Lava Jato: propinas continuam sendo pagas de Norte a Sul do País

Publicado em 18/11/2014 06:07 177 exibições
na coluna PAINEL, por VERA MAGALHÃES - folha.com/painel (+

Fluxo contínuo

A Polícia Federal encontrou indícios de que os pagamentos de propina revelados pela Operação Lava Jato continuam sendo feitos na Petrobras. Relatório da última etapa da investigação diz que o esquema "apresenta continuidade mesmo após a demissão do então diretor Paulo Roberto Costa" e "assola o país de Norte a Sul até os dias atuais". A PF vai apurar pagamentos feitos pelas empreiteiras ao doleiro Alberto Youssef já em 2014 para encontrar obras em que pode ter havido propina.

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Geral Ao ouvir depoimentos de Paulo Roberto e Youssef, os policiais concluíram que o esquema "vai muito além das obras contratadas pela Petrobras" e atinge outras áreas do governo.

Irrestrito "Essas empresas tinham interesse em outros ministérios capitaneados por partidos. Se você cria um problema de um lado, pode criar um problema do outro. Então, no meu tempo lá, eu não lembro de ter nenhuma empresa deixado de pagar", declarou Paulo Roberto.

Dominado 1 As empresas investigadas por participar do esquema doaram dinheiro para 12 dos 32 deputados da CPI que apura irregularidades na Petrobras na campanha deste ano.

Dominado 2 Contribuíram ainda com outros sete líderes partidários, da base aliada e da oposição, que também participam de reuniões da comissão. As doações somam R$ 3,9 milhões.

Canoa furada Questionado por policiais no fim de semana se a Enegevix havia superfaturado obras da refinaria de Abreu e Lima, o diretor Newton Prado Junior lamentou: "Posso dizer pelo meu contrato: o prejuízo hoje é de R$ 369 milhões".

Alhos e bugalhos Nos últimos interrogatórios de dois dirigentes da Queiroz Galvão, policiais se confundiram e os questionaram sobre contratos da Galvão Engenharia. "Não tem nada a ver", rebateu o diretor Ildefonso Colares Filho.

Saudade de casa Os executivos das empreiteiras que prestaram depoimento no fim de semana --e estão presos e, muitas vezes, dormindo em colchões no chão-- disseram receber salários de até R$ 3 milhões por ano.

Sonoterapia Depois de se recuperar de um voo que passou até pelo Alasca, Dilma Rousseff deve chamar Aloizio Mercadante (Casa Civil) e José Eduardo Cardozo (Justiça) para discutir o novo ministério e ecos da Lava Jato.

Empate Petistas preveem que os atos em São Paulo pedindo impeachment da presidente não vão cessar por ora. Acham que o partido precisa estimular manifestações dos movimentos sociais, como a da semana passada.

Fazendo escola A Telebras avisou ao mercado na semana passada que, apesar de dedicar "os melhores recursos e esforços que estão ao seu alcance", ainda não conseguiu publicar suas demonstrações financeiras dos três primeiros trimestres.

 

Faz hoje um mês que Dilma admitiu pela primeira vez a possibilidade de haver desvios na Petrobras; antes, ela acusava mera conspiração dos que queriam privatizar a empresa. Vejam o que está em curso! Ou: Dilma vai criar galinhas, como o último imperador romano?

O tempo passa, e as coisas só pioram na Petrobras e no Brasil. A presidente Dilma se comporta como o último imperador romano, que, no fim da linha, preferia cuidar de galinhas. Ocorre que esta senhora, que encerra melancolicamente o seu mandato, terá mais quatro anos — caso cumpra o calendário e não seja atropelada pela lei. A entrevista concedida nesta segunda por Graça Foster, presidente da estatal, evidencia que o governo perdeu o pé da situação. Raramente se viu soma tão robusta de sandices. Para piorar, as denúncias chegam à atual diretoria da empresa: segundo Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, José Carlos Cosenza, atual diretor de Abastecimento e substituto do próprio Costa, também recebeu propina. Ele nega. E tudo pode sempre piorar: surgiram sinais de que o esquema criminoso pode ter atuado também na Eletrobras, cujas ações despencaram nesta segunda.

Obviamente, não vou eu aqui afirmar a culpa de Cosenza. Denúncias precisam ser provadas para que possam ter consequência penal. Ocorre que esse caso tem mais do que a esfera puramente criminal. Será que a Petrobras aguenta ter um alto membro da atual diretoria sob suspeita? Não é o mais recomendável para uma empresa que não consegue divulgar números de seu balanço trimestral e que já enfrenta sinais de que terá dificuldades para se financiar no mercado externo em razão da falta de credibilidade.

Cosenza estava ontem no evento-entrevista que Graça organizou, compondo a mesa da diretoria da Petrobras. Que a roubalheira comeu solta na empresa — seja ou não para financiar partidos —, isso já está comprovado. Um único gerente, Pedro Barusco, fez acordo de delação premiada e aceitou devolver US$ 97 milhões — o correspondente a R$ 252 milhões. Seu chefe, no entanto, Renato Duque, homem de José Dirceu na empresa e ex-diretor da cota do PT, afirma não saber de nada e se nega a colaborar com as investigações. Assim, se formos nos fiar nas palavras de Duque, devemos acreditar que seu subordinado conseguiu a proeza de amealhar R$ 252 milhões fazendo falcatruas às escondidas do chefe.

O processo será longo. Estamos só no começo. Pensem, por exemplo, que o caso vai mesmo esquentar quando aparecerem os nomes dos políticos, que estão se acumulando lá o STF. Aí é que vocês verão a barafunda.

Desde o começo da crise, tenho chamado a atenção para o óbvio: por que a prática seria diferente nas demais estatais se os atores são os mesmos, se a política é a mesma, se os critérios são os mesmos? Surgiu o primeiro elemento que pode indicar que os criminosos atuaram também na Eletrobras — e sabe-se lá onde mais. A presidente brinca com o perigo.

Para começo de conversa, deveria intervir já — e não mais tarde — na Petrobras. Está na cara que Graça Foster perdeu a condição de presidir a empresa. Cosenza tem de ser afastado não porque esteja comprovada a sua culpa, mas porque a estatal não pode conviver com desconfiança. Evidenciada a sua inocência, que volte.

Um mês
Vejam vocês: hoje, 18 de novembro, faz exatamente um mês que Dilma admitiu pela primeira vez a possibilidade de haver desvios na Petrobras. E ainda o fez daquele modo rebarbativo. Disse então: “Se houve desvio de dinheiro público, nós queremos ele de volta. Se houve, não; houve, viu?”. Até o dia anterior, ela atribuía as críticas aos desmandos na empresa à pressão dos que quereriam privatizá-la.

Dilma terá dias bem difíceis pela frente. O show de horrores está só no começo. Imaginem quando começarem a sair do armário os esqueletos das contas secretas no exterior, onde foi depositada parte da propina. Uma única conta de Barusco da Suíça teve bloqueados US$ 20 milhões. Na delação premiada, Youssef se prontificou a ajudar a PF a chegar inclusive a contas que pertenceriam ao PT. Se elas existem ou existiram, a cobra vai piar.

Por Reinaldo Azevedo

 

Delatores implicam atual diretor da Petrobras em esquema

Na VEJA.com:
Por Daniel Haidar, na VEJA.com:O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef acusaram o atual diretor de Abastecimento da estatal, José Carlos Cosenza, de participação no esquema de cobrança de propinas a fornecedores da petrolífera. As acusações serviram de base às perguntas feitas durante os interrogatórios dos diretores presos das empreiteiras suspeitas de participar do petrolão, como ficou conhecido o esquema de desvio de recursos dos cofres da estatal para o bolso de políticos e partidos. Os depoimentos vieram a público nesta segunda-feira.

“Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef mencionaram a existência de pagamento de comissões pelas empreiteiras que mantinham contratos com a Petrobras, tendo como beneficiários além deles próprios, os diretores Duque, Cerveró e Cosenza, bem como alguns agentes políticos. Tem conhecimento destes pagamentos e de quem eram seus beneficiários?”, perguntou o delegado Agnaldo Mendonça Alves aos executivos interrogados no fim de semana.

Othon Zanoide de Moraes Filho e Ildefonso Colares Filho, diretores da Queiroz Galvão, e Newton Prado Júnior e Carlos Eduardo Strauch Aubero, diretores da Engevix, negaram o pagamento de propina a qualquer pessoa ou a participação em cartel para fraudar licitações e combinar propostas à estatal. Eles responderam às perguntas da Polícia Federal de forma evasiva, confirmaram que mantinham contatos com Youssef, mas não explicaram repasses feitos pelas empresas às firmas do doleiro. Prado Júnior chegou a afirmar que os contratos com o doleiro foram firmados pelos sócios da Engevix: “Foi um contrato que foi orientado pelos sócios. O objeto do contrato é consultoria em nível estratégico e empresarial que foi prestada no nível dos sócios, ou seja, seria prestada diretamente aos sócios”.

Interrogados nesta segunda-feira, José Adelmário Pinheiro Filho, Mateus Coutinho de Sá Oliveira, José Ricardo Nogueira Breghirolli, Alexandre Portela Barbosa e Agenor Franklin Magalhães Medeiros, diretores da OAS, preferiram ficar em silêncio. Os executivos serão ouvidos até terça-feira, quando vencem os prazos de prisão de 17 presos.

Por Reinaldo Azevedo

 

Aliados pressionam Dilma por nome de ministro

Pressão para nomear titular da Fazenda

Pressão para nomear novo titular da Fazenda

A pressão de governistas – principalmente do PT e do PMDB – para que Dilma Rousseffanuncie o novo ministro da Fazenda vai aumentar a partir de hoje, com seu retorno a Brasília.

A análise de aliados é que o governo precisa de uma nova agenda, que o retire da paralisia em que está mergulhado desde o fim das eleições e na qual só faz submergir.

Por Lauro Jardim

Fonte:
Folha de S. Paulo + VEJA

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