TEMER CONFIRMA AFASTAMENTO DE JUCÁ DO GOVERNO

Publicado em 23/05/2016 17:07 e atualizado em 23/05/2016 22:38
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É claro que se trata de uma demissão; não existe ministro licenciado de governo interino (por REINALDO AZEVEDO, em VEJA.COM) + FOLHA + G1 + UOL + O GLOBO + ESTADÃO

Brasília - O presidente em exercício Michel Temer (PMDB), distribuiu nota à imprensa nesta noite, informando que o ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Romero Jucá (PMDB), solicitou hoje afastamento de seu cargo, "até que sejam esclarecidas as informações divulgadas pela imprensa".

A saída de Jucá foi em consequência das conversas gravadas divulgadas entre o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, e Romero Jucá, sobre tentativa de barrar a Operação Lava Jato. Temer salienta, na nota, que conta que Jucá continuará, neste período em que se afasta do Ministério e retornar ao Senado, "auxiliando o Governo Federal no Congresso de forma decisiva, com sua imensa capacidade política". Embora oficialmente se diga que assim que o ministério Publico se pronunciar sobre o caso, Jucá poderia retornar ao Planejamento, efetivamente, no Planalto, ninguém acredita nesta hipótese. 

Na nota distribuída à imprensa, Temer fez questão de elogiar a competência de Jucá. "Registro o trabalho competente e a dedicação do ministro Jucá no correto diagnóstico de nossa crise financeira e na excepcional formulação de medidas a serem apresentadas, brevemente, para a correção do déficit fiscal e da  retomada do crescimento da economia", declarou o presidente.

Leia a íntengra da nota:

"O ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Romero Jucá, solicitou hoje afastamento de seu cargo, até que sejam esclarecidas as informações divulgadas pela imprensa. Registro o trabalho competente e a dedicação do ministro Jucá no correto diagnóstico de nossa crise financeira e na excepcional formulação de medidas a serem apresentadas, brevemente, para a correção do déficit fiscal e da  retomada do crescimento da economia. Conto que Jucá continuará, neste período, auxiliando o Governo Federal no Congresso de forma decisiva, com sua imensa capacidade política.

Michel Temer

Presidente da República em Exercício"

 

Na Folha: Após vazamento de gravações sobre Lava Jato, Jucá se licencia do governo (NOTA DIVULGADA AO FINAL DA TARDE...)

O ministro do Planejamento, Romero Jucá, anunciou nesta segunda­feira (23) que está se licenciando do governo do presidente interino Michel Temer.

O anúncio ocorre no mesmo dia em que a Folha divulgou gravações em que Jucá fala em pacto para deter avanço da Lava Jato.

Leia a notícia na íntegra no site da Folha de S. Paulo

No G1: Ministro Romero Jucá anuncia que deixa o cargo a partir desta terça

O ministro Romero Jucá, do Planejamento, anunciou nesta segunda-feira (23) que vai se licenciar do ministério a partir desta terça-feira (24). Embora tenha anunciado "licença", ele afirmou que "tecnicamente" vai pedir exoneração porque voltará a exercer o mandato de senador pelo PMDB-RR.

Jucá disse que, na noite desta segunda, enviará um pedido de manifestação ao Ministério Público Federal, a fim de que o órgão avalie se cometeu algum tipo de crime em relação às conversas gravadas entre ele e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado.

O jornal "Folha de S.Paulo" informou nesta segunda-feira que, em diálogo com Sérgio Machado, Jucá sugere um "pacto" para tentar barrar a Operação Lava Jato. Mais cedo, em entrevista coletiva, Jucá havia dito que não tinha nada a temer não pretendia deixar o comando do ministério.

"Eu vou me licenciar, mas tecnicamente vou pedir exoneração", declarou Jucá. Segundo ele, até que o Ministério Público apresente um parecer, ele permanecerá afastado e recomendará que, durante a "licença", o secretário-executivo Dyogo Oliveira responda pelo Ministério do Planejamento.

"Como há certa manipulação das informações, eu pedi ao meu advogado, doutor Kakay, que prepare um documento, e nós estamos dando entrada hoje [segunda] à tarde para que tenhamos posição do Ministério Público Federal, se há ou não irregularidade, crime na conversa. Na medida em que colocar este documento lá no Ministério Público Federal, vou conversar com o presidente Temer e vou pedir licença do ministério enquanto o Ministério Público não se manifestar", disse.. 

Leia a notícia na íntegra no site do G1.

Temer combinou previamente que amigos incômodos deveriam pedir afastamento, por JOSIAS DE SOUZA (UOL)

Na fase de montagem do ministério, Michel Temer reuniu os amigos para definir o posto que cada um ocuparia no seu governo provisório. Nesse encontro, firmou-se um entendimento prévio: auxiliares que se complicassem em casos de corrupção deveriam tomar a iniciativa de se afastar dos respectivos cargos, evitando constrangimentos ao presidente interino. Auxiliares de Temer cobraram de Jucá que colocasse em prática o que foi combinado. E o ministro viu-se compelido a pedir licença do ministério. A partir desta terça-feira, Jucá estará licenciado por prazo indeterminado. Reassume o mandato de senador.

A licença não foi a primeira opção de Jucá. Abalroado pela gravação em que sugere um pacto para deter a Lava Jato (leia aqui e aqui), Jucá não se dera por achado em entrevista que concedera no final da manhã desta segunda-feira. Afirmara que cabe ao presidente nomear e demitir ministros. “Não vejo nenhum motivo para eu pedir afastamento, me sinto muito tranquilo'', dissera Jucá. “Vou aguardar uma decisão do presidente Michel Temer. Não me sinto atrapalhando o governo.”

Na conversa de Temer com seus amigos, antes da nomeação dos ministros, Jucá havia sido inquirido sobre a Lava Jato e suas relações com a Odebrecht. Dias antes, escalara as manchetes uma planilha apreendida pela Polícia Federal na casa de um executivo da construtora. Nela, os nomes de Jucá e de outros senadores do PMDB foram associados a apelidos e cifras. Ao lado do nome de Jucá, apelidado de “cacique”, foi anotada a cifra de R$ 150 mil, supostamente repassada ao então senador por baixo da mesa.

Dizendo-se tranquilo quanto ao desenrolar das investigações, Jucá afirmara durante a reunião com Temer que não enxergava nenhum impedimento para participar da nova administração. Entre risos, disse que só não admitia ser líder do governo no Senado. Já atuou como líder dos governos FHC, Lula e Dilma. E receava virar motivo de “piada”. Coube a Jucá a estratégica pasta do Planejamento.

Decorridos 12 dias da posse, uma gravação caiu sobre a cabeça de Jucá como um pedaço de laje. Veio de onde menos se esperava. O correligionário Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, negocia um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República.

Além de Jucá, Sérgio Machado também gravou Renan e Sarney (em O GLOBO)

Por LAURO JARDIM

Sérgio Machado não gravou apenas Romero Jucá. O ex-presidente da Transpetro na era PT registrou também áudios de Renan Calheiros e José Sarney.

Nestes dois casos os registros foram feitos em conversas privadas que Machado teve com cada um dos dois, separadamente.

Quem teve acesso aos áudios diz que o que foi revelado hoje em relação a Jucá "não é nada" comparado ao que Renan e Sarney disseram. 

As gravações foram feitas no âmbito da delação premiada que Sérgio Machado está negociando com a Procuradoria-Geral da República desde março. O acordo com a PGR foi selado na semana passada.

Na delação, Machado gravou apenas três políticos: o responsável pela sua indicação para a Transpetro (Renan), Sarney e Jucá. Mas comprometeu outros senadores do PMDB. São eles Jáder Barbalho e Edison Lobão.

Eduardo Cunha, Aécio Neves, José Dirceu e Lula não aparecem nos depoimentos dados por Machado.

A delação de Machado está na mesa do ministro Teori Zavascki, esperando homologação.

Oposição quer usar caso de Jucá para adiar votação da meta fiscal e impeachment. Previsão de rombo de R$ 170,5 bilhões precisa ser votada até o dia 30

BRASÍLIA - A oposição ao presidente interino Michel Temer quer usar a gravação em que o ministro do Planejamento defende um pacto com objetivo de parar a Lava-Jato para adiar a votação da nova meta fiscal, que estava prevista para essa terça-feira. Os parlamentares querem ainda paralisar o processo de impeachment contra a presidente Dilma. 

— Queremos suspender a reunião de amanhã da comissão do impeachment. Não dá para definir a data do julgamento agora. E queremos também suspender a reunião sobre a meta fiscal. Vamos obstruir todas essas questões — disse o senador Lindbergh Farias (PT-RJ).

— Não há clima. Não há confiança em nenhum número que foi lançado para a meta. Não vai ter sessão do Congresso para votar a meta de jeito nenhum — disse a senadora Vanessa Grazziotin (PC do B-AM).

A revisão da meta fiscal, com um déficit de R$ 170,5 bilhões, precisa ser votada até o dia 30 de maio. Caso contrário, o governo interino terá de fazer cortes para buscar cumprir a meta que está em vigor, de superávit de mais de R$ 24 bilhões. A sessão do Congresso para votar a nova meta está convocada para esta terça-feira e nessa tarde o presidente interino deve ir ao Congresso entregar ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) a proposta.

A comissão do impeachment, por sua vez, tem reunião marcada para essa terça-feira para definir o plano de trabalho para a segunda fase do processo. O relator, Antonio Anastasia (PSDB-MG), vai sinalizar um calendário que já estimaria a data do julgamento da presidente afastada Dilma Rousseff.

Na oposição, o PDT também defendeu, nesta segunda-feira, o adiamento da votação da meta fiscal em sessão do Congresso Nacional marcada para esta terça-feira. Ex-ministro das Comunicações do governo Dilma Rousseff, o deputado André Figueiredo (PDT-CE) disse que seria "minimamente adequado" mudar a data para apreciar a revisão da meta, justamente pelo desgaste sofrido pelo ministro do Planejamento, Romero Jucá, um dos principais envolvidos nas negociações para a aprovação da mudança, com um déficit de R$ 170,5 bilhões.

— Vejo que seria minimamente adequado (adiar a votação). Não estamos falando de qualquer ministro, estamos falando do ministro do Planejamento. Então, deveríamos trabalhar nessa perspectiva. Vamos discutir uma matéria dessa importância, com essa nebulosidade, justamente com o Jucá tratando da questão das metas? É muito complicado — disse.

Figueiredo criticou o envolvimento de Jucá em suposta operação para, com a mudança de governo, "estancar a sangria" da Lava-Jato. Ele comparou o caso do ministro ao do ex-senador Delcídio Amaral, cassado por seus pares após ser preso, acusado de obstruir as investigações da Lava-Jato.

— Cabe ao presidente Michel Temer definir isso (se tira Jucá do governo). Mas, se formos levar por analogia o que aconteceu com o ex-senador Delcídio Amaral, seria insustentável o senador Romero Jucá inclusive continuar como senador, são fatos muito semelhantes. Serão dois pesos e duas medidas? Ele tentou literalmente travar as investigações, sinalizando ações que beneficiam outros políticos de renome. Vamos pedir abertura de processo de cassação do mandato do senador Romero Jucá no conselho de ética do Senado — afirmou o ex-ministro.

No ESTADÃO: Em conversa vazada, Jucá afirma que 'caiu a ficha' de líderes do PSDB

Ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado falou que Aécio Neves seria "o primeiro a ser comido"; os dois falam em "esquema Aécio", durante conversa revelada pela Folha de S. Paulo

Além de sugerir a existência de um pacto para obstruir a Operação Lava Jatodurante uma conversa com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, o ministro do Planejamento, Romero Jucá,  também afirmou que "caiu a ficha" de líderes do PSDB. "Todo mundo na bandeja para ser comido", disse Jucá. A conversa foi divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo nesta segunda-feira, 23.

O nome do senador Aécio Neves (PSDB-MG) também aparece no diálogo, como sendo "o primeiro a ser comido". "O Aécio não tem condição, a gente sabia disso, porra. Quem que não sabe? Quem não conhece o esquema do Aécio? Eu, que participei da campanha do PSDB...", falou Machado. "A gente viveu tudo", se limitou a dizer Jucá.

Em entrevista à rádio CBN na manhã desta segunda, Jucá falou que o "esquema Aécio" era referente à articulação que ajudou eleger o senador do PSDB como presidente da Câmara enquanto ele era deputado, entre 2001 e 2002.

Machado, que foi do PSDB antes de se filiar ao PMDB, ressalta que situação é grave porque os investigadores "querem pegar todo mundo". Em resposta, Jucá fala: "acabar com a classe política para ressurgir, construir uma nova casta, pura".

Renan. Jucá também conversa sobre a falta de apoio do presidente do Senado, Renan Calheiros, ao impeachment de Dilma. "Só Renan que está contra essa porra. Porque não gosta do Michel, porque Michel é Eduardo Cunha. Gente, esquece Eduardo Cunha. O Eduardo Cunha está morto, Porra". Machado responde: "Ele ainda não compreendeu que a saída dele é o Michel e o Eduardo.

Defesa. À Folha de S. Paulo, a assessoria de Aécio Neves afirmou que o senador "desconhece e estranha os termos dessa conversa".

 

É claro que se trata de uma demissão; não existe ministro licenciado de governo interino (por REINALDO AZEVEDO)

Romero Jucá se licenciou do Ministério do Planejamento. Trata-se de uma demissão branda. Não existe ministro licenciado de governo interino. Nenhum país suporta tanta provisoriedade. Consta que fica nessa condição até que o Ministério Público se manifeste.

Até que se manifeste sobre o quê? O senador (PMDB-RR) já era investigado. O que se tem agora apenas agrava a sua situação.

Parece-me claro que não volta. Temer só não dá a resposta mais adequada porque o certo seria não haver nenhuma forma de acomodação.

Infelizmente, as explicações dadas pelo senador são pouco verossímeis. Está muito claro o que ele quis dizer — embora a gente saiba que não havia e não há a menor chance de haver interferência na Lava Jato.

 

A desativação do homem-bomba instalado no ministério avisa que Temer não é Dilma (por AUGUSTO NUNES)

O balanço da primeira semana de governo informa que o presidente Michel Temer acertou na escolha da equipe econômica, na mudança de rota da política externa e na recriação do Ministério da Cultura, que removeu um foco de chiliques malandramente explorado pelos que fingem enxergar um “golpe parlamentar” no impeachment de Dilma Rousseff. Os acertos compensaram amplamente escorregões políticos ─ por exemplo, o ministério sem mulheres e a promoção de um prontuário ambulante a líder do governo na Câmara.

O saldo assegurado pela nascimento de um plano econômico consistente e pela morte da diplomacia da canalhice estaria em frangalhos se Romero Jucá fosse dormir ainda ministro. Não porque a turma do quanto pior, melhor conseguiria fôlego para mais algumas horas de gritaria. Esses são um bando de derrotados sem horizontes (e, daqui a pouco, sem emprego nem mesada). Muito mais grave seria a decepção de milhões de brasileiros que já não suportam tanta roubalheira, tanto cinismo, tanta sem-vergonhice.

O Brasil decente não tem bandidos de estimação, e aprendeu que todo corrupto merece cadeia. O que já se sabia do senador por Roraima era suficiente para transformar sua presença no primeiro escalão uma aposta de altíssimo risco. O teor das conversas gravadas divulgadas pela Folha confirmou que Temer teve a seu lado, durante 10 dias, um homem-bomba pronto para explodir um governo recém-nascido. O afastamento de Jucá eliminou o perigo revelado. O presidente precisa agora desativar as minas subterrâneas espalhadas pela Praça dos Três Poderes.

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A saída de Jucá atesta que Temer não é Dilma nem Lula. Em episódios semelhantes, o padrinho e a afilhada sempre tentaram varrer para baixo do tapete a sujeira produzida por bandidos companheiros. Acabaram todos juntos no mesmo lixão.



 

Fonte: Folha de S. Paulo/G1/UOL/O GLOBO

1 comentário

  • João Carlos remedio São José dos Campos - SP

    Se o STF não der o mesmo tratamento que foi dado ao Delcidio, ou seja, PRISÃO IMEDIATA do Romero Jucá, será a desmoralização total daquela Corte. Ainda acredito nas Instituições brasileiras!

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    • WELLINGTON ALMEIDA RODRIGUESSUCUPIRA - TO

      Tem sempre os protegidos João tem sempre um mais malandro q o outro e difícil confiar em alguém naquele congresso...

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