Santander defende participação de bancos privados no mercado de crédito e seguro rural em reunião com a FPA

Publicado em 05/06/2018 17:33

O presidente do Santander, Sérgio Rial, defendeu a participação cada vez mais expressiva de bancos privados na concessão de crédito e seguro rural durante reunião com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), nesta terça-feira (5). Para Rial, a entrada dessas instituições financeiras abre concorrência construtiva no mercado e possibilita nivelamento de preços, menores taxas de juros e propostas mais segmentadas. “O Santander quer ser um agente viabilizador para que o mercado (agentes públicos, privados, investidores) participe do que hoje representa 23% do PIB do país: o setor agropecuário”.

O presidente destacou ainda o planejamento de interiorização no atendimento feito pelo banco para o setor agropecuário. “Vamos abrir, até o fim do ano, 22 lojas físicas vocacionadas ao agro com bancários formados em agronomia para entender cada cultura e lavoura de pequenos e médios produtores rurais do país. Isso resulta em propostas com custo-benefício melhores para cada situação e cada cliente”, disse Rial.

De acordo com ele, o banco dispõe hoje de cerca de R$ 15 bilhões para atender o mercado agrícola. Em relação ao seguro rural, o presidente afirmou que quanto mais regionalizado, melhor será a capacidade das seguradoras e agentes precificarem.

Na ocasião, a presidente da FPA, deputada Tereza Cristina (DEM-MS), enfatizou a necessidade de uma política agrícola mais eficiente e equilibrada. “Precisamos dar segurança e previsibilidade ao produtor, principalmente ao pequeno e médio, nas operações de financiamento. Precisamos simplificar os processos. E simplificar inclui em propostas com maiores e melhores incentivos financeiros e fiscais”.

Para a presidente, a agricultura está sobrecarregada com elevados tributos e custos de produção que prejudicam sua inserção na concorrência internacional. “O Brasil é a maior potência agrícola do mundo e não consegue consolidar espaços, que tem condição de ocupar, no mercado externo por gargalos tributários e financeiros sofridos na porteira para dentro”.

Com a segmentação do atendimento para o setor agropecuário, proposta pelo Santander, o vice-presidente da FPA, deputado Alceu Moreira (MDB-RS), acredita que propostas com taxas menores de juros sejam apresentadas para cada agricultor que precisa do crédito. “Com a personificação do atendimento, o risco será baseado, bem como a taxa de juros, somente no cliente atendido e não em outras operações de risco do banco. Fazer seguro rural pela taxa de risco e não pela taxa geral de juros”.

Segundo Moreira, o que vemos hoje é um país com uma inflação de 3% achar barato uma taxa Selic de 6,5%. De acordo com o vice-presidente, o juro médio em uma operação de crédito rural gira em torno de 12%, sendo 9% de lucro líquido que não vai para o agricultor.

Para o deputado Marcos Montes (PSD-MG), ex-presidente da FPA, é preciso dar opções mais diferenciadas das que se têm atualmente ao produtor rural no acesso ao crédito. “O agricultor precisa contar com novas modalidades de financiamento e não só bater na mesma porta. Queremos melhorar, expandir e facilitar esse mercado para o campo”.

Segundo o deputado Valdir Colatto (MDB-SC), coordenador de Meio Ambiente da FPA, as taxas de juros aplicadas nas propostas de financiamento não cabem no bolso do produtor rural. “A conta não fecha. É preciso dar alternativas para o agricultor escolher qual proposta tem o melhor custo benefício”. Segundo o deputado, a regionalização é um grande ganho e o Santander conseguiu enxergar isso. “Nem 20% das lavouras hoje em dia no país possuem seguro rural. É preciso ir lá conhecer a realidade das pequenas produções para oferecer a melhor opção”.

De acordo com o parlamentar, o crédito rural sempre foi aberto a todos os bancos, mas falta atratividade para as instituições financeiras privadas. “Agora temos um aceno. É Iniciativa privada entrando em um mercado monopolizado pelos bancos oficiais”.

Plano Safra – O ministro Blairo Maggi (Agricultura) convidou a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) para conhecer os detalhes do Plano Safra para 2018/2019p, que será lançado nesta quarta-feira (6), às 11h.

No último plano safra, cerca de 70% dos recursos foram oferecidos a juros controlados. Junto com o lançamento, o governo deve divulgar também os recursos para subvenção ao prêmio do seguro rural.

Leia também:

>> Plano Safra deve trazer juros balizados pelo IPCA

Fonte: FPA

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