Dólar fecha em queda e vai abaixo de R$ 3,85 após discurso da presidente do Fed

Publicado em 02/12/2015 16:07

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em leve queda e abaixo de 3,85 reais nesta quarta-feira após o discurso da chair do Federal Reserve, Janet Yellen, vir em linha com as expectativas de operadores, que apostam que o banco central norte-americano deve elevar os juros neste mês, mas adotar postura gradual dali em diante.

O dólar recuou 0,50 por cento, a 3,8355 reais na venda. A moeda norte-americana atingiu 3,8320 reais na mínima da sessão e 3,8765 reais na máxima.

"(O discurso) veio bem em linha com o esperado, praticamente não há surpresas", disse o presidente da empresa de investimentos Libertyview Capital Management, Rick Meckler. "O Fed deu aos investidores muito tempo e muitas direções sobre como pretende (elevar os juros). Se for uma surpresa para você, você não está acompanhando essa história".

Yellen afirmou que o "está esperando" pela alta de juros, que será vista como uma prova da recuperação após a economia atravessar por uma recessão. No texto preparado para seu discurso, ela não indicou se ainda espera que seja justificável que o Fed eleve os juros em sua reunião em duas semanas.

Juros mais altos nos Estados Unidos poderiam atrair para a maior economia do mundo recursos aplicados em países como o Brasil, mas muitos operadores acreditam que o mercado já incorporou esse cenário e passaram a se concentrar no ritmo dos aumentos seguintes. Os juros futuros norte-americanos apontavam chances de mais de 75 por cento de a primeira alta vir neste mês.

No cenário local, investidores evitaram fazer grandes operações enquanto o Congresso votava a mudança da meta de resultado primário de 2015. Pelo segundo dia consecutivo, a Comissão de Ética da Câmara dos Deputados adiou votação do andamento do processo contra o presidente da casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que pode resultar em sua cassação.

O mercado ainda repercutiu positivamente a aprovação na Comissão Mista de Orçamento (CMO) do destaque que incluiu nas receitas do Orçamento de 2016 a previsão de arrecadação vinda da CPMF, no valor de cerca de 10 bilhões de reais. O imposto é considerado crucial para o ajuste fiscal pelo governo e ainda precisa ser recriado por meio de aval do Congresso Nacional.

"O mercado opera hoje com um olho na agenda externa e outro no Congresso Nacional", resumiu o operador da corretora Correparti Jefferson Luiz Rugik.

Pela manhã, o Banco Central deu continuidade à rolagem dos swaps cambiais que vencem em janeiro, vendendo a oferta total de até 11.260 contratos, que equivalem a venda futura de dólares. Ao todo, a autoridade monetária já rolou o correspondente a 1,096 bilhão de dólares, ou cerca de 10 por cento do lote total, equivalente a 10,694 bilhões de dólares.

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Países do G7 concordam em liberar reservas de diesel e petróleo após pressão dos EUA
Fed deve pular alta de juros em outubro com arrefecimento do mercado de trabalho
Ibovespa apaga ganhos com cautela antes de eleições
Nasdaq atinge máxima recorde após dados de emprego nos EUA reduzirem apostas em alta de juros
Nota Oficial: FPA manifesta apoio ao candidato Flávio Bolsonaro
Encomendas à indústria dos EUA têm leve alta em agosto