Lula e Dilma sabiam da corrupção na Petrobras

Publicado em 15/11/2014 03:50 e atualizado em 16/11/2014 21:26 2487 exibições
VEJA publicou na capa a notícia ratificada pelo Estadão

Há 20 dias, VEJA publicou na capa a notícia ratificada pelo editorial do Estadão: Lula e Dilma sabiam da corrupção na Petrobras

ELES SABIAM DE TUDO, revelou VEJA na capa da edição distribuída em 24 de outubro, dois dias antes da eleição presidencial. Os dois rostos que compunham a ilustração deixavam claro que “eles” eram Lula e Dilma Rousseff. “Tudo” abrangia o aluvião de maracutaias protagonizadas por um bando de corruptos que, protegido pelo governo ao qual servia, reduziu a Petrobras a uma usina de negociatas bilionárias.

Na mesma sexta-feira, a candidata a um segundo mandato usou seis minutos do último dia da propaganda na TV para enfileirar falácias, pretextos e desculpas que, somadas, davam zero. Durante o palavrório, ameaçou o mensageiro da má notícia com uma ação judicial que jaz no mausoléu das bravatas eleitoreiras.

O fabricante do poste que desgoverna o país esperou alguns dias para jurar que VEJA é um partido político que sonha obsessivamente com o extermínio do PT. O que parece coisa de ombudsman de hospício é só a mais recente invenção do vigarista decadente: o conto da capa golpista. Um grupo de devotos da seita liberticida nem aguardou que fosse criado para desempenhar o papel de otário. Já no dia 24, pichadores companheiros exercitaram a vocação para o vandalismo nas imediações da sede da Editora Abril.

“Lula e Dilma sempre souberam”, ratificou nesta sexta-feira o editorial do Estadão. Exemplares do jornal começavam a chegar aos assinantes quando também começou a ofensiva da Polícia Federal que resultou na captura de outra leva de saqueadores da Petrobras. Desta vez, como se verá no próximo post, juntaram-se à população carcerária figurões de empreiteiras corruptoras, além de outro ex-diretor da estatal apadrinhado por José Dirceu.

O editorial sobre o maior escândalo político-policial ocorrido desde a chegada das caravelas não surpreendeu os leitores de VEJA, que acompanham desde março a cobertura da espantosa procissão de abjeções descobertas pela Operação Lava-Jato. As revelações vêm acelerando perigosamente os batimentos do coração do poder. O fechamento do cerco aos quadrilheiros do Petrolão vai chegando aos chefões. O enfarte parece questão de tempo.

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O agente de Yousseff

Galeão: quadrilha tinha PF como operador

Galeão: quadrilha tinha PF como operador

A quadrilha de Alberto Yousseff & Cia tinha um agente federal no Aeroporto Galeão (RJ) para facilitar o transporte de dinheiro do grupo.

Um relatório da Polícia Federal detalha a atuação de Jayme Alves de Oliveira Filho, mais conhecido como Careca.

Segundo o relatório, baseado em planilhas apreendidas com Yousseff, Careca entre os anos de 2011 e 2012 transportou ou entregou os seguintes valores: 13 milhões de reais em espécie, 991 300 dólares e 375 000 euros.

Yousseff também tinha outros subordinados para transportar dinheiro.

Uma das entregas ou retiradas de dinheiro, segundo a PF, foi feita na UTC em setembro de 2013.

Por Lauro Jardim

OAs

Presidente preso

José Adelmário Pinheiro Filho, o presidente da construtora OAS, que teve sua prisão decretada na operação de hoje da PF, é uma espécie de lenda do setor. Conhecido por todos como Leo, o presidente da OAS é uma espécie de porta-voz dos interesses das construtoras.

Afável e bom de papo, o baiano Leo atuou desde o início da Lava-Jato, no primeiro semestre, como uma espécie de coordenador das ações para proteger as empreiteiras.

Por Lauro Jardim

 

O mercado se agita, o dólar dispara, os investimentos param, o terremoto do Petrolão se acentua: e Dilma, com passividade bovina, não consegue dizer quem conduzirá a economia como ministro da Fazenda

A presidente desembarca em Brisbane, na Austrália, para a reunião do G-20 que começa amanhã e vai até depois de amanhã (Foto: Reuters)

A presidente desembarca em Brisbane, na Austrália, para a reunião do G-20 que começa amanhã e vai até depois de amanhã: o esvaziado Mantega está na comitiva, e o fato de dela fazer parte também o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, faz supor que talvez — talvez — seja ele o novo ministro da Fazenda (Foto: Reuters)

O dólar disparou. A Bolsa de Valores ninguém sabe para onde vai. Os investidores estrangeiros estão retraídos. Os empresários brasileiros, em compasso de espera. As previsões para o crescimento da economia neste ano a cada dia mais se aproximam do zero. Não bastasse tudo isso, a maior empresa do país, a Petrobras, mantém-se em crescentes abalos sísmicos pelo aprofundamento das investigações sobre roubalheira para rechear cofres de partidos políticos que apoiam o governo.

Excetuado o problema do tamanho de uma montanha que é o Petrolão, boa parte desse clima de fim de feira poderia ter sido modificado por um ato simples de política, que em qualquer país minimamente maduro do planeta já teria ocorrido: o anúncio, pela presidente que foi reeleita, de quem será seu novo ministro da Fazenda.

Mas não. Até viajar para Brisbane, na Austrália, para a reunião das 20 principais economias do mundo, a presidente, como uma barata tonta, continuava sem adotar essa crucial definição, que definirá para o mercado os rumos econômicos que seu governo seguirá.

Para usar uma palavra que Dilma parece ter aprendido durante a campanha eleitoral, é “estarrecedora” a passividade bovina com que encarou, desde a época de candidata, tarefa tão transcendental. A presidente puxou o tapete, desmoralizou e tornou um fantasma na Esplanada o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao anunciar meses antes de sua nova posse de que ele não continuaria na pasta.

A partir daquele momento, Mantega se tornou um ectoplasma. O que ele diz não tem importância, o que ele eventualmente combina não tem credibilidade, os líderes do setor produtivo ficaram sem interlocução no governo. Espantosamente, porém, a presidente marchou para o segundo turno das eleições sem ter assegurado alguém para o lugar do ministro que, por antecipação, fuzilara — providência elementar para quem já estava no leme do Planalto e tinha grande chances de continuar nele.

Isso dá uma mostra do tamanho da improvisação e da incompetência com que a presidente conduz a coisa pública, num período especialmente tumultuado para seu governo e para a economia do país.

Como já escrevi e já disse em TVEJA, Dilma nem tomou posse de seu segundo mandato, conquistado nas urnas com votação gigantesca, e já vive um clima de final de governo.

(por Ricardo Setti)

 

Diretoria da Petrobras: pressão máxima

Ao longo da semana passada, a tensão na diretoria da Petrobras estava nas máximas.Graça Foster

Diretor financeiro da empresa, Almir Barbassa era um dos que ameaçavam renunciar.

Dizia que fez uma carreira na estatal, que não participou de esquema nenhum, e que está velho demais para este tipo de emoções.

Assim como Barbassa, muitos diretores só não renunciaram até agora porque foram convencidos pela presidente da empresa, Maria das Graças Foster, que os exortou a “segurar as pontas” usando o argumento da responsabilidade da diretoria para com os acionistas e a oportunidade de se defenderem e mostrarem que não estavam envolvidos.

Não seria surpresa, no entanto, se a operação de hoje da Polícia Federal der o empurrão final para renúncias na diretoria da empresa, agravando ainda mais uma crise de proporções épicas: a empresa-orgulho do Brasil virou a empresa-vergonha do Brasil, sem balanço auditado, sem acesso ao mercado de dívida, com uma necessidade gigantesca de investir e um endividamento já preocupante.

Barbassa tem um mega pepino nas mãos: ele e o ex-presidente da empresa, José Sergio Gabrielli, assinaram balanços atestando junto à SEC a veracidade das informações prestadas aos investidores. Para operações como oferta de ações e emissões de dívida, um diretor financeiro assina cartas para os auditores (“representation letters”) atestando que as informações da empresa são verdadeiras, “to the best of my knowledge” (ou seja, ele atesta a veracidade “baseado no que ele sabe”).

Se a Petrobras agora tiver que republicar balanços antigos — reconhecendo os roubos do petrolão — as chances de Barbassa e Gabrielli serem responsabilizados são grandes.

Do ponto de vista pessoal, para estes diretores uma grande angústia é o que acontecerá com o seguro D&O (“Directors & Officers”), que as grandes empresas pagam para seus diretores e que cobrem seus custos com advogados se estes diretores forem processados por atos praticados no exercício de suas funções dentro da companhia. Se ficar comprovado que os diretores sabiam do esquema (mesmo não tendo participado dele), as seguradoras arcarão com os custos?

Pode-se imaginar o que vai na cabeça dos diretores da Petrobras implicados ainda que indiretamente no escândalo que não para de crescer: a perspectiva de uma vida respondendo a processos, indo a audiências, ou coisa pior. Receber cartas da SEC, do Departamento de Justiça americano, da Polícia Federal brasileira, do Ministério Público Federal. Gastar muito dinheiro se defendendo e, o pior, aquilo que dinheiro nenhum consegue comprar: a tranquilidade e a paz de espírito sequestrada da vida familiar. Os cônjuges, filhos e netos convivendo com as memórias da vergonha.

Dos muitos ensinamentos que esta implosão da Petrobras está produzindo, talvez o menos falado até agora seja um avanço ético valioso para o País: a partir de agora, no Brasil, não basta não ser corrupto. Também não dá pra trabalhar onde você sabe — ou simplesmente suspeita – que existe corrupção.

Por Geraldo Samor

Fonte:
veja.com

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1 comentário

  • Paulo Roberto Rensi Bandeirantes - PR

    Sr. João Olivi, o sistema lulopetismo tem como base o supercorporativismo praticado além dos limites aceitáveis.

    Uma frase dita pela “MÃE DE TODAS AS IRRESPONSABILIDADES”:

    “Eu acho que isso pode, de fato, mudar o País para sempre”. Esta frase foi verbalizada pela presidenta numa entrevista concedida em Brisbane- Austrália; não se deve esquecer que o “corporativismo” petista tem induzido para que ela “faça o diabo” em épocas eleitorais e, a corrupção que está sendo descoberta pela policia federal, que é uma policia de estado e não de governo (petista), ocorreu no período em que ela era Ministra de Minas e Energia e Presidente do Conselho da Petrobrás. Ela não pode se eximir “desta” responsabilidade, apesar de ser a “MÃE DE TODAS AS IRRESPONSABILIDADES”!

    ....”E VAMOS EM FRENTE” ! ! !....

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