China assina acordo para usar 3 mi de ha na Ucrânia para produção agrícola

Publicado em 23/09/2013 16:19 e atualizado em 26/09/2013 13:06
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A China acaba de assinar um acordo para produzir em uma área de 3 milhões de hectares na Ucrânia por um periodo de 50 anos. A área representa 5% de todo o território do país, ou 9% de sua área agricultável, que será agora usada para produir alimentos para a cresente população de classe média chinesa. É o que mostra o site de economia americano Quartz.

Segundo o analista de mercado Vlamir Brandalizze, a China irá usar a área para a produção de milho e trigo, culturas mais compatíveis com o clima do leste europeu. "Mas essa área não irá produzir da noite para o dia. Eles irão levar de 5 a 7 anos para conseguir produzir tudo o que é possível", afirma.      

Brandalizze diz ainda que os chineses estão se preparando para alimentar sua população urbana cada vez maior. “Os chineses sabem que sua economia e sua população estão crescendo e eles vão precisar de cada vez mais alimentos. Os EUA não terão tanto alimento para a exportação, pois usarão parte do seu milho para a produção de etanol”. 

Sobre a concorrência que os novos investimentos chineses representam para o Brasil, o analista não se mostra muito preocupado. “O Brasil pode continuar produzindo, pois a demanda mundial por alimentos irá crescer em um ritmo acelerado. Mesmo que a China aumente sua produção usando a terra de outros países, essa concorrência vai acontecer de maneira mais leve. Eu acredito que não afete tanto o Brasil à médio e longo prazo”.

Estratégia chinesa
A matéria do site Quartz mostra ainda que, no acordo assinado entre as empresas China Xinjiang Production e Construction Corps (ou XPCC e KSG Agro, uma empresa agrícola ucraniana), as lavouras cultivadas e os porcos criados na região leste de Dnipropetrovsk serão vendidos a tarifas preferenciais para duas empresas estatais de grãos chinesas. O projeto será lançado com 100 mil hectares e, eventualmente, irá expandir-se para três milhões. 

O acordo para uso da terra foi fechado depois que a Ucrânia criou uma lei que proibe estrangeiros de comprar terras ucranianas. Como parte do negócio, o banco de Importação e Exportação da China (China  Exim Bank) concedeu à Ucrânia um empréstimo de 3 bilhões de dólares para o desenvolvimento agrícola do país. Em troca de seus produtos, a Ucrânia irá receber sementes, equipamentos, uma fábrica de fertilizantes (Ucrânia importa cerca de 1 bilhão de dólares em fertilizante a cada ano), e uma planta para a produção de um agente de proteção das culturas. 

A empresa chinesa XPCC também disse que vai ajudar a construir uma rodovia na República Autonoma da Crimeia da Ucrânia, bem como uma ponte sobre o Estreito de Kerch, um importante centro industrial e de transporte para o país.

Críticos dizem que a iniciativa é exemplo de uma série de acordos mundiais para uso de terra que se assemelha ao colonialismo, pois se baseia na lógica dos países mais ricos extraindo recursos de países mais pobres. Hoje, esse tipo de negócio está cada vez mais motivado por governos que buscam a segurança alimentar para os seus cidadãos, ao invés da empresas privadas que buscam lucro.

Arábia Saudita, Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos, Grã-Bretanha, Estados Unidos e outros países têm comprado terras estrangeiras, especialmente após pico no aumento dos preços de alimentos em 2007-2008. De acordo com um relatório no ano passado pela ONG Grain, o principal alvo dessas compras é a África, mas também o leste europeu, América Latina e Ásia. Entre 0,7% e 1,75% das terras agrícolas do mundo estão sendo transferidas das mãos de produtores locais para investidores estrangeiros.

Dada a diminuição de suas terras disponíveis para agricultura, a China tem sido um dos investidores mais agressivos. O país consome cerca de um quinto do suprimento de alimentos do mundo, mas é o lar de apenas 9% das terras agrícolas do planeta, devido à sua rápida industrialização e urbanização. O contrato com a Ucrânia é o seu maior investimento agrícola. Desde 2007, a China já comprou terras na América do Sul, Sudeste Asiático e África.

Alguns analistas temem que a parceria Ucrânia-China seja o primeiro passo para uma eventual aquisição chinesa de todas as terras cultiváveis da Ucrânia. Inseguranças semelhantes sobre a segurança alimentar local levaram o governo das Filipinas a bloquear um acordo de investimento com a China; Moçambique também tem resistido a chegada de agricultores chineses.

Outros argumentam que o projeto dá a Ucrânia a oportunidade de aumentar suas exportações de alimentos. Desde o colapso da União Soviética, o país tem sido lento no desenvolvimento de sua indústria agrícola.

Com informações de: qz.com

China aumenta seus investimentos em projetos agrícolas em Uganda

A China aumenta cada vez mais sua presença em Uganda, trazendo empresas e principalmente projetos agrícolas ao país do leste africano.

Apesar de alguns conflitos e visões contrárias sobre as intenções dos asiáticos, o ministro da Agricultura do país, Tress Bucyanayandi, afirmou que "não vê problema algum no fato da China produzir alimentos na África para conseguir atender sua demanda interna". É o que mostra matéria publicada hoje pelo site chinês China Daily.

Bucyanayandi explica que há abundância de terras em seu país e que os chineses são bem-vindos para produzir lá. "Temos muita terra, principalmente no norte de Uganda, onde a maior parte está abandonada". E completa: "Embora a terra pertença ao nosso povo, eles (os chineses) podem fazer parcerias com os donos para desenvolvê-la. Nós temos uma economia liberal, então eles podem exportar os alimentos de volta para a China, ou ficar com o lucro".

O ministro diz ainda que um dos pontos fracos do sistema agrícola de seu país é a falta de exploração de seu potencial para produzir commodities, como o café. "O café da Uganda é bom... Nós não produzimos café instantâneo, mas você só vê Nescafe nas prateleiras dos supermercados aqui. O café é nossa principal cultura, mas não estamos agregando valor a ele".

Uma recente pesquisa publicada pela empresa britânica Standard Chartered PLC prevê que a China terá que importar 100 milhões de toneladas de alimentos por ano, nos próximos 20 a 30 anos, para suprir suas necessidades.

A parceria entre China e África na produção mundial de alimentos já preocupa o alguns produtores brasileiros. No 2º Fórum Nacional de Agronegócios, evento que reuniu empresários e lideranças do setor em Campinas-SP no último dia 21, o presidente da Embrapa, Maurício Antonio Lopes, afirmou que o grande concorrente do Brasil na produção de alimentos poderá ser a China. "A África não é ameaça, o problema é a China. O país pode chegar no Brasil, pegar a nossa tecnologia e implantar da África. Aí seria a grande ameaça."


Estratégia chinesa
Em março deste ano, o presidente Xi Jinping anunciou uma linha de crédito de 20 bilhões de dólares nos próximos dois anos para fortalecer a cooperação com a África na agricultura e em outros setores.

Até agora, em Uganda, o envolvimento da China veio na forma de ajuda e assistência, sem ações para a produção de alimentos. Desde o final de 2012, mais de 30 especialistas e técnicos agrícolas chineses têm trabalhado no país em áreas como o agronegócio, horticultura e produção de grãos. 

Um dos maiores projetos agrícolas chineses no país é um centro de produção de peixes avaliado em 5 milhões de dólares, no subúrbio da capital Kampala. O centro é gerenciado pelo grupo Huaqiao Fenghuang, de Chegdu, província de Sichuan. 

Bucyanayandi também defende um maior envolvimento chinês na economia do país. "Por que não? Eles dizem que querem nos ajudar, então por que não aceitar?" questiona. "O investimento chinês na agricultura já foi importante aqui e eu gostaria de ver mais de sua presença." O ministro diz ainda que está "particularmente ansioso" para ver um banco chinês entrar em Uganda e oferecer empréstimos para os agricultores locais.

Chineses: parceiros ou exploradores?
Ainda sobre a presença dos chineses em Uganda, o site International Business Times publicou uma matéria questionando as reais intenções desses investidores asiáticos na África. 

Os maiores projetos de infraestrutura do país, como estradas, energia elétrica e comunicações já estão em mãos de empresas estatais chinesas. Ainda assim, a vida para a maior parte do povo de Uganda continua difícil. A inflação chega a 30%, enquanto pelo menos um terço da população vive na miséria. A frustração causada pela miséria fez com que os ugandenses se voltassem contra os chineses.    

O texto mostra que, entre os "enormes" investimentos chineses na África, destaca-se um envolvimento significativo com a Uganda que, apesar de ser uma terra assolada pela pobreza, é rica em minerais e, talvez, em petróleo. O ex-primeiro ministro britânico Winston Churchill descreveu o país como "a pérola da África". 

Em abril deste ano, o embaixador chinês na uganda, Zhao Ya Li, anunciou que Pequim pretende construir uma escola "multi-milionária" para ensinar chinês aos estudantes locais, estreitar os laços culturais e derrubar as barreiras entre os dois países. 

"Muitas empresas chinesas estão vindo para Uganda. O domínio da língua chinesa irá abrir portas para a população em termos de oportunidades de trabalho", afirmu Zhao. Ele estima que mais de 200 empresas chinesas atualmente empregam 3 mil pessoas em Uganda, e esse número deve crescer nos próximos anos.   


Com informações de: www.chinadaily.comwww.ibtimes.com

Tradução: Fernanda Bellei    

Fonte: Notícias Agrícolas

1 comentário

  • Liones Severo Porto Alegre - RS

    Os produtores brasileiros tem 10 anos para se tornarem sólidos e capitalizados, a única maneira de se tornarem independentes sem ter que mendigar para o governo. Temos que aproveitar enquanto somos os donos da ´galinha dos ovos de ouro`. Sei que é possível e que podemos alcançar esse objetivo, mas precisamos estar unidos para vencer. Devem buscar os melhores preços que o mercado oferece e vai continuar oferecendo por algum tempo. Sabem produzir mas precisam progredir na busca receitas mais competentes, afinal o produto é seu patrimônio e precisa da melhor remuneração. Não podemos ser displicentes na comercialização, temos que usar as formulas do capitalismo: barganha com aproveitamento total, não importa o tempo e o lugar. Criamos nossa consultoria (www.simconsult.com.br) com essa finalidade e sei que podemos conseguir, mas precisamos da vossa participação. Obrigado a todos pela compreensão.

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