Estamos em recessão técnica, afirma especialista no MS Agro 2014

Publicado em 07/11/2014 15:03 90 exibições

O Brasil já está em recessão técnica. A afirmação é do economista Eduardo Gianetti, palestrante do MS Agro 2014, seminário realizado pelo Sistema Famasul - Federação da Agricultura e Pecuária de MS, nesta sexta-feira (07). Segundo o especialista, que falou para um auditório lotado de produtores e lideranças de diversos setores da economia sul-mato-grossense, o cenário é reflexo de dois trimestres seguidos de PIB - Produto Interno Bruto negativo  verificados em 2014 em relação aos trimestres dos anos anteriores.
 
Gianetti associa o atual patamar a três fatores: baixo crescimento da economia, inflação e problemas no comércio exterior.  Em relação ao primeiro tópico, o palestrante destacou que se entre 2003 a 2010 o país crescia na casa dos 4%, nos últimos quatro anos a média anual fica em 1,6% ao ano, nível muito baixo. "Para se ter uma perspectiva histórica, se pegarmos toda a ‘era republicana’, desde 1889, apenas dois governos tiveram crescimento anual médio inferior a esse: o de Floriano Peixoto e de Fernando Collor. A comparação não é fácil".
 
"Este ano, o crescimento econômico vai ficar em torno de 0,3%, praticamente uma economia parada", ressaltou. Para o economista, o agronegócio, setor que sustenta a economia brasileira, é um dos que menos depende de ‘favorecimentos’ do Governo. "Mas se o País  tivesse estrutura suficiente, o setor poderia estar muito mais à frente do que está", complementou.
 
Outro ponto negativo da conjuntura brasileira citado pelo economista foi a inflação pressionada, que oscila muito próximo ao teto estabelecido pelo Governo e é fruto de inadequadas medidas políticas "O Governo passou a usar controle de preços administrados para segurar artificialmente a inflação no curto prazo (..), assim como o câmbio tem sido represado", enfatiza o especialista, lembrando que a medida é preocupante e não permanecerá infinitamente.
 
Sobre os problemas nas contas externas, Gianetti afirmou que durante muito tempo o país tinha um saldo positivo na conta corrente, mas houve uma mudança neste cenário e hoje existe um déficit equivalente a 3,7% do PIB brasileiro, mais de US$ 80 bilhões . "Voltamos a uma situação de vulnerabilidade externa", lamenta. 
 
Em sua palestra, Gianetti avaliou que, de alguns anos para cá, o País vive hoje uma sucessão de desapontamentos e  frustrações comparado àquela perspectiva de que o Brasil iria encontrar um padrão de alto desempenho econômico. "O termo que melhor designa o atual momento é reversão de expectativa. Há algum tempo, o Brasil despontava para si mesmo e para o mundo como um país de excepcional desempenho (...), com crescimento acima de 4% entre 2008 e 2010, considerado razoável", destacou o Gianetti, reforçando que, na época, a bom momento econômico estava aliado à inclusão social, quando 35 milhões de brasileiros mudaram de categoria de renda.
 
Em contrapartida ao panorama negativo, Gianetti apontou dois alentos: o alto nível de emprego e a manutenção da renda real das famílias. O Governo Federal tem apenas dois caminhos neste próximo mandato, na avaliação de Gianetti. O primeiro é a curva de aprendizado, onde será adotada uma postura de crítica e de mudanças, e o outro rumo é a aposta redobrada na atual política econômica. Na avaliação do especialista, o segundo caminho seria perigoso. “Apertem os cintos”, brincou.
 
Talk Show - Após a palestra, o economista Eduardo Gianetti, os deputados federais eleitos, Luiz Henrique Mandetta e Tereza Cristina Corrêa Dias, juntamente com o presidente da Famasul, Eduardo Riedel, responderam  uma série de perguntas dos participantes do evento. O debate foi mediado pelo jornalista, Heraldo Pereira.
 
Eduardo Riedel enfatizou que Mato Grosso do Sul tem tido desempenho econômico satisfatório nos últimos anos, impulsionado pelo movimento político estadual. "No nosso Estado, ocorreram fortes investimentos em infraestrutura adotados na gestão anterior. E este é também o perfil do governador eleito, Reinaldo Azambuja. Não deverá haver descontinuação no projeto de desenvolvimento de Mato Grosso do Sul", destacou.

Fonte:
Famasul

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