Bovespa fecha com maior alta percentual em mais de 2 anos após 1º turno

Publicado em 06/10/2014 17:51 e atualizado em 06/10/2014 19:27 157 exibições
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SÃO PAULO (Reuters) - O principal índice da Bovespa desacelerou os ganhos ao longo da segunda-feira, mas ainda assim fechou com o melhor desempenho em mais de dois anos, após o desempenho do candidato de oposição Aécio Neves (PSDB) no primeiro turno da eleição presidencial superar expectativas.

O Ibovespa encerrou com alta de 4,72 por cento, a 57.115 pontos, tendo alcançado 58.897 pontos no melhor momento do dia, com ganho de 8 por cento.

A alta registrada no fechamento foi igual ao ganho registrado em 27 de julho de 2012, que havia sido o maior avanço desde 9 de agosto de 2011.

O volume financeiro no pregão totalizou 14,4 bilhões de reais, bastante acima da média diária do ano, de 6,9 bilhões de reais.

Aécio garantiu vaga no segundo turno com mais facilidade do que as últimas pesquisas apontavam e ainda se aproximou da primeira colocada, a presidente Dilma Rousseff (PT), que tenta a reeleição, como em nenhum momento da campanha.

Dilma teve 41,6 por cento dos votos válidos e Aécio obteve 33,6 por cento.

"O ano de 2015 vai ser um ano de ajustes duro, ganhe quem ganhar", disse Will Lander, gestor sênior de fundos de investimentos da BlackRock, em Nova York.

De acordo com o profissional, o mercado se anima com o potencial de uma vitória de Aécio pois traz a expectativa de mudanças no manejo da economia, com menos intervenção, mais controle fiscal, entre outros fatores.

"O mercado se anima com o potencial de um crescimento melhor e uma vitória da presidente (Dilma Rousseff) indicaria para mais do mesmo do que vimos nos últimos quatro anos", acrescentou.

Operadores e analistas têm manifestado insatisfação com as diretrizes econômicas do atual governo. Perspectivas de alternância em Brasília têm servido como argumento para compras na bolsa nos últimos meses e vice-versa.

Ações de estatais que têm reagido fortemente ao cenário eleitoral lideraram os ganhos do Ibovespa nesta sessão.

Após terem disparado mais de 17 por cento em seu melhor momento, as preferenciais da Petrobras terminaram com elevação de 11,12 por cento, maior ganho desde dezembro de 2008. Os papéis ordinários da petroleira subiram 9,71 por cento, maior ganho em um ano.

Analista do UBS Securities revisou nesta segunda-feira a recomendação para as ações ordinárias da Petrobras para compra, ante neutra, e elevou o preço-alvo do papel para 21,50 reais, ante 20 reais.

Papéis do setor financeiro e imobiliário também se destacaram na ponta positiva do Ibovespa.

Operadores atribuíram a alta expressiva principalmente à cobertura de posições vendidas daqueles que apostavam em um cenário mais tranquilo para Dilma na corrida presidencial, movimento conhecido como "short squeeze".

Analistas ponderam que ainda é incerto o desfecho da disputa pelo Palácio do Planalto. Assim, a expectativa é que a bolsa brasileira continue com alta volatilidade pelo menos até o próximo dia 26, quando acontece a votação final.

"A eleição ainda continua muito apertada e incerta, o que dificulta qualquer tomada de decisão de investimento baseada apenas neste evento", ponderou Marcelo Mesquita, sócio e diretor de análise da Leblon Equities Gestão de Recursos.

O sócio e diretor de estratégia na consultoria Arko Advice, Thiago Aragão, avaliou que a disputa agora será "tête-à-tête, em igualdade de condições, pelo menos do que diz respeito a tempo na televisão e recursos financeiros".

Entre os poucos papéis na ponta negativa do índice, figuraram ações de empresas exportadoras, sensíveis à variação do câmbio, como Suzano, Fibria e Embraer, já que o dólar fechou em queda superior a 1,4 por cento frente ao real.

Do noticiário corporativo, vale mencionar que o grupo europeu de telecomunicações Altice está negociando a compra de ativos portugueses da Oi, conforme afirmou uma fonte nesta segunda-feira.

Fora do Ibovespa, a ação da Cosan Log, resultado da cisão da parcial da Cosan, fechou com alta de 5,6 por cento na sua estreia na bolsa.

VEJA: Bolsa tem maior alta em dois anos após arrancada de Aécio Neves

Ascensão de tucano no cenário eleitoral fez Ibovespa fechar em alta de 4,72%, puxado por Petrobras, que chegou a avançar 17% durante o pregão

O candidato à Presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves, vota em Belo Horizonte, Minas Gerais

O candidato à Presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves, vota em Belo Horizonte, Minas Gerais (Douglas Magno/AFP)

No primeiro pregão pós-primeiro turno eleitoral, o mercado manifestou seu otimismo com a ascensão do candidato do PSDB, Aécio Neves, ao segundo turno das eleições presidenciais. O reflexo foi sentido diretamente pela Bovespa, que fechou com o melhor desempenho em mais de dois anos, com alta de 4,72%, a 57.115 pontos, tendo alcançado 58.897 pontos no melhor momento do dia, com ganho de 8%. 

Segundo lugar na disputa eleitoral. Aécio leva para o segundo turno ao menos 33% das intenções de voto dos brasileiros e já se movimenta para conseguir o apoio de Marina Silva, que ficou com 21% dos votos válidos no primeiro turno.

Os destaques de valorização são altamente sensíveis à disputa eleitoral, como as estatais e as empresas do setor financeiro. No decorrer do pregão, os papéis preferenciais (PN, sem direito a voto) da Petrobras atingiram a máxima de valorização, de quase 17%, enquanto os títulos ordinários (ON, com direito a voto) da estatal alcançaram 16%. No fechamento, ambos estavam entre as maiores altas: 11,06% (PN) e 9,43% (ON). 

As ações ON do Banco do Brasil também se valorizaram mais de 18% no meio do dia, enquanto as ONs da Eletrobras subiram mais de 10%. No fim do dia, elas fecharam em 11,88% (BB), a maior alta da bolsa nesta segunda, e 8,35% (Eletrobras), respectivamente. 

O mercado reagiu negativamente, na última semana, à alavancada de Dilma nas pesquisas pré-eleitorais. A melhora do candidato tucano dá segurança ao mercado, por sua posição mais liberal e contrária ao intervencionismo petista na economia. Diante de uma eleição difícil de prever e incerta até o fim, o dólar e a bolsa devem operar com volatilidade. No primeiro turno, Dilma teve 41,6% dos votos válidos, ou quase 43,3 milhões, enquanto Aécio ficou com 33,6%, ou 34,9 milhões, acima do previsto nas pesquisas.

Aécio tem a preferência dos mercados porque o PSDB tem, historicamente, uma posição mais ortodoxa em relação às questões econômicas. Está na conta do partido, por exemplo, o resgate da estabilidade econômica por meio do tripé de controle fiscal, juros e inflação. Além disso, o candidato tucano já anunciou que o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, um dos mais admirados economistas do país, será seu ministro da Fazenda, caso seja eleito. "A oposição mostra mais clareza para a condução da economia, tendo já escolhido até o ministro da Fazenda. É possível que, agora, o governo atual tenha de dar mais indicação do que deve fazer nesta área", disse o economista-chefe do Banco J. Safra, Carlos Kawall, que foi secretário do Tesouro Nacional no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Dólar - O dólar fechou em queda de 1,43% nesta segunda-feira, a 2,466 reais. O número, no entanto, ficou longe da mínima da sessão (2,3782 reais) após o bom desempenho de Aécio Neves (PSDB) no primeiro turno das eleições presidenciais derrubar a divisa a 2,37 reais durante a manhã. Segundo operadores, o tombo inicial da moeda norte-americana foi exagerado, gerando uma correção em seguida. A percepção é que o mercado deve continuar volátil nas próximas semanas, diante da disputa acirrada no segundo turno entre o candidato tucano e a presidente Dilma Rousseff (PT), que vem sendo fortemente criticada pelos agentes financeiros pela condução da atual política econômica.

Fonte:
Reuters + VEJA

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