Especialistas concordam com alerta da UE colocando em dúvida defesa sanitária BR

Publicado em 16/11/2018 15:20 e atualizado em 17/11/2018 12:08
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O informe da autoridade sanitária da União Europeia (UE) colocando mais uma vez em dúvida o manejo e controle de doenças e agentes químicos utilizados nos criatórios brasileiros, resultando em carnes que a população de lá não deseja consumir, deve ser algo para ser ouvido com atenção.

Em que pese os possíveis exageros, sob o manto do protecionismo e tirar o Brasil da competição – como o mercado em geral costuma reagir nessas horas (vide quando foi imposto embargo às plantas da BRF e de outras avícolas) -, é preciso ouvir novamente Pedro de Camargo Neto e Jacir Dariva.

O primeiro, ex-secretário de Produção e Comercialização do Mapa, várias vezes disse, ao Notícias Agrícolas, que o País deixava a desejar, e que o desdobramento da Operação Carne Fraca, que redundou na saída de cortes especiais de frangos do mercado europeu era apenas uma espécie de “ponta do iceberg".

Nesta sexta (16),  o atual vice da Sociedade Rural Brasileira e negociador internacional experiente para vários setores, enquanto consultor, foi curto e grosso: “E ninguém me ouviu”.

Já Dariva, presidente da Associação Paranaense de Suinocultura (APS), corajosamente afirmou há três dias, aqui neste mesmo espaço, que o Brasil “tinha pisado na bola com os russos”, ou seja, alguns exportadores haviam, sim, enviado carne suína com ractopamina (​Suínos: diminuição no peso de abate, Rússia voltando às compras e China mantendo força mostram chance de alta nos preços em 2019), produto sempre contestado no seu uso no Brasil e terminantemente proibido. A Rússia ficou um ano sem comprar o produto brasileiro e só o liberou agora (mas com efeitos só para 2019, já que os portos locais estão congelando neste período), sob a promessa das autoridades sanitárias brasileiras de garantia da qualidade futura.

Mesmo que seu comentário tenha sido dirigido na questão da Rússia e não do espaço da UE, a situação se reveste sobre a credibilidade e confiabilidade em geral da sanidade dos produtos de origem animal “made in Brazil”.

Jacir Dariva ainda complementou, temeroso sobre a responsabilidade que o Brasil tem de não criar problemas com a China, que vem sendo o fiel da balança nos últimos meses, comprando boa parte do que os russos não vinham comprando. E deverão continuar firmes, posto que a motivação para esse aumento das importações é, ironia, doença em seu plantel (peste suína, inclusive com novos focos informados ontem).

Para concluir, Ênio Marques, ex-secretário por duas vezes da Defesa Sanitária brasileira, outro negociador internacional experiente e de credibilidade no mercado, disse há pouco ao Notícias Agrícolas:

“Esse e outros relatórios (da UE) mostram que existem diferenças entre os serviços do Brasil e UE que não foram bem administradas. Credibilidade não se faz com bravatas. É um indicador válido que mostra que a política atual não está adequada e que precisa de ajustes, em especial na  interlocução com os especialistas.  Lamentavelmente a forma de agir da atual administração não funcionou “.

Olhando o futuro, Marques, hoje consultor, lembra que a “área da Inspeção deveria ser o que apregoamos há 20 anos, que seja feita com base em risco e responsabilidade total das indústrias pelas especificações e segurança dos produtos de origem animal que elas produzam”.

Europa aponta falhas no controle sanitário de exportações agrícolas do Brasil

A União Europeia voltou a criticar o controle sanitário nas exportações agrícolas brasileiras. Uma auditoria feita pelos técnicos do bloco europeu no que se refere às carnes bovina, de frango, de cavalo, peixes e mel indicou falhas nos controles nacionais. 

Desde a eclosão do escândalo da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, a Europa voltou a implementar controle rigoroso para a entrada de produtos brasileiros no mercado da União Europeia. Progressivamente, fazendas vêm sendo recolocadas na lista de estabelecimentos autorizados a exportar para o bloco. Em maio deste ano, essa lista incluía 1,4 mil fazendas autorizadas em sete Estados brasileiros que são dedicados à carne bovina. 

Leia a notícia na íntegra no Estado de Minas com informações do Estadão Conteúdo

 

Por: Giovanni Lorenzon
Fonte: Notícias Agrícolas

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