 14:49

 

Por Maha El Dahan

DUBAI, 28 Abr (Reuters) - Os Emirados Árabes Unidos afirmaram nesta terça-feira que estão deixando a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e a Opep+, desferindo um duro golpe nos grupos exportadores de petróleo e em seu líder de fato, a Arábia Saudita, em um momento em que a guerra do Irã causou um choque energético histórico e perturbou a economia global.

A saída dos Emirados Árabes Unidos, um membro de longa data da Opep, pode criar desordem e enfraquecer o grupo, que geralmente procura mostrar uma frente unida, apesar das divergências internas sobre uma série de questões, desde a geopolítica até as cotas de produção.

O ministro de Energia dos Emirados Árabes Unidos, Suhail Mohamed al-Mazrouei, disse à Reuters que a decisão foi tomada após uma análise cuidadosa das estratégias de energia da potência regional.

Perguntado se os Emirados Árabes Unidos consultaram a Arábia Saudita, ele disse que os Emirados Árabes Unidos não levantaram a questão com nenhum outro país.

"Essa é uma decisão política, que foi tomada após uma análise cuidadosa das políticas atuais e futuras relacionadas ao nível de produção", disse o ministro.

Os produtores do Golfo Pérsico da Opep já vêm enfrentando dificuldades para enviar suas exportações pelo Estreito de Ormuz, um ponto de estrangulamento entre o Irã e Omã pelo qual normalmente passa um quinto do petróleo bruto e do gás natural liquefeito do mundo, devido a ameaças e ataques iranianos contra embarcações.

Mazrouei disse que a mudança não teria um grande impacto no mercado devido à situação no estreito.

No entanto, a saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep representa uma vitória para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que acusou a organização de "roubar o resto do mundo" ao inflacionar os preços do petróleo.

Trump também relacionou o apoio militar dos EUA ao Golfo com os preços do petróleo, dizendo que, embora os EUA defendam os membros da Opep, eles "exploram isso impondo altos preços do petróleo".

A medida foi tomada depois que os Emirados Árabes Unidos, um centro de negócios regional e um dos mais importantes aliados de Washington, criticaram os outros Estados árabes por não terem feito o suficiente para protegê-lo dos inúmeros ataques iranianos durante a guerra.

Anwar Gargash, conselheiro diplomático do presidente dos Emirados Árabes Unidos, criticou a resposta árabe e do Golfo Pérsico aos ataques iranianos em uma sessão do Fórum de Influenciadores do Golfo na segunda-feira.

"Os países do Conselho de Cooperação do Golfo se apoiaram logisticamente, mas, política e militarmente, acho que sua posição tem sido a mais fraca historicamente", disse Gargash.

"Eu esperava essa postura fraca da Liga Árabe e não estou surpreso com isso, mas não esperava isso do Conselho de Cooperação (do Golfo) e estou surpreso com isso", disse ele.

(Reportagem adicional de Nayera Abdallah)

Fonte: Reuters

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