OCDE vê crescimento global fraco, mas estima contração menor no Brasil

Publicado em 21/09/2016 07:50 e atualizado em 21/09/2016 11:36
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Por Leigh Thomas

PARIS (Reuters) - O crescimento econômico global vai enfraquecer neste ano e no próximo a taxas que não eram vistas desde a crise financeira, uma vez que a marcha para a globalização sofre uma pausa, alertou nesta quarta-feira a OCDE.

Antes um motor para a economia global, a expansão do comércio deve pesar sobre o crescimento da economia mundial este ano, afirmou a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em uma atualização de suas projeções econômicas.

"Isso está bem abaixo do padrão e indica que a globalização como medida pela intensidade do comércio pode ter estagnado", disse a organização sediada em Paris.

A OCDE estima que a economia global irá crescer apenas 2,9 por cento este ano, contra estimativa anterior em junho de 3,0 por cento, a taxa mais fraca desde a crise financeira de 2008/2009.

Para o Brasil, entretanto, a organização melhorou sua estimativa e passou a ver uma contração em 2016 de 3,3 por cento, contra queda de 4,3 por cento anteriormente. Para 2017 o recuo previsto passou a ser de 0,3 por cento, contra taxa negativa de 1,7 por cento na pesquisa anterior.

A OCDE disse que muitas cadeias globais de abastecimento que agregam valor econômico em cada etapa, e que normalmente têm suas raízes na China e em outros países do leste asiático, estão se desmantelando conforme a China busca afastar sua economia das exportações para o crescimento e algumas empresas levam de volta a produção para seus países de origem .

A crescente reação contra a liberalização do comércio, bem como recessões em alguns países grandes produtores de commodities foram somando-se à desaceleração do comércio, o que segundo a OCDE pode corroer a produtividade já fraca e, em última análise, os padrões de vida.

"Se pudéssemos voltar ao tipo de crescimento do comércio que tínhamos nos anos de 1990 e 2000, seríamos capazes de voltar às taxas de crescimento da produtividade de antes da crise financeira", disse a economista-chefe da OCDE, Catherine Mann, em entrevista à Reuters.

"A produtividade tem, basicamente, caído pela metade desde a crise financeira e isso é uma receita para quebrar promessas com todos os nossos cidadãos", disse.

No G1: OCDE prevê queda de 3,3% do PIB brasileiro em 2016

A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) se mostrou menos pessimista sobre a recessão no Brasil e prevê uma queda do PIB de 3,3% em 2016. A estimativa anterior, anunciada em junho, era de um recuo de 4,3%. Para 2017, a organização projeta uma queda de 0,3%. 

Já o PIB mundial crescerá 2,9% em 2016, 0,1% a menos que nas previsões de junho, de acordo com a OCDE, que considera que a economia "permanece atrelada a um crescimento frágil".

"A forte redução do comércio mundial ressalta as preocupações sobre a solidez da economia e as dificuldades para sair desta armadilha do crescimento frágil", afirmou a economista chefe da OCDE, Catherine L. Mann.

Na maioria das economias desenvolvidas o crescimento continuará sendo frágil.

Este é o caso dos Estados Unidos, onde a OCDE prevê um crescimento de 1,4% este ano e de 2,1% em 2017. Na Eurozona o avanço será de 1,5% em 2016 e 1,4% em 2017.

Na China, cuja desaceleração econômica pode ter consequências a nível global, a organização mantém as previsões de junho (6,5% em 2016 e de 6,2% em 2017).

Para enfrentar o crescimento fraco, a OCDE voltou a pedir aos governos que aproveitem as taxas de juros reduzidas para aumentar o gasto público.

Leia a notícia na íntegra no site do G1

Fonte: Reuters + G1

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