Petróleo Brent volta a superar US$ 110 com tensões entre Irã e EUA e riscos ao abastecimento

Publicado em 21/10/2026 09:11
Ataques a embarcações e redução dos estoques americanos reforçam valorização; referência internacional chegou a US$ 111 na manhã desta quarta-feira

Os preços internacionais do petróleo voltaram a superar os US$ 110 por barril nesta quarta-feira (21), em meio ao agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio e à redução das expectativas de avanço diplomático entre Irã e Estados Unidos. O mercado também acompanha os riscos ao transporte marítimo de petróleo na região do Golfo e novos sinais de diminuição dos estoques americanos.

Segundo informações da Reuters, os contratos futuros do petróleo Brent chegaram a avançar US$ 2,06, ou 1,9%, alcançando US$ 110,85 por barril durante a manhã. O petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência americana, também registrou valorização de 2,2%, negociado a US$ 99,95 por barril. Posteriormente, o Brent moderou os ganhos, sendo cotado a US$ 109,25, com alta de 0,42%, na atualização acompanhada pelo Notícias Agrícolas.

A recuperação ocorre após uma terça-feira de forte volatilidade, quando o Brent alcançou seu maior patamar em aproximadamente cinco meses, mas perdeu força diante de informações sobre possíveis esforços de mediação diplomática envolvendo o Irã e o Paquistão. Nesta quarta-feira, novas declarações de autoridades iranianas reduziram as perspectivas de entendimento com Washington, reacendendo preocupações com a continuidade do conflito e seus possíveis impactos sobre a oferta mundial de energia.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que o país está preparado para se defender, enquanto o presidente Masoud Pezeshkian declarou que os Estados Unidos não podem esperar negociações enquanto mantiverem bloqueios e ameaças contra Teerã.

Riscos ao transporte e estoques americanos sustentam mercado

Além das dificuldades diplomáticas, os investidores acompanham os ataques contra instalações energéticas e embarcações que transportam petróleo na região do Golfo.

Segundo levantamento da empresa de análise Kpler, citado pela Reuters, pelo menos 18 embarcações foram atacadas nas últimas duas semanas. Analistas da LSEG também alertaram para riscos ao transporte de petróleo no Golfo de Omã, ampliando as preocupações para além do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de escoamento de energia do mundo.

Os houthis, grupo alinhado ao Irã no Iêmen, também reivindicaram ataques realizados nesta semana contra instalações energéticas e outros alvos na Arábia Saudita, contribuindo para a percepção de risco sobre o abastecimento internacional.

Nos Estados Unidos, dados preliminares do Instituto Americano de Petróleo (API) apontaram redução de 4,9 milhões de barris nos estoques de petróleo durante a semana encerrada em 16 de outubro. As reservas de gasolina e destilados também apresentaram quedas, segundo fontes de mercado ouvidas pela Reuters.

Os investidores aguardam a divulgação dos números oficiais da Administração de Informações sobre Energia dos Estados Unidos (EIA), que poderão oferecer uma avaliação mais completa das condições de oferta e demanda no país.

Para o agronegócio, a manutenção do petróleo em patamares elevados amplia a atenção sobre os custos de diesel e transporte, além das possíveis repercussões sobre fertilizantes e biocombustíveis. Esses efeitos, entretanto, dependem da duração da alta internacional, das condições de abastecimento e da dinâmica de formação dos preços no Brasil.

Fonte: Notícias Agrícolas

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