Os desafios por trás do câmbio (EDITORIAL DO ESTADÃO)

Publicado em 12/08/2016 06:12 e atualizado em 12/08/2016 14:28
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Enquanto o dólar em queda assusta empresários, preocupados com a perda de mercado no Brasil e no exterior, especialistas do setor financeiro discutem até onde poderá cair a moeda americana (na edição desta sexta-feira em O Estado de S. Paulo)

Enquanto o dólar em queda assusta empresários, preocupados com a perda de mercado no Brasil e no exterior, especialistas do setor financeiro discutem até onde poderá cair a moeda americana. Sobra dinheiro no mundo rico e enormes aplicações têm fluído para o Brasil, em busca principalmente de juros muito mais altos que os de outros países. A cotação, ontem, estava em R$ 3,14 às duas da tarde. Um mês antes pagavam-se R$ 3,31 por dólar comercial. Mas a desvalorização começou há mais tempo, depois de um longo período de alta. O valor subiu de R$ 3,48 há um ano para R$ 4,04 no começo de 2016 e se manteve em níveis satisfatórios para a indústria durante boa parte do primeiro semestre, facilitando as exportações de fábricas ainda em condições de atuar no mercado externo e encarecendo os produtos estrangeiros.

Com a mudança do quadro, executivos são forçados a enfrentar uma nova fase de insegurança. Como a evolução do câmbio é muito incerta, neste momento, é difícil calcular a formação de preços em moeda estrangeira e planejar os negócios no mercado externo. De toda forma, a atividade é empurrada para a frente, no dia a dia, mas com muitas dúvidas. Não se pode parar de repente, à espera de um cenário mais claro, mas o risco de erros e de perdas é considerável.

Levam-se em conta dois fatores na maior parte das discussões e de apostas sobre a evolução do câmbio. Um deles é a política monetária das maiores potências. Sobra dinheiro na Europa, os bancos centrais, tanto da Inglaterra quanto da zona do euro, despejam enormes volumes de moeda nos mercados para estimular os negócios. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) iniciou e interrompeu uma cautelosa alta de juros.

Não se sabe quando será o próximo aumento, mas poderá ocorrer em breve, se o emprego continuar em firme e rápida expansão. Quando vier o novo aumento, capitais serão desviados para os títulos americanos e sobrará menos dinheiro para os mercados emergentes.

O Brasil também será afetado, dizem especialistas, se as condições financeiras ficarem menos folgadas nos Estados Unidos e, de modo geral, nos países mais avançados. Mas ainda restará, é prudente admitir, um forte atrativo. As taxas de juros permanecerão muito acima dos níveis internacionais, ainda haverá estímulo a aplicações especulativas e ainda sobrarão dólares no País, com efeitos no câmbio.

Mas o problema, afinal, está no mercado de câmbio, nos juros ou em algum outro fator? Empresários brasileiros frequentemente se queixam do câmbio, como se as autoridades tivessem a obrigação de buscar níveis favoráveis à competitividade das empresas. Também se reclama dos juros, porque dificultam os negócios, encarecem os investimentos produtivos e, além disso, interferem na formação do câmbio.

Há alguma verdade em todas essas alegações, mas os fatos são mais complicados e alguns são geralmente esquecidos nas falas dos empresários.

Primeiro fato: os juros são altos porque a inflação brasileira é muito maior que a da maior parte dos mercados, tanto desenvolvidos quanto emergentes. Os aplicadores estrangeiros no Brasil podem ganhar esses juros sem sofrer as perdas causadas pela inflação, porque se limitam à aplicação de dinheiro.

Segundo fato: inflação mais alta que a de outros países também afeta o câmbio pela mera diferença da variação de preços dentro e fora do mercado nacional. Raramente, no entanto, algum empresário da indústria reclama da inflação, como se fosse assunto secundário.

Terceiro fato: pressões inflacionárias persistirão enquanto as contas públicas permanecerem seriamente desarranjadas. Para consertá-las será preciso tomar medidas duras e, em alguns casos, contrárias a interesses de empresas beneficiadas, por exemplo, por isenções fiscais e facilidades financeiras injustificáveis. Se o conserto avançar, as pressões inflacionárias diminuirão e o País terá juros mais civilizados. O capital estrangeiro ainda será atraído, mas pelas oportunidades de ganho na produção, e o Brasil será um país mais normal.

Temer cede de novo, EDITORIAL DA FOLHA

Um dia após classificar como inegociável a proibição por dois anos de concursos e reajustes salariais para servidores estaduais, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, se curvou. O governo interino de Michel Temer (PMDB)aceitou retirar a restrição da renegociação das dívidas dos Estados.

O resultado é ruim. O texto de base aprovado quarta-feira (10) na Câmara dos Deputados permite alongar por 20 anos, sem contrapartidas adequadas, as dívidas estaduais com a União. Estima-se impacto de R$ 50 bilhões nos cofres federais até 2018.

Já nas primeiras rodadas de negociação naufragara a tentativa de aperfeiçoar a contabilização de gastos com pessoal para efeito da Lei de Responsabilidade Fiscal. Noutro recuo do Planalto, ficaram fora da conta terceirizados e vários tipos de auxílios, o que mascara o tamanho real da folha.

O retrocesso deixa intocada a principal causa do descalabro orçamentário nos Estados.

Culpar a dívida com o governo federal é ilusionismo, pois despesas com juros e amortizações representam menos de 15% dos dispêndios de governadores.

O peso maior vem da folha, que em muitos casos supera 80% da arrecadação. Os deputados, para não melindrar líderes do funcionalismo, alegam que as amarras seriam irrealistas e demandariam cortes de salários.

Ora, é bem disso que se trata. Num momento de recessão, com tantos brasileiros premidos por desemprego e reajustes abaixo da inflação, não é justo que a categoria mais protegida do país continue a contar com garantias especiais.

O governo argumenta que não houve recuo. Teria preservado a contrapartida decisiva: gastos totais não poderão crescer acima da inflação nos próximos dois anos.

Do ponto de vista do deficit público, trata-se de prognóstico satisfatório. Na prática, se o teto se mostrar eficaz (algo longe de garantido) e, ao mesmo tempo, a conta salarial continuar a subir (como é de prever), governadores só terão os gastos sociais, especialmente saúde e educação, para comprimir.

É certo que parte do problema decorre da queda de receita com a recessão, obra do governo federal. Alguma flexibilidade nos pagamentos da dívida, assim, faz sentido. Mas isso não apaga o fato de que despesas com pessoal nos Estados subiram 96% de 2009 a 2015, muito acima da inflação.

O Planalto cedeu invocando a autonomia dos Estados, que poderão acomodar despesas no teto como quiserem. A autonomia, na verdade, é defendida apenas para aumentar os dispêndios. Quando o buraco aparece, todos vão choramingar no Tesouro Nacional.

Soluço da inflação, por CELSO MING (ESTADÃO)

A inflação deu um soluço em julho, mas não preocupa. A tendência é de baixa.

Avançou 0,52% sobre o 0,35% registrado em junho. Acumula nos primeiros sete meses do ano uma alta de 4,96% e, em 12 meses, 8,74%.

A estocada teve como principal causa a alta dos alimentos (1,32%). Pesaram aí o feijão e o leite, como consequência da quebra de produção pela estiagem. Neste ano, os preços do feijão carioca já subiram 150,61% e os do leite longa vida, 48,98%.

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Essa inflação não assusta por três principais razões. Primeira, porque a alta dos alimentos tende a ser revertida ou, pelo menos, neutralizada. O que subiu muito deve deixar de subir ou, então, baixar de preço. Segunda razão, a recessão e, dentro dela, a demanda muito fraca continuam trabalhando como freio. E, terceira, a baixa do dólar (valorização do real) já está atuando para reduzir os preços dos produtos importados e, com base nisso, segurar a remarcação dos produzidos internamente. O mercado, auscultado semanalmente pela Pesquisa Focus, do Banco Central, espera uma inflação de 0,30% em agosto. Mas pode ser mais baixa. Os Top Five, as cinco instituições que mais acertam essas projeções, esperam 0,28%.

A esses fatores há quem contraponha o impacto inflacionário de uma possível nova carga de impostos, especialmente se com aumento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre combustíveis. Mas, se vier, dificilmente será para produzir inflação ainda neste ano.

O comportamento do câmbio merece considerações à parte. A enorme sobra de dólares lá fora só está esperando uma clareada nas condições da economia do Brasil para produzir revoadas seguidas para cá.

Isso já está acontecendo, uma vez que, só em 2016, as cotações do dólar já caíram 20,97%.

A senha para novos aportes de moeda estrangeira e, portanto, para novas baixas do dólar deve ser a aprovação do impeachment pelo Senado, fato relevante que deve afastar a hipótese de retorno aos experimentos desastrosos da política econômica do primeiro período Dilma. A sagração de Michel Temer na Presidência da República está longe de resolver os problemas da economia, mas abre espaço para o exercício da boa governança, caso o governo queira de fato equacionar os problemas e não faça grandes bobagens.

Sempre há quem argumente que a mão pesada do Banco Central pode funcionar como a espada do chefe gaulês Breno que, no século 4.º antes de Cristo, a pousava sobre o outro prato da balança para exigir mais indenização em ouro dos vencidos romanos. Ou seja, o Banco Central sempre pode apertar para baixo o prato da balança para erguer no outro as cotações do dólar. Mas, apesar das crescentes pressões para que aja assim, está cada vez mais difícil reverter o processo de valorização do real – e mais o será, se a crise amainar.

Quando se fala de inflação fica inevitável falar sobre juros. Depois dos sinais enviados pelo Banco Central não dá para esperar por redução dos juros no dia 31, quando o Copom se reunir outra vez.

CONFIRA:

 

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Aí está a trajetória das cotações do dólar. É um tombo e tanto.

Algo mudou

O ministro Henrique Meirelles vive um momento paradoxal. Está plenamente consciente de que está no governo para dar credibilidade e garantir responsabilidade fiscal à administração Temer. Mas, após três meses no cargo, não consegue convencer ninguém de que as concessões feitas aos governadores e aos funcionários públicos não comprometem a política de austeridade e o equilíbrio das contas públicas. O nível de credibilidade já não é o mesmo.

Temer chega aos 3 meses sob pressão do PIB (por JOSIAS DE SOUZA)

 

Temer aos empresários: 'Estamos em uma democracia, o Executivo não é um poder autoritário'

A Presidência interina de Michel Temer faz aniversário de três meses nesta sexta-feira (12) tendo que lidar com um dilema. Impacientes, empresários e operadores de mercado cobram do substituto constitucional de Dilma Rousseff um comportamento de zagueiro truculento, do tipo que vai à canela no primeiro minuto do jogo só para marcar seu território. O problema é que Temer está mais para meia-armador. Com boa visão de jogo, pede paciência à arquibancada para armar as jogadas e dar assistência a Henrique Meirelles, tratado como estrela do seu time.

Temer passou as últimas 48 horas tentando convencer alguns dos mais expressivos representantes do PIB nacional de que não levou bola nas costas nem protagonizou nenhum recuo no Congresso. Numa cerimônia com empresários do setor da construção civil, Temer discursou nesta quinta-feira: “…Estamos em uma democracia, o Poder Executivo não é um poder autoritário. […] Portanto, toda negociação, todo ajustamento com o Poder Legislativo é exato e precisamente para aprimorar as instituições nacionais.”

Na véspera, Temer recebera no Planalto representantes do autodenominado Instituto Talento Brasil —executivos como Luiz Carlos Trabuco (Bradesco), Pedro Moreira Salles (Itaú Unibanco), Pedro Passos (Natura), Carlos Alberto Sicupira (Grupo Ambev/Inbev); Jorge Gerdau (Grupo Gerdau), Josué Gomes da Silva (Coteminas) e Edson Bueno (Amil). Foram a Brasília para aferir a real disposição do governo para fechar o cofre, colocar em pé um programa de privatizações e concessões e tocar reformas como a da Previdência e a trabalhista.

O zagueiro costuma se beneficiar de uma lei informal que o autoriza a executar pelo menos uma primeira entrada dura sem ser expulso pelo juiz. Com um governo novo sucede algo parecido. O presidente desfruta de uns cem dias de liberdade para agir sem ser incomodado. Nesse intervalo pode, por exemplo, impor medidas amargas antes que a torcida proteste ou que o Congresso reaja. Era isso que o empresariado esperava.

Acontece que Temer não é propriamente um presidente novo. É seminovo, de segunda mão. Foi retirado às pressas do banco de reservas para substituir uma titular perna de pau que foi expulsa de campo antes do término do primeira tempo do seu segundo mandato. Mesmo se quisesse, Temer não teria como entrar de sola para estabelecer seu domínio na grande área do Congresso. Não fosse por outra razão, ele quer evitar o erro de Dilma, que imaginou dispor de uma tolerância eterna para desdenhar o Legislativo.

“Embora tenhamos apenas três meses, o fato é que o Congresso Nacional nos deu um apoio que estava paralisado há mais de dez, doze meses”, discursou Temer para a turma da construção civil, abstendo-se de citar Dilma. “As matérias mais complicadas que lá estavam do Executivo foram prontamente aprovadas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal”, exagerou o interino.

Temer estava preocupado em desfazer a impressão de que o governo entregara os aneis na Câmara para salvar os dedos na votação do projeto de renegociação das dívidas dos Estados com a União. Para aprovar a proposta, os aliados do governo exigiram a retirada de um artigo que congelava por dois anos a contratação de novos servidores, os reajustes salariais e as promoções funcionais.

“Ora bem, isto, na Câmara dos Deputados, começou a gerar muitos embaraços”, explicou Temer. “E quando nós —eu, o ministro Meirelles, o ministro Padilha—, que nos reunimos com o relator, com o revisor, com todos os integrantes da comissão ao longo de dois dias, quando nós verificamos que isto poderia embaraçar a aprovação do projeto, eu abri a Constituição e verifiquei lá no artigo 169 que esta regra, que está na lei, era mera repetição daquilo que está na Constituição.”

Temer disse aos empresários o que vem repetindo à exaustão: os deputados mantiveram no projeto o que é essencial —a fixação de um teto para a evolução dos gastos nos Estados, limitando-os à variação da inflação do ano anterior. O governo apagou da memória um detalhe: na véspera da votação, Meirelles convocara os jornalistas para informar que considerava vitais as duas contrapartidas: o congelamento da folha por dois anos e a fixação de um pé-direito para as despesas.

Com toda sua habilidade retórica, Temer não logrou explicar algo essencial. Tratados à base de cargos e brioche$, atendidos em todas as suas reivindicações, os aliados do governo aprovaram o projeto sobre a renegociação das dívidas estaduais por 282 votos a 140. Para um governo que precisa de pelo menos 308 votos para prevalecer nas votações de reformas que dependem de emendas constitucionais impopulares é pouco, muito pouco, pouquíssimo. Daí as pulgas que se instalaram no dorso da orelha dos empresários que olham para Brasília se esforçando para ver o lado bom da situação, mesmo que seja preciso procurar um pouco.

Comércio varejista dá leve sinal de alento (ESTADÃO)

Um dos segmentos da economia que mais sofreram com a recessão, o comércio varejista apresentou uma pequena reação entre maio e junho, num sinal de que o ritmo da atividade pode voltar aos trilhos ainda neste ano. Em relação a maio, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do IBGE, houve crescimento de 0,1% no volume de vendas do varejo restrito, do qual se exclui o comportamento de veículos e motos, partes e peças, e de material de construção. No varejo ampliado, que inclui esses itens, ainda houve recuo de 0,2%, inferior ao da comparação entre abril e maio (-0,3%) e entre março e abril (-1,5%).

O que justifica algum alento é que o varejo é o setor mais castigado pela perda de renda real e pelo desemprego, que atingiu 11,4 milhões de trabalhadores conforme a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) Contínua, do IBGE, também de junho. Qualquer variação positiva – e, em especial, que supere as previsões correntes, como as da PMC – merece atenção.

Comparações em períodos mais longos continuam a ser bastante negativas, mas a queda perde intensidade. Entre maio de 2015 e maio de 2016, a redução das vendas do varejo restrito foi de 9%, porcentual que caiu para 5,3% em junho. No varejo ampliado, as quedas foram de 10,2% e de 8,4%, respectivamente. Só piorou o item veículos e motos (15,2%).

Entre maio e junho deste ano, melhoraram as vendas de tecidos, vestuário e calçados; livros, jornais, revistas e papelaria; outros artigos de uso pessoal e doméstico; e material de construção – neste caso, é despesa destinada a investimento, um sinal positivo.

O indicador menos favorável de junho veio do setor de hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, cujas vendas caíram 0,4% em relação a maio. Trata-se, neste caso, de redução de consumo de itens essenciais, o que sugere que as famílias de menor renda não conseguem manter o padrão de vida. O alto custo da alimentação ajuda a explicar o problema.

Mas, se o primeiro semestre parece ter sido o pior dos últimos anos, a FecomercioSP já prevê que as vendas do Natal de 2016 superem as de 2015. A recuperação dependerá de emprego, renda e confiança. Destaque-se o Indicador Antecedente de Emprego da FGV, que avançou pelo quinto mês consecutivo em julho, sugerindo recuperação à frente, “ainda que em ritmo lento”, notaram especialistas do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre).

Atenua-se a crise do setor de veículos (ESTADÃO)

O auge da crise do setor de veículos pode ter ficado para trás, caso se repitam, em agosto, os resultados da produção e da comercialização de julho. O fosso em relação ao passado ainda é profundo, mas entre junho e julho aumentou em 8,5 mil unidades a produção de veículos e em 9,6 mil os licenciamentos, com ligeira elevação do peso dos importados nas estatísticas agregadas da associação das montadoras (Anfavea) e da federação das revendedoras (Fenabrave). Só as vendas internas no atacado de máquinas agrícolas e rodoviárias não reagiram, caindo 1,2% em relação a junho.

As comparações com períodos mais distantes continuam muito desfavoráveis. A produção entre os últimos 12 meses e os 12 meses anteriores caiu 25,4%, de 2,84 milhões para 2,12 milhões de unidades. E entre os sete primeiros meses de 2016 e igual período de 2015 a queda foi de 20,4%, de 1,51 milhão para 1,20 milhão. A produção teria sido maior se não tivessem faltado peças, notou o presidente da Anfavea, Antonio Megale. A fábrica de São Bernardo do Campo da Volkswagen, terceira maior montadora por produção, foi uma das mais atingidas.

Entre junho e julho, segundo a Fenabrave, cresceram as vendas de automóveis, veículos leves, caminhões e ônibus, mas caíram as de motos e implementos rodoviários. Os licenciamentos de automóveis importados aumentou 9,8% no período, informou a Anfavea, após o recuo de 35% entre janeiro e julho de 2015 e 2016, acima de 22% dos nacionais.

A queda de preços do etanol parece ter dado leve ajuda às vendas de veículos flex fuel (que podem ser abastecidos com gasolina ou álcool), cuja participação nos licenciamentos cresceu de 88% para 88,7% entre junho e julho. Também as exportações registraram elevação, de US$ 855,9 milhões em junho para US$ 939,3 milhões em julho – e o aumento foi maior por número de unidades: 45,8 mil em julho contra 43,4 mil em junho e 28,3 mil em julho do ano passado.

A melhora de julho não chegou ao emprego, em queda de 0,9% no mês e 6,6% comparado a julho de 2015, chegando a 126,8 mil (20% em regimes especiais). Os estoques de 222,2 mil unidades caíram pouco em relação a junho. Além de confiança, as condições gerais da economia precisam melhorar para a retomada do segmento. A queda da produção de 10% entre 2015 e 2016, para 2,2 milhões de unidades, já seria menor que a previsível até maio.

Fonte O Estado de S. Paulo

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