Laudo da PF indica que Lula orientou reformas de R$ 1,2 mi em sítio em Atibaia/SP

Publicado em 28/07/2016 16:54 e atualizado em 28/07/2016 19:55
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Na FOLHA DE S. PAULO e ESTADÃO

Um laudo produzido pelo setor de perícia da Polícia Federal aponta indícios de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a mulher dele Marisa Letícia orientaram reformas feitas no sítio em Atibaia (SP) frequentado pela família do petista.

Segundo os peritos da PF, as obras na propriedade rural começaram a ser projetadas em setembro de 2010 e tiveram início em novembro de 2010, quando Lula ainda exercia o seu segundo mandato na Presidência da República.

Os trabalhos no sítio prosseguiram até outubro de 2014 e custaram ao todo R$ 1,2 milhão, de acordo com a avaliação da perícia da PF.

Ao analisar a instalação de equipamentos de cozinha no sítio, o laudo aponta que a "execução foi coordenada por arquiteto da empreiteira OAS, Sr. Paulo Gordilho, com conhecimento do presidente da OAS, Léo Pinheiro, e com orientação do ex-presidente Lula e sua esposa, conforme identificado nas comunicações do arquiteto da empreiteira e de Fernando Bittar".

Leia a notícia na íntegra no site da Folha de S. Paulo.

 

No ESTADÃO: ‘Bebemos eu e ele uma garrafa de cachaça da boa’

Mensagem de arquiteto da OAS sobre encontro com Lula em sítio de Atibaia integra laudo da Polícia Federal que aponta que, em 2014, presidente da empreiteira cuidou de reforma da cozinha da propriedade, sob orientação do ex-presidente (por FAUSTO MACEDO)

LAUDO 1475 FOTO CACHAÇA

“Bebemos eu e ele uma garrafa de cachaça da boa Havana mineira e uma 15 cervejas.” A frase é do arquiteto da empreiteira OAS Paulo Gordilho. O relato é sobre encontro com Luiz Inácio Lula da Silva, em fevereiro de 2014, no Sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP). Laudo da Polícia Federal aponta que os dois trataram de reforma da cozinha do imóvel, que para a Operação Lava Jato é do ex-presidente. Ele nega.

Documento anexado nesta quinta-feira, 28, a um dos inquéritos que têm Lula como alvo da Lava Jato, em Curitiba, informa haver evidências de que a obra foi realizada “mediante indicação de ‘Léo Pinheiro’ (José Aldemário Pinheiro), presidente da OAS, e, segundo as comunicações extraídas, com conhecimento de Luiz Inácio Lula da Silva e Marisa Letícia Lula da Silva”.

 

 

 

 

O encontro regado na cachaça teria ocorrido no dia 9 de fevereiro de 2014, na área de churrasqueira da propriedade. Segundo o laudo, foram encontradas 10 fotos com registro da reunião no sítio de Atibaia. “Tais registros são condizentes com o conteúdo das comunicações identificadas no Relatório 329/2016.”

“Peritos apontam evidências substanciais que a Cozinha Gourmet foi (do sítio) foi reformada e instalada entre o período de março a junho de 2014, tendo sido acompanhada por arquiteto da OAS, sob comando de Léo Pinheiro e, segundo consta nas comunicações do arquiteto da Construtora, com orientação do ex-presidente Lula e sua esposa”, registra o Laudo 1475/2016, da PF, em Curitiba.

 

LAUDO 1475 BEBEMOS UMA GARRAFA DE CACHAÇA

O relatório citado no laudo de engenharia da PF aponta que ficou evidenciada a participação de Gordilho “na execução da reforma da cozinha”.

Na sequência de mensagens trocadas por whastsapp, Gordilho fala sobre a visita ao Sítio Santa Bárbara “exclusivamente para dirimir dúvidas do casal Lula da Silva”. Nelas, o arquiteto pede “sigilo absoluto” ao interlocutor, ao informar que iria até a propriedade com o presidente da OAS.

“Sigilo absoluto hem. Amanhã vou em um churrasco em Atibaia com Léo é na fazenda de lula e vamos encontrar com ele na estrada e vou passar o dia lá com ele e D. Mariza”, escreveu Gordilho. “Rsrsrs só Mari e Lucas e vc que sabe.”

LAUDO 1475 EMAIL GORDILHO SITIO

Pelo teor de mensagens analisadas de Gordilho, os peritos concluíram que houve “divergência quanto a reforma entre ‘ele’ e Mariza”.

“Ele quer uma coisa e Mariza outra e lá vai eu e Léo dar opinião. Rsrs.”

Cartel. A Lava Jato aponta que duas empreiteiras do cartel – OAS e Odebrecht – que fatiava obras na Petrobrás, mediante pagamento de propinas a agentes públicos e políticos, e o pecuarista José Carlos Bumlai patrocinaram e executaram as reformas no Sítio Santa Bárbara.

O imóvel foi comprado no final de 2010 e está no nome de Fernando Bittar, filho do ex-prefeito de Campinas e amigo de Lula Jacó Bittar, e seu sócio Jonas Suassuna – ambos sócios de um dos filhos do ex-presidente. A partir de 2011 foi iniciada a principal reforma, que deu um lago, mais espaço e cômodos para a propriedade rural.

Exames periciais, afirma o documento, constataram ‘que as primeiras reformas do sítio contaram com a participação do engenheiro Frederico Horta, funcionário da Odebrecht’.

LAUDO 1475 GORDILHO FOTO REFORMA

“Após concluída a primeira fase das reformas, ainda no ano de 2011, algumas outras intervenções foram realizadas no Sítio ao longo dos anos seguintes. A que mais se destaca pelo valor imobilizado foi a instalação da cozinha gourmet, pelo valor estimado de R$ 252 mil cuja execução foi coordenada por arquiteto da empreiteira OAS, Sr. Paulo Gordilho, com conhecimento do presidente da OAS, Léo Pinheiro, e com orientação do ex-presidente Lula e sua esposa, conforme identificado nas comunicações do arquiteto da empreiteira e de Fernando Bittar”, informa o documento.

O laudo aponta que o empresário Fernando Bittar não tem rendimentos suficientes para bancar a compra e a reforma do imóvel.

“Ainda que necessária a realização de exames periciais contábeis específicos para apurar evolução patrimonial de Fernando Bittar, montante de aproximadamente RS 1,7 milhão, dispendidos na compra e ampliação do sítio entre os anos de 2010 e 2011, apresenta-se discordante frente aos rendimentos, bens e direitos declarados no seu imposto de renda”, aponta o documento assinado pelos peritos criminais federais João José de Castro B. Vallim e Ior Canesso Juraszek. (ESTADÃO)

 

Lula tenta reatar com as bases e promove retorno às origens

Há duas semanas fotografias de um Luiz Inácio Lula da Silva de camisa social e blazer deram lugar, nas redes sociais, a um retrato em que o ex-presidente aparece de guaiabeira vermelha –uma típica vestimenta cubana– e chapéu de cangaceiro.

Não foi por acaso. A troca é o símbolo mais evidente de uma guinada estratégica que o petista vem formulando internamente para tentar reatar com suas bases eleitorais e sobreviver politicamente.

Não chega, porém, a ser uma tática inédita. Em sua trajetória, o ex-presidente sempre voltou às origens nos momentos de crise.

Mas ele nunca havia passado por uma situação tão dramática. O ex-presidente viu seu patrimônio e legado político derreterem nos últimos meses com o avanço da Operação Lava Jato. Foi denunciado sob acusação de tentar obstruir a investigação e é investigado por suposta ligação com imóveis que teriam sido reformados por empreiteiras alvos da operação.

Segundo a última pesquisa Datafolha, Lula é rejeitado por 46% do eleitorado –o pior índice entre os testados para a eleição presidencial de 2018. Apesar de liderar os cenários para o primeiro turno, não aparece numericamente à frente de nenhuma hipótese de segundo turno.

O ápice do desgaste culminou com o afastamento de sua afilhada política, Dilma Rousseff, da Presidência.

Nesse cenário, Lula decidiu mergulhar no ambiente que lhe é mais afeito. Passou a priorizar agendas com movimentos de esquerda e viagens ao Nordeste –na região, é o presidenciável preferido de 39% da população.

APOIO A HADDAD

Seguindo a mesma lógica, a cúpula do PT quer priorizar sua participação nas eleições municipais às periferias das grandes cidades, principalmente em São Paulo.

Durante convenção que formalizou a candidatura à reeleição do prefeito Fernando Haddad, no domingo (24), Lula mais uma vez usou o chapéu de cangaceiro e disse que era preciso "ir para a periferia falar com nosso povo".

Diante da rejeição ao PT na cidade e dos 8% de intenção de votos de Haddad no Datafolha, a ordem na sigla é reconquistar o eleitorado petista, que perdeu musculatura nos últimos anos.

Lula tem se dedicado pessoalmente a isso, de olho não só nas eleições municipais, mas em sua biografia.

São comuns relatos de que o ex-presidente exibe agora certo "abatimento", o que também teria favorecido a busca por sua "zona de conforto". Aliados têm dito que ele se "re-energiza" e "ganha fôlego" ao desempenhar atividades com eleitores fiéis.

Há menos de duas semanas, no Nordeste, visitou assentamentos de sem-terra e cooperativas de agricultores.

Lula recorreu ao mesmo expediente em 2006, quando disputou a reeleição logo após o estouro do escândalo do mensalão. À época, fez campanha distribuindo panfletos na porta de uma fábrica de automóveis no ABC paulista, seu berço político.

 

Em 2010, quando tentava eleger a sucessora, repetiu a agenda em circunstâncias semelhantes ao lado dela. 

Lula em visita a assentamento do MST em Pernambuco

Fonte: Folha de S. Paulo + ESTADÃO

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