CPI quebra sigilo de tesoureiro do PT e convoca afilhado de Dirceu

Publicado em 18/11/2014 20:09 365 exibições
Empreiteiras: papéis desabam com Lava Jato; OAS implode (veja.com)

Congresso

CPI quebra sigilo de tesoureiro do PT e convoca afilhado de Dirceu

Deputados e senadores chamaram Renato Duque, preso desde a última sexta-feira, e Sérgio Machado, presidente licenciado da Transpetro

Gabriel Castro, de Brasília
João Vaccari Neto

João Vaccari Neto (Lula Marques/Folhapress/VEJA)

(Atualizado às 17h)

A CPI mista da Petrobras aprovou nesta terça-feira a quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônico do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Ele é apontado pelo doleiro Alberto Yousseff como um dos beneficiários da quadrilha instalada na Petrobras. Foram 12 votos favoráveis e 11 contrários.

Os petistas protestaram e pediram a aprovação de um requerimento que quebrava o sigilo dos tesoureiros de todos os partidos que receberam doações das empreiteiras envolvidas – o que, das siglas com bancada no Congresso, livraria apenas o PSOL. Mas o texto não foi colocado em votação.

O sigilo de Vaccari foi quebrado com o apoio de parlamentares de partidos aliados, como Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) e Enio Bacci (PDT-RS).

A CPI também aprovou nesta terça a realização de uma acareação entre Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró, ex-diretores da área internacional da Petrobras, e a convocação de Ildo Sauer, ex-diretor de gás e energia da empresa.

Também foi aprovada na comissão a convocação de Renato Duque, ex-diretor de Serviços da estatal. Indicado pelo ex-ministro José Dirceu para o cargo, que ocupou entre 2003 e 2012, ele foi preso na última sexta-feira em mais uma etapa da Operação Lava Jato.

Na semana passada, governistas se articularam para barrar a convocação de Duque. Agora, com a prisão do ex-diretor, a base aliada votou a favor e o pedido foi aprovado por unanimidade. "É alguém que está preso e tem informações preciosas para o fechamento dos trabalhos", disse o senador Wellington Dias (PT-PI). 

Duque é investigado por integrar o esquema bilionário de desvios em contrato da Petrobras com empreiteiras e outras companhias. Os recursos eram usados para abastecer caixas do PT, PP e PMDB. 

A comissão também aprovou por unanimidade um requerimento que convoca Sérgio Machado, presidente licenciado da Transpetro, a falar à CPI.

Agora, os líderes vão se reunir para acertar o cronograma de depoimentos. O prazo é curto. Além disso, a continuidade dos trabalhos pelas próximas semanas não está assegurado. A oposição ainda reúne assinaturas para assegurar a renovação da CPI por um mês a partir de 23 de novembro, quando o prazo original se encerraria. De qualquer forma, os trabalhos do Congresso devem terminar em 22 de dezembro. Por isso, os oposicionistas também se articulam para criar uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito no início de 2015. A ideia é aproveitar os dados obtidos pela CPI atual.

Cunhada de tesoureiro do PT recebeu R$ 244 mil

Documento apreendido foi citado em interrogatório do presidente da OAS

João Vaccari Neto

João Vaccari Neto, tesoureiro do PT (Lula Marques/Folhapress/VEJA)

Uma planilha apreendida pela Polícia Federal indica que Marice Correa de Lima, cunhada do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, recebeu 244 200 reais do doleiro Alberto Youssef. A planilha foi citada pela Polícia Federal ao inquirir o presidente da OAS, José Adelmário Pinheiro Filho.

A PF perguntou ao empresário se os valores foram realmente pagos a Marice e também se ele conhece Vaccari, mas o presidente da OAS não respondeu a nenhuma das 43 perguntas feitas pelos delegados da Operação Lava Jato. Léo Pinheiro, como é conhecido o presidente da OAS, preferiu ficar calado, seguindo orientação dos seus advogados. Ele foi preso na sexta-feira pela sétima fase da operação que investiga corrupção na Petrobras.

Leia também: CPI aprova quebra de sigilo de Vaccari

A cunhada de Vaccari também teria recebido 110 000 reais da OAS, segundo troca de mensagens interceptadas pela PF. O dinheiro foi entregue no apartamento dela em São Paulo, em dezembro de 2013. Os dados da planilha indicam que os outros valores foram entregues no dia 3 de dezembro de 2013. Ela foi conduzida à PF para prestar depoimento na última sexta-feira, mas foi solta em seguida. Marice Correa é filiada ao PT paulista e trabalha na Confederação Sindical de Trabalhadores das Américas, um órgão ligado à CUT.

A PF questionou ainda o presidente da OAS sobre o destino dos 3% que eram acrescidos pelas empreiteiras nas obras contratadas pela Petrobras. Quis saber se ele conhecia Nestor Cerveró, ex-diretor da área internacional da Petrobras. E, ainda, se tinha conhecimento sobre a offshore Santa Tereza que teria recebido 4,8 milhões de dólares da OAS African Investment Limited.

A PF pediu à Justiça para estender a prisão temporária de Pinheiro Filho por mais cinco dias. O Ministério Público solicitou converter a prisão temporária em preventiva, para a qual não há prazo de soltura. A Justiça ainda não se manifestou a respeito.

(Com Estadão Conteúdo)

 

PF pede prorrogação da prisão de empresários

Renato Duque, ex-diretor da Petrobras indicado pelo PT, também teve o pedido de manutenção da prisão solicitado; juiz decidirá ainda nesta terça

A Polícia Federal encaminhou nesta terça-feira à 13ª Vara Criminal do Paraná pedido de prorrogação da prisão temporária de seis envolvidos no esquema do petrolão, entre eles o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque. A decisão sobre a liberdade ou não de cada um deverá ser tomada pelo juiz Sergio Moro ainda nesta terça-feira.

O Ministério Público Federal também se manifestou favorável à manutenção de parte dos suspeitos de envolvimento no petrolão. Em documento enviado ao juiz Sergio Moro, os procuradores da República defendem que continuem detidos o ex-diretor da Petrobras Renato Duque, os executivos da Camargo Corrêa Dalton Avancini (presidente) e João Ricardo Auler, o diretor financeiro da OAS Mateus Coutinho de Sá Oliveira, o advogado Alexandre Portela Barbosa, o presidente da OAS José Aldemário Pinheiro Filho e o presidente da UTC, Ricardo Pessoa. Ao embasar os pedidos de prorrogação das prisões, os procuradores apontam ainda haver risco de fuga de Renato Duque caso ele seja colocado em liberdade. O MP também defende que continuem presos, por exemplo, Othon Zanoide de Moraes Filho, Ildefonso Colares Filho e Jayme Alves de Oliveira Filho.

Ao defender a prorrogação da prisão por mais cinco dias, a PF afirma haver indícios de vazamento de parte da operação, o que teria beneficiado os suspeitos, e destaca que, desde a prisão de executivos e ex-diretores da Petrobras na última sexta-feira, ainda não foi possível analisar todos os documentos e dados apreendidos a partir dos mandados judiciais nem explorar possíveis contradições, como a participação e responsabilidade de Renato Duque no esquema criminoso.

“Não foi possível estabelecer o confronto de eventuais declarações divergentes, como por exemplo no caso de Renato de Souza Duque, bem como a análise, embora preliminar, do material apreendido, a partir de um questionamento específico aos presos, acerca de eventuais documentos arrecadados”, diz a PF no pedido enviado à Justiça.

No documento, o delegado Márcio Adriano Anselmo se manifesta ainda pela liberdade de outros nove suspeitos de integrar o esquema: Ednaldo Alves da Silva (UTC), Carlos Eduardo Strauch Albero (diretor da Engevix), Newton Prado Junior (diretor da Engevix), Otto Garrido Sparenberg (diretor da IESA), Jayme Oliveira Filho (ligado ao doleiro Alberto Youssef), Valdir Lima Carreiro (diretor-presidente da IESA), Othon Zanoide de Moraes Filho (diretor da Queiroz Galvão), Ildefonso Colares Filho (ex-diretor-presidente da Queiroz Galvão) e Carlos Alberto da Costa Silva (UTC).

 

Petrolão: 5 delatores já aceitaram devolver R$ 425 milhões

Desse total, mais de 350 milhões de reais serão devolvidos por apenas três investigados: Paulo Roberto Costa, Alberto Youssef e Pedro Barusco

 Os acordos de delação premiada fechados até agora pelos investigados na Operação Lava Jato da Polícia Federal podem devolver aos cofres públicos 425 milhões de reais. Esse é o montante que cinco delatores já aceitaram restituir ao país em troca de eventual redução de pena. E o número pode crescer, uma vez que há pelo menos nove acordos de delação premiada no âmbito da Lava Jato. Desse total, mais de 350 milhões de reais serão devolvidos por apenas três investigados: o ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa, o doleiro Alberto Youssef e o ex-gerente de serviços da Petrobras Pedro Barusco. A seguir, a lista dos delatores – e quanto cada um terá de devolver aos cofres públicos.

 

Empreiteiras: papéis desabam com Lava Jato; OAS implode

Apesar da má fama de que gozam no Brasil, as empreiteiras brasileiras sempre tiveram um público fiel no mercado de dívida internacional, onde os investidores compram seus títulos atraídos pelo fluxo de caixa relativamente confiável dos seus projetos.

Até que, nos últimos dias, a Lava Jato começou a mudar isso.

De quarta-feira para cá, os títulos da dívida de empreiteiras e empresas de perfuração de petróleo controladas por elas despencaram, aumentando o custo de captação dessas empresas e deixando nervosos os investidores que detêm os papéis.

Os títulos ‘perpétuos’ da OAS (uma dívida sem vencimento) implodiram. Caíram de 89,5 centavos de dólar na quarta passada para 70 centavos ontem e 60 centavos hoje, fazendo com que o rendimento dos títulos chegasse a 27% ao ano – um nível de taxa similar ao dos títulos da Venezuela e que indica que a empresa perdeu o acesso ao mercado de capitais. Foi, de longe, a maior queda entre os títulos de empreiteiras (veja tabela abaixo).

Durante a tarde, a Moody’s reafirmou o rating da OAS mas disse que a perspectiva agora é negativa — ou seja, um downgrade pode estar a caminho. A Moody’s cortou o rating da Mendes Júnior e sinalizou que ela pode sofrer um novo corte.

As empresas de perfuração sofreram menos que a OAS porque, em geral, esses títulos foram emitidos para financiar navios-plataformas de exploração de petróleo, de forma que o pagamento dos juros dos títulos é “casado” com o aluguel que a Petrobras paga pelo navio.  Assim, o risco de inadimplência continua baixo.  No caso da OAS, os investidores estão expostos ao risco comercial da empresa, sem garantias.

A queda nos preços dos títulos também aumenta a tensão entre os bancos brasileiros, a maioria dos quais têm créditos contra as empreiteiras.

“O mercado está precificando que a Petrobras vai cancelar os contratos deles e que isso potencialmente vai fazer a alavancagem [o endividamento] explodir,” disse um corretor que trabalha no mercado de dívida. “A grande questão é se a Polícia e o Ministério Público vão atrás dos executivos e deixarão as empresas em paz — como aconteceu com o Banco BMG no caso do mensalão — ou se eles vão atrás das empresas também.”

Gabriel DeSanctis, editor-chefe da REDD, uma agência especializada no mercado de dívida e reestruturação de empresas, diz que “o mercado está precificando o ‘desconhecido conhecido’” mas que a coisa pode piorar. “Se as empresas de perfuração perderem contratos, algumas das mais alavancadas podem ter sérios problemas financeiros.”

bonds-empreiteiras

Por Geraldo Samor

 

Faz hoje um mês que Dilma admitiu pela primeira vez a possibilidade de haver desvios na Petrobras; antes, ela acusava mera conspiração dos que queriam privatizar a empresa. Vejam o que está em curso! Ou: Dilma vai criar galinhas, como o último imperador romano?

O tempo passa, e as coisas só pioram na Petrobras e no Brasil. A presidente Dilma se comporta como o último imperador romano, que, no fim da linha, preferia cuidar de galinhas. Ocorre que esta senhora, que encerra melancolicamente o seu mandato, terá mais quatro anos — caso cumpra o calendário e não seja atropelada pela lei. A entrevista concedida nesta segunda por Graça Foster, presidente da estatal, evidencia que o governo perdeu o pé da situação. Raramente se viu soma tão robusta de sandices. Para piorar, as denúncias chegam à atual diretoria da empresa: segundo Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, José Carlos Cosenza, atual diretor de Abastecimento e substituto do próprio Costa, também recebeu propina. Ele nega. E tudo pode sempre piorar: surgiram sinais de que o esquema criminoso pode ter atuado também na Eletrobras, cujas ações despencaram nesta segunda.

Obviamente, não vou eu aqui afirmar a culpa de Cosenza. Denúncias precisam ser provadas para que possam ter consequência penal. Ocorre que esse caso tem mais do que a esfera puramente criminal. Será que a Petrobras aguenta ter um alto membro da atual diretoria sob suspeita? Não é o mais recomendável para uma empresa que não consegue divulgar números de seu balanço trimestral e que já enfrenta sinais de que terá dificuldades para se financiar no mercado externo em razão da falta de credibilidade.

Cosenza estava ontem no evento-entrevista que Graça organizou, compondo a mesa da diretoria da Petrobras. Que a roubalheira comeu solta na empresa — seja ou não para financiar partidos —, isso já está comprovado. Um único gerente, Pedro Barusco, fez acordo de delação premiada e aceitou devolver US$ 97 milhões — o correspondente a R$ 252 milhões. Seu chefe, no entanto, Renato Duque, homem de José Dirceu na empresa e ex-diretor da cota do PT, afirma não saber de nada e se nega a colaborar com as investigações. Assim, se formos nos fiar nas palavras de Duque, devemos acreditar que seu subordinado conseguiu a proeza de amealhar R$ 252 milhões fazendo falcatruas às escondidas do chefe.

O processo será longo. Estamos só no começo. Pensem, por exemplo, que o caso vai mesmo esquentar quando aparecerem os nomes dos políticos, que estão se acumulando lá no STF. Aí é que vocês verão a barafunda.

Desde o começo da crise, tenho chamado atenção para o óbvio: por que a prática seria diferente nas demais estatais se os atores são os mesmos, se a política é a mesma, se os critérios são os mesmos? Surgiu o primeiro elemento que pode indicar que os criminosos atuaram também na Eletrobras — e sabe-se lá onde mais. A presidente brinca com o perigo.

Para começo de conversa, deveria intervir já — e não mais tarde — na Petrobras. Está na cara que Graça Foster perdeu a condição de presidir a empresa. Cosenza tem de ser afastado não porque esteja comprovada a sua culpa, mas porque a estatal não pode conviver com desconfiança. Evidenciada a sua inocência, que volte.

Um mês
Vejam vocês: hoje, 18 de novembro, faz exatamente um mês que Dilma admitiu pela primeira vez a possibilidade de haver desvios na Petrobras. E ainda o fez daquele modo rebarbativo. Disse então: “Se houve desvio de dinheiro público, nós queremos ele de volta. Se houve, não; houve, viu?”. Até o dia anterior, ela atribuía as críticas aos desmandos na empresa à pressão dos que quereriam privatizá-la.

Dilma terá dias bem difíceis pela frente. O show de horrores está só no começo. Imaginem quando começarem a sair do armário os esqueletos das contas secretas no exterior, onde foi depositada parte da propina. Uma única conta de Barusco da Suíça teve bloqueados US$ 20 milhões. Na delação premiada, Youssef se prontificou a ajudar a PF a chegar inclusive a contas que pertenceriam ao PT. Se elas existem ou existiram, a cobra vai piar.

Por Reinaldo Azevedo

 

Fonte:
veja.com

RECEBA NOSSAS NOTÍCIAS DE DESTAQUE NO SEU E-MAIL CADASTRE-SE NA NOSSA NEWSLETTER

0 comentário