Julgamento no STF pode redefinir tributação das cooperativas e trazer reflexos para o agronegócio

Publicado em 02/07/2026 07:18
Discussão sobre a incidência de tributos em operações com não cooperados pode influenciar futuras interpretações do sistema tributário brasileiro

O julgamento do Tema 536 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) tem sido acompanhado de perto pelo setor cooperativista e pode gerar impactos relevantes para diferentes atividades econômicas, incluindo o agronegócio. Em discussão está a possibilidade de incidência de PIS (Programa de Integração Social), Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) sobre receitas obtidas por cooperativas em operações realizadas com terceiros não associados.

Embora a controvérsia tenha surgido a partir de um caso envolvendo uma cooperativa médica, especialistas apontam que a decisão poderá estabelecer parâmetros para todo o sistema cooperativista, alcançando segmentos como transporte, assistência técnica, consultoria agronômica e outros serviços amplamente utilizados pelo setor agropecuário.

Segundo Gustavo Venâncio, sócio e diretor comercial e de marketing da Lastro Soluções Tributárias para o Agro, o principal ponto da discussão está na definição dos limites da atuação das cooperativas e no conceito de ato cooperativo.

“O STF está debatendo até que ponto a cooperativa atua apenas como intermediadora entre seus cooperados e o mercado ou quando passa a desempenhar um papel mais ativo, agregando estrutura, gestão e valor às operações. Essa distinção pode ser determinante para definir a incidência ou não de tributos”, explica.

O tema ganha relevância porque o modelo cooperativista possui tratamento diferenciado na Constituição Federal e desempenha papel fundamental em cadeias produtivas estratégicas para a economia brasileira. No agronegócio, as cooperativas são responsáveis por conectar produtores a serviços técnicos, logísticos e comerciais, contribuindo para ganhos de escala e competitividade.

Para Gustavo, independentemente do resultado do julgamento, a discussão ultrapassa os efeitos imediatos sobre PIS, Cofins e CSLL.

“Mais do que uma definição sobre os tributos atuais, esse julgamento pode servir como referência para futuras interpretações envolvendo a reforma tributária. A forma como o STF delimitar o ato cooperativo poderá influenciar debates sobre a incidência dos novos tributos que substituirão o sistema atual”, afirma.

A avaliação ocorre em um momento de transição do modelo tributário brasileiro, marcado pela implementação gradual das novas regras previstas na reforma tributária. Nesse contexto, a segurança jurídica das operações realizadas por cooperativas ganha ainda mais relevância para produtores rurais, cooperados e empresas que se relacionam com essas organizações.

“O cooperativismo tem participação significativa no agronegócio brasileiro. Por isso, qualquer entendimento que altere a forma de tributação dessas operações é acompanhado com atenção pelo setor, especialmente diante das mudanças que já estão previstas para os próximos anos”, conclui o especialista.

Embora ainda não haja definição definitiva por parte do STF, o julgamento é considerado um dos mais relevantes para o futuro da tributação das cooperativas no Brasil.

Fonte: Lastro

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