Royal Rural: Contradição entre EUA e Irã reduz alívio e petróleo devolve queda
Por Pedro Gomes
O petróleo voltou a ganhar sustentação nesta manhã porque o mercado começou a enxergar mais ruído nas negociações entre Estados Unidos e Irã.
Mais cedo, o Brent trabalhava mais fraco, ainda refletindo a possibilidade de um memorando de entendimento para reabrir o Estreito de Ormuz e estender a trégua por mais 60 dias. Esse cenário vinha ajudando o petróleo a trabalhar abaixo de US$ 90 por barril.
Só que o alívio perdeu força depois de novas declarações dos dois lados.
A mídia iraniana ligada à Guarda Revolucionária negou que um acordo final esteja pronto para ser assinado no domingo, em Genebra. A leitura divulgada por essa ala é que ainda não existe conclusão interna no Irã, e que falar em assinatura imediata seria uma tentativa de pressão psicológica.
Esse ponto é importante: o mercado vinha trabalhando com avanço nas negociações, mas passou a olhar também para a dificuldade de aprovação política dentro do próprio Irã.
Ao mesmo tempo, Trump também endureceu o tom. Em publicação na Truth Social, ele afirmou que os termos vazados pelo lado iraniano não correspondem ao acordo escrito. Também criticou a postura de negociação de Teerã, questionou se o Irã está negociando de boa-fé e classificou como totalmente inaceitável o suposto ataque com drones contra navios indianos que deixavam o Estreito de Ormuz.
A contradição ficou clara.
De um lado, Trump vem dizendo que o acordo está perto. Um levantamento da CNN apontou que Trump já afirmou ao menos 39 vezes que um acordo com o Irã estava próximo. Do outro lado, veículos ligados ao regime iraniano negam que exista uma assinatura fechada e indicam que ainda há resistência interna sobre os termos.