Bovespa acumula queda de 4,7% em três dias com Petrobras e Vale liderando as perdas

Publicado em 10/12/2014 17:03 e atualizado em 13/12/2014 06:32 91 exibições

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Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - A Bovespa fechou em queda nesta quarta-feira pelo terceiro dia consecutivo, com o Ibovespa renovando mínima desde março, abaixo dos 50 mil pontos.

A queda dos papéis da Petrobras exerceram forte pressão negativa no índice, em meio à queda acentuada do petróleo e à apreensão de investidores quanto a potenciais desdobramentos de ações judiciais contra a empresa nos Estados Unidos.

O quadro desfavorável no exterior também abriu espaço para realização de lucros em ações com relevante peso no índice, como as dos bancos Itaú e Bradesco, que acumulam valorização próxima de 30 por cento no ano em 2014.

O recuo de Vale também pesou, com preço do minério de ferro negociado na China aproximando-se do piso em mais de cinco anos, enquanto dados de inflação chinesa corroboraram o cenário de desaceleração do país.

TIM Participações, por sua vez, disparou no final da sessão e fechou em alta de 11,3 por cento, após reportagem da Bloomberg de que as rivais Oi, a Telefónica, dona da Vivo, e Claro, preparam oferta de 15 bilhões de dólares pela operadora.

Nesse contexto, o Ibovespa fechou em baixa de 1,29 por cento, a 49.548 pontos, no menor patamar de fechamento desde 26 de março. O giro financeiro do pregão somou 5,5 bilhões de reais. No mês, o índice acumula perda de 9,46 por cento.

"A pressão em commodities está bem visível no mercado local, com Petrobras e Vale liderando as quedas, a despeito dos patamares já deprimidos", observou o operador Thiago Montenegro, da Quantitas Asset Management. No ano, as preferenciais da Petrobras e da Vale acumulam perda de 33 a 44 por cento, respectivamente.

"A nova equipe econômica ainda está lenta em mobilizar a confiança dos agentes, mas acho que o que está sendo preponderante é o cenário de excesso de oferta de commodities para os próximos anos e o quanto as grandes empresas brasileiras estão no contrapé do ciclo", avaliou.

Em Wall Sreet, a queda das ações do setor de energia pressionavam os principais índices acionários, preços do petróleo voltavam a atingir a mínima em cinco anos. O S&P 500 caía 1,35 por cento, enquanto o contrato de petróleo nos EUA encerrou em baixa de 4,5 por cento, a 60,94 dólares o barril.

O petróleo foi pressionado, entre outros fatores, pela previsão da Opep de menor demanda para a commodity em 2015.

Nesse ambiente, as ações da Petrobras renovaram os menores níveis desde 2005, com as preferenciais caindo 4,7 por cento, a 10,83 reais, e as ordinárias recuando 4,17 por cento, a poucos dias da divulgação do balanço não auditado do terceiro trimestre na sexta-feira.

No front corporativo, Cemig caiu 3,3 por cento, após a ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Assusete Magalhães pedir vista no processo que analisa a prorrogação da concessão da hidrelétrica Jaguara por mais 20 anos.

ALL fechou em alta de 1 por cento após o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) divulgar parecer contra a união da transportadora ferroviária e da Rumo Logística, do grupo de infraestrutura e energia Cosan.

Para a equipe da corretora Brasil Plural, o acordo será aprovado com restrições, que poderiam dar maior transparência sobre preços, tarifas e volumes movimentados por tipo de carga, com o cenário mais negativo contemplando exigência de garantias pelo Cade de capacidade para determinados setores.

Em nota a clientes, o BTG Pactual citou como positivo para a ALL a notícia de que a Conab elevou em 5,8 por cento a previsão da safra de soja do Brasil 2014/15, para um recorde de 95,8 milhões de toneladas.

Fora do Ibovespa, Eneva caiu 33,8 por cento após a empresa de energia elétrica controlada pela alemã E.ON entrar com pedido de recuperação judicial porque não conseguiu renovar acordo com bancos credores.

 

 

A aversão ao risco global imputou o terceiro pregão consecutivo de perdas à Bovespa nesta quarta-feira - o sexto em oito sessões neste mês. As vendas foram disseminadas, mas o contínuo recuo do preço do petróleo manteve Petrobrás como um dos principais destaques negativos da sessão. A saída do investidor estrangeiro, entretanto, passou por outros setores, como o financeiro, o que detém maior fatia da composição do Ibovespa.  

Nova queda no preço do petróleo manteve a Petrobrás como um dos principais destaques negativos; ação da estatal recuou mais de 4% (estadão)


A Bolsa paulista terminou a sessão com baixa de 1,27%, aos 49.555,24 pontos - menor nível desde 26 de março (47.965,61 pontos). Na mínima, registrou 49.297 pontos (-1,79%) e, na máxima, marcou 50.192 pontos (estabilidade). No mês, acumula perda de 9,45% e, no ano, de 3,79%. Nesta semana de sucessivas perdas, já caiu 4,69%. O giro financeiro totalizou R$ 5,559 bilhões. 

A fuga do risco foi motivada pelas preocupações com a economia chinesa e também pelas incertezas políticas na Grécia, depois que o país anunciou que o Parlamento deve votar para um novo presidente em 17 de dezembro, antecipando em dois meses o prazo previsto. 

Na China, os indicadores inflacionários ficaram abaixo das previsões e sinalizaram fraqueza da segunda maior economia do planeta. Isso prejudicou o preço das commodities, como minério e petróleo, sendo que neste último caso os dados de produção da Opep e de estoques nos EUA também imputaram um forte movimento vendedor do ativo. O contrato para janeiro do petróleo negociado na Nymex fechou em baixa de 4,51%, US$ 60,94 o barril. 

Petrobrás ON caiu 4,17%, a R$ 10,11, menor nível desde 16 de maio de 2005 (R$ 9,86, ajustada por proventos). Petrobrás PN recuou 4,67%, a R$ 10,83, patamar mais baixo desde 11 de novembro de 2005 (R$ 10,78, ajustada por proventos). Os dados são da Economatica.

Vale recuou 3,72% e Vale PNA 3,74%. No setor financeiro, Bradesco PN cedeu 2,91%, Itaú Unibanco PN, 1,51%, BB ON, 4,89%, Santander unit, 1,95%. 

Nos EUA, as bolsas operavam com queda firme no horário de fechamento da Bovespa, prejudicadas pela aversão ao risco e pelo preço fraco do petróleo. Às 17h31, os índices estavam nas mínimas, com Dow Jones em -1,46%, S&P, -1,48% e Nasdaq em -1,43%.

 

Em VEJA: BTG cai com volume forte depois da quebra da Eneva

André EstevesUm lote grande de ações do Banco BTG Pactual foi negociado nesta quarta-feira, horas depois da Eneva (a antiga MPX de Eike Batista) pedir recuperação judicial.

O BTG Pactual tem cerca de 860 milhões de reais de créditos a receber da empresa, pouco mais do que o lucro líquido do banco no último trimestre. A declaração de recuperação judicial obriga as instituições financeiras credoras a provisionar a dívida imediatamente, independentemente das garantias que possam vir a ter. A Eneva tem um passivo com bancos de 2,15 bilhões de reais.

Por volta de 15:30 horas, um investidor vendeu 5,6 milhões de ações do BTG a 26,65 reais, queda de 3,8%. Outros investidores aderiram ao leilão, e o volume negociado no dia passou de 8 milhões de ações. Para se ter uma ideia do que isto representa, a média diária de negociação do BTG é de apenas 1 milhão de ações. O papel fechou em queda de 3%.

“Nesse momento, está tudo contra o banco,” disse um gestor. “A atividade de banco de investimento está muito fraca por causa da economia, e o private equity está cheio de problemas.”

Várias empresas investidas pelo private equity do BTG precisaram ou precisam de novas injeções de capital — incluindo a Brasil Pharma, a Estre Ambiental e o Banco Pan (antigo Panamericano) — num momento em que os mercados de dívida e de equity se encontram fechados.

O BTG controla ou tem participações minoritárias em 31 empresas de 13 setores, algumas com capital próprio, outras gerindo fundos de terceiros. Carlos Fonseca, o chefe da área de private equity do banco, já foi chamado na imprensa de “o homem de R$ 30 bilhões”, uma referência ao valor investido pelo banco nessas participações.

O BTG — onde reina uma cultura empresarial em que os executivos se sentem donos do negócio — tem feito esforços para se diversificar e garantir fluxos de receitas mais estáveis.

Em julho deste ano, o BTG comprou a BSI, uma gestora de recursos suíça, por 1,5 bilhão de francos suíços. A aquisição dobrou os ativos sob gestão do BTG para mais de 200 bilhões de dólares, dando ao banco uma receita relativamente estável em comissões e taxas de administração de fundos, bem como a oportunidade de vender seus produtos para novos clientes.

Ainda assim, o resultado do banco continua dependendo fortemente da robustez do mercado de capitais brasileiro, do sucesso de seus investimentos ilíquidos e ganhos de tesouraria.

Apesar de ser muito mais um banco de investimentos do que um banco de varejo, historicamente as ações do BTG performaram em linha com os outros bancos, mas se descolaram dos dois maiores — Itaú e Bradesco — no fim de outubro. “Depois da reeleição da Dilma, ficou claro que o mercado de capitais ainda vai ficar ruim por um bom tempo,” o que deprime os resultados do banco, disse um outro gestor.

No ano, a ação do BTG cai 2,5% enquanto Bradesco e Itaú sobem mais de 20% cada.

Por Geraldo Samor

Fonte:
Reuters + estadão + VEJA

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