Petróleo avança com novas sanções dos EUA e tensão no Oriente Médio
Nesta manhã (12), o Brent opera em USD 107,5/bbl (+3,2%), sustentado pelo impasse que se aprofunda e pelas novas sanções norte-americanas a indivíduos e empresas que facilitam exportações de petróleo iraniano para a China. O mercado pondera entre o risco de uma escalada militar no Oriente Médio e as expectativas de que a cúpula Trump-Xi, programada para essa semana, possa abrir uma nova janela diplomática.
Trump eleva o tom e o impasse diplomático se aprofunda
A deterioração do cenário diplomático ganhou velocidade ao longo da sessão passada. Após rejeitar a contraproposta iraniana no domingo, Trump declarou que o cessar-fogo entre Washington e Teerã estava “por um fio”, sinalizando risco real de ruptura formal do armistício vigente desde o início de abril.
Por que isso importa: A subida de tom pela Casa Branca volta a representar um risco não só para a estagnação das tratativas diplomáticas entre EUA e Irã, como também a possibilidade de uma suspensão do acordo de cessar-fogo entre as partes, que resultaria em uma reescalada importante do conflito no Oriente Médio – influenciando positivamente os preços do petróleo nesse início de sessão.
• Na noite de ontem (11), o Pentágono divulgou a localização de um submarino nuclear em Gibraltar, com o mercado interpretando essa informação como um recado à Teerã de que Washington irá pressionar cada vez mais para que o país ceda aos termos de paz propostos pela Casa Branca.
• Paralelo a isso, o mercado físico segue extremamente fragilizado, com pesquisas apontando que a produção da OPEP 12 atingiu em abril o menor valor em mais de vinte anos, chegando a um volume próximo a 20 milhões de barris por dia (mbpd). Vale destacar que, antes do conflito, a oferta do grupo era de 28,6 mbpd.
O que esperar: O suporte às cotações do petróleo deve se manter enquanto as negociações diplomáticas seguirem estagnadas, com os investidores precificando uma possível extensão da disrupção de oferta causada pelo bloqueio no Estreito de Ormuz.
• Paralelo a isso, as atenções do mercado ao longo dos próximos dias devem se dirigir principalmente aos possíveis desdobramentos da cúpula entre Trump e Xi Jinping, com o tema do conflito no Oriente Médio sendo o principal ponto de discussão entre os presidentes dos EUA e da China.
• Um eventual alinhamento de que o fim da guerra é necessário pode resultar em uma maior pressão pelo país asiático para que Teerã volte aos canais diplomáticos, o que resultaria em pressões baixistas aos preços das commodities energéticas. O cenário contrário, por outro lado, permitira a sustentação dos futuros do petróleo a novos patamares, podendo romper novamente a faixa dos USD 110 bbl.