Estatal chinesa Cofco estaria tentando garantir segurança alimentar na China com a aquisição da Noble, afirma site chinês SCMP

Publicado em 05/03/2014 16:05 e atualizado em 10/03/2020 17:03 2488 exibições
A Cofco também estaria buscando criar uma rede para comercializar produtos industrializados na China, como vinho, chocolate e óleos de cozinha

As negociações da estatal chinesa Cofco para aquisição do Grupo Noble sinaliza o esforço chinês para garantir a segurança alimentar do país, segundo o site chinês South China Morning Post. A Cofco é hoje a maior trading de grãos da China e o acordo significa a possibilidade de desenvolver uma importante fonte de abastecimento de grãos no país. O acordo está avaliado em US$ 1 bilhão,      

Algumas fontes do mercado afirmam que os representantes da estatal chinesa já estavam sondando a unidade da Noble, na semana passada, quando a Cofco fechou um acordo para a aquisição de 51% da trading holandesa Nidera. Estas fontes afirmam que o estágio das negociações ainda não está claro e que existe uma possibilidade de que a compra não se materialize. 

Representantes da Noble afirmaram que estavam envolvidos em discussões com um consórcio sobre uma potencial joint venture em torno de seu negócio de agricultura, mas que ainda não haviam fechado acordos vinculativos. Na ocasião, a Cofco não foi identificada como participante no consórcio.

COFCO já diversificou suas atividades e começou a realizar esmagamento de soja e criação de suínos. Nos últimos anos, ela também expandiu seus produtos alimentares da marca e criou uma plataforma online para vender os alimentos industrializados, como a sua marca de vinho “Great Wall”, ou seja, “a grande muralha”, além de chocolate e óleos de cozinha.

O que representaria a compra
As aquisições da Cofco vêm após de esforços para a consolidação global da estatal no setor de agronegócio – o que inclui negócios com empresas japonesas para livrar-se de rivais. 

A compra da Nidera pela Cofco foi a primeira grande aquisição internacional da estatal e indica a ambição chinesa de criar uma empresa de comércio global na linha de gigantes do Japão, Europa e Estados Unidos.                               

No ano passado, a comercializadora japonesa Marubeni concordou em pagar US$ 5,6 bilhões pela trader norte-americana Gavilon. Enquanto isso, a anglo-suíça Glencore comprou a Viterra, maior comercializadora de grãos do Canadá, por US$ 6 bilhões, em 2012. 

“A Noble já tem tentado vender seu setor de agronegócio por algum tempo, mas ainda não temos certeza de que a Cofco irá fechar o acordo”, informou um analista baseado na Austrália. 

Sobre a Noble
A Noble tem participação de 14% da Invesment Corp. da China e comercializa açúcar, café e matérias-primas como minério de ferro, segundo o site  

Sua divisão agrícola é a menor do grupo e gerou uma renda de US$ 15,5 bilhões no ultimo ano fiscal, o que representa apenas 16% do total gerado.    

O lucro líquido da Noble caiu 48% no último ano fiscal, depois que seus negócios no setor agrícola levaram a um prejuízo operacional. No entanto, o desempenho da unidade melhorou em relação ao ano passado.

A empresa é uma das maiores comercializadoras de grãos na Ásia, ao lado da Olam International Ltd e Wilmar International Ltd. Ela representa uma importante concorrência para as gigantes ADM (Archer Daniels Midland), Bunge, Cargill e Louis Dreyfus, que dominam os fluxos de grãos.

As operações da Noble com oleaginosas tem foco na América do Sul, Europa e Ásia. O grupo opera três fábricas processadoras de oleaginosas na Ásia e fornece grãos, oleaginosas, óleo vegetal e seus sub-produtos na região de Singapura. 

Segurança alimentar 
A China está buscando novas fontes de fornecimento para garantir a segurança alimentar e atender a crescente demanda por produtos ricos em proteína.

Questionados sobre suas intenções na aquisição de outras empresas, representantes da Cofco informaram que a estratégia da estatal é aumentar suas fontes de fornecimento em todo o mundo para garantir o abastecimento de alimentos, além de focar em empresas que têm uma rede consolidada para ajudar na exportação de produtos processados.   

Estratégia da Cofco
A aquisição de 51% da holandesa Nidera, pela Cofco dá à estatal acesso direto aos grãos na América do Sul. “A segurança alimentar é a prioridade número um para a China e veremos a Cofco buscando novas aquisições”, afirmou uma fonte relacionada à estatal. 

“Os chineses estão bem conscientes de que têm um problema da cadeia de suprimentos", disse Charles Sernatinger, chefe de grãos na ED & F Man Capital Markets. "Eles vão ser importadores de grandes quantidades de commodities agrícolas em um futuro próximo".

Informações: South China Morning Post e Farmlandgrab

Tradução: Fernanda Bellei

Veja mais informações abaixo: 

Depois da Nidera, chinesa COFCO negocia compra da unidade de agronegócios da Noble
 

Fonte:
Notícias Agrícolas

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3 comentários

  • Geovani Salvetti Ubiratã - PR

    É bom q compre milho pra q suba,porque nesse preço e com insumos,mão de obra e maquinarios caros,fica inviavel plantar...É plantar e sugar a terra para diminuir a produção da soja ainda,esse é o lucro!!!

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  • carlo meloni sao paulo - SP

    O PREÇO DO MILHO SEMPRE FOI UM PROBLEMA PARA OS

    PRODUTORES BRASILEIROS, COM VARIAÇOES MUITO SUPERIORES AOS DEMAIS MERCADOS USA/EUROPA. NOS ULTIMOS ANOS GRAÇAS A UM POUCO DE EXPORTAÇAO A

    SITUAÇAO MELHOROU.AS REDES GRANJEIRAS DE AVES E SUINOS SEMPRE TRABALHARAM O MERCADO DE FORMA A

    JOGAR O PREÇO LA' EM BAIXO. TOMARA QUE OS CHINESES ENTREM PARA VALER.

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  • Liones Severo Porto Alegre - RS

    A COFCO é uma empresa estatal chinesa. Grande importador e processador de soja. Praticamente a única que importa milho e trigo, porque são os únicos detentores das quotas de importação desses grãos. Será de grande ajuda nas exportações de milho brasileiro para a China.

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