Petróleo Brent supera US$ 114 e atinge maior nível desde maio com escalada de ataques no Oriente Médio
Os preços internacionais do petróleo voltaram a subir nesta sexta-feira (23), ampliando a valorização registrada no pregão anterior diante do agravamento das tensões no Oriente Médio. O Brent superou os US$ 114 por barril e atingiu seu maior patamar desde maio, enquanto os investidores acompanham novos ataques contra a Arábia Saudita e os riscos de interrupções na produção e no transporte de petróleo da região.
Na atualização acompanhada pelo Notícias Agrícolas nesta manhã, o Brent era negociado a US$ 114,70 por barril, com valorização de 1,35%. Segundo a Reuters, a referência internacional chegou a alcançar US$ 114,72 durante a sessão, depois de encerrar a quinta-feira a US$ 113,17, com alta de aproximadamente 4%. O petróleo americano West Texas Intermediate (WTI) também avançava, chegando a superar os US$ 101 por barril.
A valorização ocorre em meio à intensificação dos ataques dos houthis, grupo do Iêmen alinhado ao Irã, contra alvos na Arábia Saudita, um dos maiores exportadores mundiais de petróleo. O agravamento da situação levou a Saudi Aramco a determinar a retirada de funcionários de sua sede em Dhahran, próxima ao Bahrein, ampliando as preocupações dos operadores com a segurança da infraestrutura energética do país.
Além das instalações petrolíferas, o mercado acompanha os riscos às rotas marítimas do Oriente Médio. Os confrontos envolvendo os houthis e forças apoiadas pela Arábia Saudita aumentaram as preocupações com a segurança da região de Bab el-Mandeb, passagem estratégica que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e integra importantes rotas internacionais de transporte de petróleo.
As incertezas sobre o abastecimento também foram reforçadas por problemas na Líbia. Segundo a Reuters, o fechamento de uma válvula em um oleoduto utilizado no transporte de petróleo dos campos de Hamada e Tahara até o porto de Zawiya provocou redução da produção nas duas áreas.
Para o agronegócio brasileiro, a manutenção das cotações internacionais em níveis elevados amplia a atenção sobre possíveis reflexos nos custos de combustíveis, especialmente do diesel utilizado nas operações agrícolas e no transporte de cargas. A duração do movimento e seus efeitos sobre os preços domésticos dependerão, entretanto, das condições de abastecimento, do câmbio e da política de preços dos combustíveis no país.
Com o Brent em seu maior nível desde maio, o mercado segue atento à evolução dos conflitos e à possibilidade de novas interrupções na oferta internacional de energia.