Na FOLHA: Renan diz que Lula não foi processado no mensalão por falta de investigação

Publicado em 27/05/2016 23:28 e atualizado em 28/05/2016 18:06
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"...Ele tem 30 milhões em caixa".. (na gravação entre Sergio Machado e Renan Calheiros), na edição deste sábado, da FOLHA DE S. PAULO. e JORNAL HOJE, da TV GLOBO, revela novo aúdio: "Lula vê escolha de Dilma como seu erro mais grave, diz Sarney.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia "saído", ou seja, não processado no caso do mensalão porque os pagamentos ao marqueteiro Duda Mendonça no exterior não foram investigados a fundo quando vieram a público, em 2005.

A declaração foi feita em uma das conversas mantidas em março passado com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, que gravou diálogos e os entregou ao Ministério Público Federal.

Em 2005, Duda, que havia trabalhado na vitoriosa campanha de Lula em 2002, reconheceu, em depoimento prestado à CPI dos Correios, que havia recebido no exterior cerca de R$ 10 milhões em esquema de caixa dois. Na época, Duda afirmou que o dinheiro havia sido transferido pelo publicitário mineiro Marcos Valério Souza, pivô do escândalo do mensalão.

Na conversa com Machado, ocorrida em março passado, que foi gravada como parte de um acordo de delação premiada de Machado com a PGR (Procuradoria-Geral da República), Renan procurou explicar "por que o Lula saiu": "O Duda fez a delação, e disse que recebeu o dinheiro fora. E ninguém nunca investigou quem pagou, né? Este é que foi o segredo".

Na sequência da conversa, Machado afirma que, durante seu governo, Lula "não fez", provável referência a não ter cometido irregularidades, porém "quando chegou no final do governo botou na real". "Caiu na real", concordou Renan.

Segundo Machado, foram feitas "umas merdas, um sítio merda, um apartamento merda", citações ao sítio de Atibaia (SP) frequentado por Lula e a um apartamento da Bancoop, cooperativa de bancários, construído pela OAS no Guarujá (SP).

"Apartamento bancário!", ironizou Renan. "Duzentos metros quadrados, Renan. Quer dizer, foi uma cagada enorme", disse Machado. Segundo ele, Lula, além de Sérgio Gabrielli e "uma turma", "armaram" a criação da empresa Sete Brasil, empresa constituída em 2010, último ano do segundo governo de Lula, voltada para a construção de navios-sonda para exploração do pré-sal brasileiro.

No mesmo diálogo, Machado indagou a Renan se o advogado Eduardo Ferrão, defensor do senador, realmente tinha influência, se tinha "força", sobre o ministro do STF Teori Zavascki, relator da Lava Jato no tribunal. Renan corrigiu: "Acesso. Nesse primeiro momento é o acesso".

Não há indícios, nas gravações até aqui reveladas, de que Ferrão tenha de fato tentado influir o ministro Teori. Em outra conversa gravada, pelo contrário, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) diz que não tem acesso a Teori, que seria uma pessoa "fechada".

Em diálogo revelado pela TV Globo, Machado e Renan tratam ainda da recondução de Rodrigo Janot ao cargo de procurador-geral da República. O senador diz que foi contra a recondução.

DILMA

Machado culpou a presidente agora afastada Dilma Rousseff pela crise política gerada pelas investigações.

"Ela [Dilma] foi louca, ela viu essa porra e achou que dava. Renan, se você está no governo e começa o incêndio, estando ou não no meio, você tem que apagar, tá dando merda. Não podemos deixar essa porra para baixo de jeito nenhum", disse Machado.

O ex-dirigente disse que a empreiteira Odebrecht estava contrariada com Dilma. "O que está incomodando muito a Odebrecht, que eu soube, isso eu já soube, é que recebeu caixa dois no exterior em todos esses mercados que a Odebrecht apurava e o pessoal está puto com ela [Dilma]", disse Machado.

Em diálogo revelado pelo "Jornal da Globo", José Sarney afirmou a Sérgio Machado que Dilma teria "tratado diretamente sobre o pagamento" da Odebrecht para o marqueteiro João Santana.

Por isso, disse o ex-presidente, a Odebrecht iria delatar: "Vão contar tudo. Vão livrar a cara do Lula. E vão pegar a Dilma."

OUTRO LADO

Em nota, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) reiterou que "não tomou nenhuma iniciativa ou fez gestões para dificultar ou obstruir as investigações da operação Lava Jato, até porque elas são intocáveis e, por essa razão, não adianta o desespero de nenhum delator".

A nota não tratou das perguntas da Folha sobre os comentários de Renan acerca do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli rebateu a ideia de que a Sete Brasil tenha sido um erro. "A empresa foi criada para viabilizar a construção de sondas no Brasil, coisa extremamente importante para o pré-sal brasileiro. O projeto é correto. Os problemas que ocorreram foram decorrentes de dificuldades de financiamento do BNDES e de algumas fontes, nada de coisas clandestinas ou ilegais", disse Gabrielli.

O ex-presidente da petroleira disse que participou das discussões sobre a criação da empresa porque a Petrobras era sócia minoritária e principal contratante da empresa. O então presidente Lula, segundo Gabrielli, participou das conversas na época "do ponto de vista da defesa do conteúdo nacional".

Em nota, o advogado Eduardo Ferrão afirmou que "em nenhum momento" foi " procurado por quem quer que seja para tratar do assunto ali mencionado. E mesmo que o fosse, rejeitaria veementemente solicitação de tal natureza", ou seja, procurar o ministro do STF Teori Zavascki para defender a posição de Sérgio Machado.

Em nota nesta quinta-feira (26), a assessoria de Dilma Rousseff negou irregularidades em pagamentos ao publicitário João Santana e afirmou que "as tentativas de envolver" o nome da presidente afastada "em situações das quais ela nunca participou ou teve qualquer responsabilidade são escusas e direcionadas. E só se explicam em razão de interesses inconfessáveis".

Procurado, o Instituto Lula afirmou, em nota: "Nenhum homem público brasileiro foi tão investigado quanto Lula em 40 anos de vida pública, sem que nada fosse encontrado contra ele. E nenhum outro foi tão caluniado quanto Lula, por todos os meios, até mesmo por essa abjeta autogravação, feita sob encomenda para difamar".

Os advogados de Machado não foram localizados. Eles têm dito à imprensa que não se comentarão o assunto porque a delação está sob segredo de Justiça.

Conversa entre Renan Calheiros e Sergio Machado

MACHADO - Os canais para... porra.

RENAN - O problema do Lu... por que que o Lula saiu [não foi acusado no processo do mensalão]? Porque o Duda [Mendonça, marqueteiro] fez a delação -na época nem tinha [a lei]-, o Duda fez a delação, e disse que recebeu o dinheiro fora. E ninguém nunca investigou quem pagou, né? Este é que foi o segredo.

MACHADO - E o Lula, Renan, durante [inaudível] um tempo não fez. [...] Quando chegou no final do governo...

RENAN - Veio, caiu na real.

MACHADO -...botou na real. Aí [inaudível] umas besteiras, como a Marisa diz, besteira. Ele tem 30 milhões em caixa. Como é que não comprou um apartamento, uma porra [inaudível]. Porra, umas merdas, um sítio merda, um apartamento merda.

RENAN - Apartamento bancário!

MACHADO - De bancário, deixa o cara decorar...

RENAN - Da Bancoop.

MACHADO - Duzentos metros quadrados, Renan. Quer dizer, foi uma cagada enorme, e aí ele se fodeu. Porque ele não fez no governo. Ele armou depois, naquela Sete, naquela Sete que armou. Inclusive tentaram [inaudível]. E ali foi o Gabrielli, junto com uma turma, armaram aquilo, foi outra cagada.

RENAN - Outra cagada.

MACHADO - E ela [Dilma] foi louca, ela viu essa porra e achou que dava. Renan, se você está no governo e começa o incêndio, estando ou não no meio, você tem que apagar, tá dando merda. Você não pode deixar o fogo subir. Esses são os caras. Não podemos deixar essa porra para baixo de jeito nenhum. Você acha que o [advogado Eduardo] Ferrão tem força sobre ele [Teori]?

RENAN - Acesso. Nesse primeiro momento é o acesso.

MACHADO - E eu não vou falar nada com o meu pessoal porque não quero ninguém metido nisso.

[...]

MACHADO - Hoje, eu acho que vocês não poderiam ter reconduzido esse bosta, não. Aquele cara ali...

RENAN - Quem?

MACHADO - Ter reconduzido o Janot. Tinha que ter comprado uma briga ali.

RENAN - Eu tentei... Mas eu estava só.

[...]

MACHADO - [Sobre financiamento de campanha] Quantas vezes tive que interromper campanhas honestas para ir encontrar pessoas e dizer, 'olha, estou desesperado, preciso de dinheiro'? Encontrar 25 pessoas, cinco vão doar, entre essas cinco que vão doar, uma está metida em problema com quem você não devia se associar. Como é que você no meio de eleição, para ganhar ou para perder, tu quer saber de onde é que vem a origem?

RENAN - [inaudível]... A Odebrecht ficou de pagar [...].

MACHADO - Quem mais contribuiu para ela [Dilma]?

RENAN - O negócio do João. Só que...[inaudível] Então ela fingia que estava [inaudível] provar que não tem influência nenhuma.

MACHADO - [inaudível]

RENAN - Isso que ia dar problema.

MACHADO - [Inaudível] Isso ia dar problema, esteve com ela e falou isso, e os donos não deram nenhuma importância. Agora, o que está incomodando muito a Odebrecht, que eu soube, isso eu já soube, é que recebeu caixa dois no exterior em todos esses mercados que a Odebrecht apurava e o pessoal está puto com ela.

RENAN - É. E o João Santana soube e continuou fazendo campanha, ganhar dinheiro. Só daquele Eduardo, de Angola, a campanha custou 150 milhões.

MACHADO - É, eu sei. E agora eles estão putos porque agora estão... Vão responder em torno dela, comprovado, comprovadamente. E a Suíça enlouqueceu. Era o país mais seguro do mundo e virou o país mais inseguro do mundo. Então acho que tem que fazer, Renan, um processo... Porque todo político está assim. Não tem nenhum. Quem é que nunca pediu dinheiro? José Agripino, Aécio, Arthur, Aloysio.

[...]

RENAN - Os caras deram uma nota, o UOL, que o Teori estava despachando nesse final de semana...

MACHADO - Foi isso, foi isso, deu o maior rolo do mundo.

RENAN - Não, lá em Alagoas, o cara botou no UOL que estava querendo ver meu caso, que é a pressão que esse filho da puta faz todos os dias... Não sei o quê e tal. Aí veio um cara que trabalha com a gente, ou querendo prestar serviço, ninguém sabe direito disso, disse o seguinte: 'Olha, eu estou com informações aí, informações seguras, do pessoal da rede hoteleira, que tem 70 policiais da Polícia Federal e que vai fazer busca e apreensão, tal, na sua casa'. Imagina o cara ouvindo uma porra dessas. Você não tem o que fazer.

MACHADO - Não tinha o que fazer. Você tem que estar psicologicamente preparado para essa merda. Aí não adianta tentar falar com ninguém, querer ter informação. Mas essa história foi domingo passado. De norte a sul de leste a oeste. [...] Boataria, boataria. [...]

RENAN - [...] Ninguém sabe, eles vivem nessa obsessão.

[...]

RENAN - Mas você tem ideia do louco que é isso.

MACHADO - Tudo por causa dessa mulher aí. Renan, como esses caras nomeiam oito ministros do Supremo, oito! Para cima do Rio é tudo um bando de fanfarrão. Fux, não sei quem, não sei quem. A Rosa Weber não deu o negócio do Lula, rapaz.

RENAN - Não deu. Falei com o Lula outro dia...

MACHADO - Ele acha que ganha no pleno?

RENAN - Acha que gan... Tem que aguardar essa decisão.

MACHADO - Mas ele foi [inaudível]? Ele perdeu, o negócio dos procuradores, não deram.

RENAN - Aí porque é lobista, tem influência sobre a mulher. Mas toda vez a mulher fica contra. Eu quero é estar perdendo. Esse povo liga 'presidente... de qualquer maneira tem acesso...'

Conversa entre José Sarney e Sérgio Machado

MACHADO - A Dilma não tem condições. Você vê, presidente, nesse caso do marqueteiro, ela não teve um gesto de solidariedade com o cara. Ela não tem solidariedade com ninguém não, presidente.

SARNEY - E, nesse caso, ao que eu sei, é o único que ela tá envolvida diretamente. E ela foi quem falou com o pessoal da Odebrecht para dar, acompanhar e responsabilizar pelo Santana.

MACHADO - Isso é muito sério. Presidente, você pegou o marqueteiro dos três para o presidente do Brasil. Deixa que o ministro da Justiça, que é um banana, só diz besteira, nunca vi um governo tão fraco, tão frágil e tão omisso. É que estavam dizendo esta semana: a presidente é bunda mole. A gente não tem um fato positivo.

SARNEY - E todo mundo, todo mundo acovardado.

MACHADO - Acovardado.

[...]

SARNEY - O Renan, eu falo com, eu mesmo falo com ele, mas eu prefiro falar assim com o César Rocha. Prefiro falar com o César.

MACHADO - Ninguém sabe que eu lhe ajudei.

SARNEY - Porque o César Rocha, o César, o César Rocha é que é o nosso cúmplice junto com o...

MACHADO - Com o Teori?

SARNEY - Com o Teori. Ele é muito, muito, mas muito amicíssimo lá do tribunal. O César fez muito favor pra ele.

MACHADO - O Teori era do tribunal do César?

SARNEY - Era. o Teori era do tribunal do César.

[...]

MACHADO Você acha que a gente consegue emplacar o Michel sem uma articulação [...[ do jeito que esta [...]?

SARNEY Sem articulação, não. Vou ver o que está acontecendo. Vou ao Michel hoje.

MACHADO O Michel... eu contribuí para o Michel. Não quero nem que o senhor comente com o Renan. Contribuí com o Michel para a candidatura do menino. Falei com ele até em lugar inapropriado, na base aérea.

SARNEY Mas alguém sabe que você me ajudou?

MACHADO Não, ninguém sabe, presidente.

Conversa entre Romero Jucá e Sérgio Machado

MACHADO Meu amigo, eu acho que o melhor seria (...). Porque ela continuava presidente. E Michel assumia com liberdade de mudar tudo.

JUCÁ Negociava um ou outro cara aqui que ela quisesse proteger.

MACHADO Isso, proteger no governo. Essa conversa [inaudível] só tem a solução do Getúlio, rapaz. Proteger a família do Lula fazendo um acordo com o Supremo. Não é possível que esses m não façam um acordo desses. Sem o Supremo não adianta. Ou corta as asas da Justiça e do Ministério Público ou f. E quando essa coisa baixar, cortar as asas do Ministério Público.

NOVO ÁUDIO: Lula vê escolha de Dilma como seu erro mais grave, diz Sarney

Em um novo trecho da gravação de diálogos seus com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, o ex-senador José Sarney (PMDB-AP) afirma que Luiz Inácio Lula da Silva considera a escolha de Dilma Rousseff para sucedê-lo como seu "mais grave erro".

A transcrição do diálogo foi veiculada pela edição deste sábado (28) do "Jornal Hoje", da TV Globo. A reportagem não reproduz o áudio, que é narrado pelo repórter.

Segundo o "Jornal Hoje", a conversa foi gravada por Machado na casa de Sarney. O nome do ex-presidente Lula não é citado, mas a reportagem diz que fica claro, para os investigadores, que a conversa é sobre ele.

No diálogo, Machado diz a Sarney: "Agora, tudo por omissão da dona Dilma", em uma referência às investigações da Lava Jato que atingem o mundo político.

Sarney responde: "Ele chorando. O que eu ia contar era isso. Ele me disse que o único arrependimento que ele tem é ter eleito a Dilma. Único erro que ele cometeu. Foi o mais grave de todos."

Em nota ao "Jornal Hoje", o Instituto Lula informou que o petista já teve seus sigilos bancário e fiscal quebrados, analisados e divulgados. E que caberia aos autores das frases e gravações comentarem suas declarações privadas divulgadas ilegalmente.

À Folha, o instituto diz que "o vazamento ilegal das gravações é mais uma evidência de que, depois de investigar por mais de dois anos, o Ministério Público Federal não encontrou sequer um fiapo de prova contra Lula. Porque Lula sempre agiu dentro da lei".

Áudios provam o golpe… do PT contra o erário, por JOSIAS DE SOUZA (UOL)

Os historiadores fascinarão os brasileiros do futuro quando puderem se pronunciar sobre os dias atuais sem se preocupar em saber o que vai sobrar depois que a turma da Odebrecht começar a suar o dedo. O relato sobre o apocalipse do PT no poder encontrará a exatidão no exagero. Buscará paralelos na dramaturgia grega ao relatar como o petismo saiu da História para cair na vida.

No início desta semana, o PT imaginou que poderia reescrever a história a partir da gravação de uma conversa em que Romero Jucá insinua para Sérgio Machado que a queda de Dilma e a ascensão de Temer poderia resultar num “pacto” para “estancar a sangria” da Lava Jato. Está confirmado o golpe, alardearam Dilma e os petistas.

Passaram-se os dias. Sobrevieram as gravações dos diálogos que Machado travou com Renan Calheiros e José Sarney. Veio à luz a delação do ex-deputado Pedro Corrêa, do PP. Antes que pudesse comemorar uma mudança dos ventos, o PT viu-se enredado num redemoinho que o devolveu rapidamente à defensiva.

Numa das conversas colecionadas por Machado, Sarney declarou que a própria Dilma pediu dinheiro à Odebrecht para nutrir a caixa registradora de sua campanha e remunerar o marqueteiro João Santana. Previu que madame será abatida numa confissão da turma da empreiteira, “metralhadora ponto 100”.

Em sua delação, Corrêa iluminou o submundo em que Lula se meteu para comprar apoio congressual com dinheiro roubado da Petrobras. Estilhaçou a retórica do “eu não sabia” ao relatar reuniões em que o morubixaba do PT apartou brigas dos aliados por dinheiro ilegal e ordenou a nomeação de diretores larápios para a estatal petroleira.

Quando puder relatar à posteridade tudo o que sucedeu, a História descreverá uma fantástica sequência de fatos extraordinários acontecidos com pessoas ordinárias —em todos os sentidos. E concluirá que houve, de fato, um golpe no Brasil. Um golpe do PT e da quadrilha que gravitou ao seu redor contra o erário.

 

Delator afirma que Lula discutia pessoalmente esquema na Petrobras

O ex-deputado e ex-presidente do PP Pedro Corrêa, preso em Curitiba (PR) pela Operação Lava Jato, afirmou, em documentos que integram seu acordo de delação premiada, que o ex-presidente Lula discutia pessoalmente o esquema de corrupção da Petrobras.

Ele também citou vários deputados, senadores, ministros, ex-ministros e ex-governadores envolvidos em esquemas de corrupção, além de ter confessado que recebeu dinheiro desviado de mais de 20 órgãos ligados ao governo federal.

As informações foram publicadas nesta sexta (27) pela revista "Veja".

Segundo a publicação, Corrêa relatou que parlamentares do PP se rebelaram com o avanço do PMDB nos contratos da diretoria de abastecimento na época em que a área era dirigida por Paulo Roberto Costa.

Um grupo teria ido ao Palácio do Planalto para falar com Lula e reclamar da "invasão". De acordo com Corrêa, o então presidente passou uma descompostura nos deputados dizendo que eles "estavam com as burras cheias de dinheiro" e que a diretoria era "muito grande " e tinha que "atender os outros aliados" pois o orçamento era muito grande. Segundo a publicação, os caciques do PP se conformaram quando Lula lhes garantiu que a maior parte das comissões seriam dirigidas para a sigla.

A revista também diz que, confirme o relato de Corrêa, Lula ordenou que os partidos se entendessem. O ex-deputado, representando os interesses do PP, reuniu-se com a alta cúpula do PMDB para tratar da partilha. O senador Renan Calheiros (AL) é apontado como um dos primeiros a ser procurado para acertar "o melhor entendimento na arrecadação".

Segundo a publicação, Corrêa revelou ter feito o mesmo com outros caciques da legenda, como o deputado Eduardo Cunha (RJ) e com o senador Romero Jucá (RR).

"Veja" também traz um relato de Corrêa sobre uma reunião com a participação dos diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa (área de abastecimento) e Nestor Cerveró (área internacional), com o lobista Jorge Luz, os senadores Renan Calheiros, Romero Jucá, Jader Barbalho (PMDB-PA) e o atual ministro do Turismo Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), em 2006.

No encontro, os caciques da sigla apresentaram uma conta de US$ 18 milhões em propina para apoiar a continuidade de Costa e Cerveró na estatal. O valor teria que ser repassado antes da campanha eleitoral daquele ano e, segundo o delator, a sigla recebeu efetivamente US$ 6 milhões.

A matéria diz que Corrêa contou que Eduardo Cunha recebeu US$ 6 milhões e que Henrique Eduardo Alves ficava com parte de tudo o que era arrecadado pelo PMDB no esquema.

O ex-deputado também afirma que o ex-ministro e senador Edison Lobão (MA), teve participação nos contratos com empreiteiras e atribui ao atual secretário de governo, Geddel Vieira Lima (BA), a indicação do senador cassado Delcídio Amaral, na época do PT, para ocupar uma diretoria da Petrobras no governo Fernando Henrique Cardoso. No relato, ele afirma que Delcídio cobrava propina de empresas com negócios na diretoria que comandava e repassava parte do dinheiro para o PMDB e PP.

NOMEAÇÃO

A revista relata novamente a atuação de Lula quando foi presidente para nomear Paulo Roberto Costa, indicado do PP, para a diretoria de abastecimento. O diálogo, a que a Folha teve acesso, foi revelado em 2015 também pela revista "Veja".

"Mas Lula, eu entendo a posição do conselho. Não é da tradição da Petrobras, assim, sem mais nem menos trocar um diretor", disse Dutra, na época presidente da estatal. Lula respondeu, segundo Corrêa: "Se fossemos pensar em tradição nem você era presidente da Petrobras e nem eu era presidente da República", teria dito.

Em março, a Folha revelou que na negociação de seu acordo de delação premiada o ex-deputado citou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso teria comprado apoio de deputados para aprovar a emenda da reeleição, e que o ministro do TCU Augusto Nardes se beneficiou do esquema de propina do mensalão quando era político.

Folha também revelou que o pernambucano apresentou uma lista de operadores de propina e incluiu o nome de Andrea Neves, irmã do senador Aécio Neves (PSDB-MG), como a responsável por conduzir movimentações financeiras ligadas ao tucano.

A citação a ela inclui uma lista de nomes como Marcos Valério, operador do mensalão, e Benedito Oliveira, o Bené, investigado e delator na Operação Acrônimo, que apura suspeitas de irregularidades na campanha de Fernando Pimentel (PT) ao governo de Minas Gerais, no ano de 2014.

LISTA

Segundo a revista, o ex-deputado diz que o senador Aécio Neves (PSDB-MG), o ex-ministro Alexandre Padilha (PT-SP), o ex-ministro Alfredo Nascimento (PR-AM), o ex-ministro José Dirceu, o deputado José Guimarães (PT-CE) se beneficiaram de propina.

Corrêa cita outros políticos que, segundo ele, tinham conhecimento de pagamento de propina ou envolvimento em atos ilícitos como Aldo Rebelo (Pcdo B - SP), o ex-ministro Aloizio Mercadante (PT-SP), o ministro do TCU Augusto Nardes, o ex-ministro Jaques Wagner (PT-BA), o deputado Paulo Maluf (PP-SP), a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB-MA) e o senador Valdir Raupp (PMDB-RO).

A revista diz que Corrêa relatou que a presidente afastada Dilma Rousseff se reuniu com Costa em 2010 para pedir apoio financeiro para sua campanha.

A delação aguarda homologação do ministro do STF Teori Zavascki.

OUTRO LADO

Em nota, o Instituto Lula afirmou que Pedro Corrêa tenta, com a delação, evitar o cumprimento de sua pena. "Pedro Corrêa foi condenado pelo juiz Sergio Moro a mais de 20 anos de cadeia por ter praticado 72 crimes de corrupção e 328 operações de lavagem de dinheiro. Foi para não cumprir essa pena na cadeia que ele aceitou negociar com o Ministério Público Federal uma narrativa falsa envolvendo o ex-presidente Lula, inventando até mesmo diálogos que teriam ocorrido há 12 anos", diz o texto.

Segundo o instituto, "é repugnante que que policiais e promotores transcrevam essa farsa em documento oficial, num formato claramente direcionado a enxovalhar a honra do ex-presidente Lula e de um dos mais respeitáveis políticos brasileiros, o falecido senador José Eduardo Dutra, que não pode se defender dessa calúnia".

Os advogados do petista entraram nesta sexta (27) com uma petição na Justiça para ter acesso aos anexos em que Pedro Corrêa cita Lula.

O presidente do Senado divulgou uma nota prestando esclarecimentos sobre as declarações de Corrêa. "O Senador Renan Calheiros assegura que não se reuniu com Pedro Corrêa e nunca o faria por se tratar de pessoa que não é de suas relações, nem políticas ou pessoais".

"Chega de delação de bandidos citando relações inexistentes ou fictícias para sair da cadeia e expor terceiros. A delação que não for confirmada deve agravar a pena dos autores e não livrá-los da cadeia", escreve Renan.

Quando a Folha revelou a citação do ministro do TCU Augusto Nardes na delação, ele afirmou que o envolvimento de seu nome é uma "retaliação pela oposição" que fazia dentro do PP à figura de Pedro Corrêa.

Disse que foi um candidato independente ao cargo e que não contou com apoio do ex-parlamentar, na época presidente da sigla.

Já o senador Aécio Neves, citado como suposto destinatário de propina em uma obra da estatal de energia Furnas disse à publicação que o assunto já foi arquivado pela Procuradoria-Geral da República e classifica a citação como "absurda, mentirosa, irresponsável e cretina".

Em nota, o PSDB afirmou repudiar "a repetição das mesmas antigas e falsas acusações que vêm sendo feitas há anos por seus adversários políticos sempre na base do ouvir dizer de terceiros". "O assunto já foi, inclusive, arquivado pela PGR [Procuradoria-Geral da República] diante da inexistência de qualquer prova ou indício que possa minimamente comprová-lo", diz o texto.

 

Supremo acaba com tramitação oculta de processos

MÁRCIO FALCÃO
DE BRASÍLIA

O STF (Supremo Tribunal Federal) acabou com o mais alto grau de sigilo que o tribunal adotava para a tramitação de inquéritos ou outros procedimentos abertos para investigar autoridades por suspeita de crimes.

Uma resolução editada, na quarta-feira (25), pelo presidente do STF, Ricardo Lewandowski, extinguiu a classificação "processo oculto", casos que não apareciam sequer no sistema do tribunal e só podiam ser consultados pelo ministro-relator e pela Procuradoria-Geral da República, impossibilitando até mesmo confirmar a sua existência.

Com a decisão, esses processos passam a ser classificados como de segredo de justiça. Assim, será permitido ao público saber que há essas apurações em andamento no Supremo, podendo ser consultadas os nomes dos envolvidos, ou suas iniciais, e qual é o tipo de crime em investigação. O conteúdo dos inquéritos vai permanecer em sigilo.

O modelo oculto foi adotado principalmente em casos envolvendo a Lava Jato, como o pedido de abertura de inquérito da Procuradoria para investigar a presidente afastada Dilma Roussef, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro José Eduardo Cardozo, por obstrução da Justiça. O sistema também passou a encobrir o andamento das delações premiadas.

O STF, antes da mudança, justificativa que a manutenção de processos ocultos visa proteger as investigações.

Segundo o texto de Lewandowski, fica "vedada a classificação de quaisquer pedidos e feitos novos ou já em tramitação no Tribunal como 'ocultos'".

Para o presidente do Supremo, a medida atende aos princípios constitucionais da publicidade, do direito à informação, da transparência e aos tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário.

Pelo texto, nas investigações criminais, será adota uma proteção especial às medidas cautelares que devem ser mantidas em sigilo até a sua execução, para não prejudicar a coleta da prova. Os requerimentos de prisão, busca e apreensão, quebra de sigilo telefônico, fiscal e telemático, interceptação telefônica, dentre outras medidas necessárias no inquérito, serão processados e apreciados, em autos separados e sob sigilo.

Folha apurou que Lewandowski comunicou ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a alteração e assegurou que o tribunal tomará os cuidados necessários para proteger as investigações. Ele também avisou aos ministro sobre a medida. Relator da Lava Jato, Teori Zavascki, também demonstrou apoio.

Nos bastidores, ministros avaliaram que o fim do procedimento oculto era uma medida esperada diante da falta de padrão para o uso do sistema.

O presidente do Supremo afirmou que era preciso melhor disciplinar a classificação e tramitação do crescente número de documentos e feitos de natureza sigilosa na corte.

Segundo cálculos de técnicos, o Supremo mantém ocultos mais de 700 processos que foram arquivados. Não há estimativas sobre o número de ocultos em tramitação no tribunal.

Vídeo que circula nas redes sociais nesta sexta-feira (27) mostra o senador Aécio Neves (PSDB-MG) sendo chamado de golpista em uma praia do Rio de Janeiro.

A mulher que grava as imagens se aproxima do político e de sua família, chamando Aécio de golpista. "Aqui a gente está vendo um golpista na praia, com os filhos, pouco se lixando com o Brasil que tá pegando fogo", diz ela.

"O golpista está aqui na praia, tem um golpista aqui na praia", continua. O senador olha para a câmera e levanta o polegar, antes de se afastar sem dizer nada. "Valeu, golpista, parabéns pelo que vocês estão fazendo pelo Brasil", diz a mulher.

A mulher de Aécio, Leticia Weber, intervém e diz que a outra "não sabe do que está falando". A mulher que grava o vídeo continua: "Eu falo o que eu sei, eu tenho certeza". Exaltada, passa a gritar "golpista!", enquanto Aécio e a família se afastam.

Publicado na quinta-feira (26), o vídeo foi reproduzido em diversos canais do Youtube, em que acumula ao menos 20 mil visualizações.

Procurada, a assessoria do senador não comentou o vídeo até a publicação desta nota. 

Vídeo que circula nas redes sociais nesta sexta-feira (27) mostra o senador Aécio Neves (PSDB-MG) sendo hostilizado em uma praia do Rio de Janeiro.

A mulher que grava as imagens se aproxima do político e de sua família, chamando Aécio de golpista. "Aqui a gente está vendo um golpista na praia, com os filhos, pouco se lixando com o Brasil que tá pegando fogo", diz ela.

"O golpista está aqui na praia, tem um golpista aqui na praia", continua. O senador olha para a câmera e levanta o polegar, antes de se afastar sem dizer nada. "Valeu, golpista, parabéns pelo que vocês estão fazendo pelo Brasil", diz a mulher.

A mulher de Aécio, Leticia Weber, intervém e diz que a outra "não sabe do que está falando". A mulher que grava o vídeo continua: "Eu falo o que eu sei, eu tenho certeza". Exaltada, passa a gritar "golpista!", enquanto Aécio e a família se afastam.

Publicado na quinta-feira (26), o vídeo foi reproduzido em diversos canais do Youtube, em que acumula ao menos 20 mil visualizações.

Procurada, a assessoria do senador não comentou o vídeo até a publicação desta nota.

 

Jovem de 17 anos morre ao ser atingido por pedra em assalto na Imigrantes

  Gilmar Alves Jr/Folhapress  
Carro onde estava o estava o estudante Reinaldo Junior, morto nesta quinta após pedrada

SIDNEY GONÇALVES DO CARMO
DE SÃO PAULO
GILMAR ALVES JR.
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM SANTOS

Um jovem de 17 anos morreu e ao menos três pessoas ficaram feridas, quando, numa tentativa de roubo, um grupo de criminosos atirou pedras e galhos de árvore contra carros que passavam pela rodovia Imigrantes, na região de Cubatão, litoral sul paulista, na noite desta quinta-feira (26).

Segundo a polícia, os criminosos moram em uma comunidade próxima, na altura do km 59 da rodovia. Eles atiram pedras e galhos para forçar os motoristas a pararem seus carros e, assim, efetuarem os assaltos.

Um casal informou à polícia que, por volta das 22h, retornava à Praia Grande, cidade do litoral, quando percebeu um tumulto e carros parados à frente. O marido, que dirigia, diminuiu a velocidade quando, de repente, uma pedra foi atirada contra o veículo. Assustado, ele acelerou novamente e parou alguns metros à frente. Sua mulher teve ferimentos leves no braço, e o carro ficou com a lataria danificada.

  Reprodução/TV Globo  
Pedra jogada na rodovia dos Imigrantes que matou rapaz na madrugada desta sexta (27)crédito: Reprodução/TV Globo
Pedra jogada na rodovia dos Imigrantes e que matou rapaz na noite de quinta (26)

Os passageiros que vinham no carro logo atrás, um Fiat Idea, não tiveram a mesma sorte. O estudante Reinaldo Lima de Souza Junior, 17, sentado ao lado do motorista, foi atingido no rosto por uma pedra que atravessou o para-brisa. Duas pessoas que estavam no banco de trás também foram atingidas pelos estilhaços do vidro. Todos foram socorridos, mas Junior não resistiu aos ferimentos e morreu a caminho do hospital.

Segundo o delegado Antônio Sérgio Messias, de Cubatão, houve afundamento do crânio da vítima. "Espanta. Realmente é uma pedra de proporções muito grandes. Foi um impacto muito violento."

O motorista do Fiat Idea onde o estudante foi morto, o aposentado Roberto Sampaio Negreiros, 65, foi autuado na delegacia por exercício ilegal de profissão ou atividade. Segundo a polícia, o carro era usado como transporte clandestino.

Negreiros disse à polícia que os passageiros embarcaram no veículo na zona sul de São Paulo para serem levados ao litoral mediante pagamento. A Folhaprocurou Negreiros nesta sexta-feira (27) por telefone, mas não conseguiu falar com ele.

A Polícia Rodoviária Estadual informou que os criminosos fugiram do local. Os materiais usados nos assaltos foram recolhidos e encaminhados para a delegacia. A polícia não soube informar quantas pessoas foram assaltadas na noite de quinta-feira. No carro onde estava Junior, de acordo com Messias, nenhum pertence foi roubado.

'CHEIO DE PLANOS'

Tia de Junior, Rosane Lima de Souza Costa disse, na saída do IML (Instituto Médico-Legal) de Santos, que o sobrinho ia para o litoral para jogar paintball e passar o feriado, como de costume. "Ele sempre viajava pela manhã. Ontem, não sei por que resolveu vir à noite. E aí teve essa fatalidade, essa brutalidade."

Segundo a tia, Junior estava no primeiro semestre do curso tecnologia em redes de computadores na faculdade, "cheio de planos".

Ela disse que espera uma providência das autoridades para diminuir a insegurança no sistema Anchieta-Imigrantes. "Isso não pode ficar do jeito que está."

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O estudante Reinaldo Junior, morto na Imigrantes
O estudante Reinaldo Junior, 17 morto na Imigrantes

ADOLESCENTES INFRATORES

De 15 detenções feitas pela delegacia em investigação sobre esse tipo de crime, segundo o delegado, 60% foram de adolescentes. "Provavelmente pode ser um começo de investigação: que eles tenham voltado a cometer esse tipo de delito." Por isso, Messias diz que vai procurar a Fundação Casa para saber se adolescentes detidos neste ano, por roubos em rodovias, foram liberados recentemente.

A Ecovias, concessionária que administra o sistema Anchieta-Imigrantes, disse que lamenta o ocorrido e que, "embora não tenha responsabilidade pela segurança pública, tem feito tudo que está ao seu alcance para auxiliar a Polícia Militar Rodoviária a coibir a ação de criminosos".

O delegado disse ainda que vai solicitar à Ecovias as imagens de monitoramento em busca de algum pista sobre o crime. Segundo a funerária de Cubatão, o corpo de Junior foi encaminhado para o cemitério Horto da Paz, em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo. 

 

 

 

Fonte: Folha de S. Paulo + UOL

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