Após queda de Geddel, cresce o sentimento de impeachment em Brasília (Veja, coluna Radar)

Publicado em 25/11/2016 14:45
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por Pedro de Carvalho

 

Brazil's President Michel Temer reacts during launch ceremony of the

Pau que bate em Chico bate em Francisco

Michel Temer tem mais com o que se preocupar. Ele recebeu hoje uma leitura do cenário político de colega peemedebista. E as perspectivas não parecem boas.

A análise que Temer ouviu foi a seguinte: com o pedido de impeachment protocolado pelo PSOL por crime de responsabilidade, o próximo presidente da Câmara terá um “super poder”. Será o mais interessado em acatar ou não o afastamento de Temer e dar prosseguimento ao processo, uma vez que será ele quem assumirá a presidência, ainda que interinamente.

Após manifesto de apoio, governistas estão se sentindo desmoralizados com queda de Geddel

Roubada

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A queda de Geddel está gerando um incômodo também no Congresso. Os líderes da base do governo Temer estão se sentindo desmoralizados após carta de apoio ao agora ex-ministro. Eles chancelaram o manifesto com a certeza que Geddel ficaria.

Na FOLHA: Para oposição, demissão de Geddel visa tirar foco de Temer

A oposição no Congresso Nacional não viu no pedido de demissão de Geddel Vieira Lima, na manhã desta sexta-feira (25), uma forma de amenizar a crise que se abateu sobre o Palácio do Planalto desde semana passada.

Para senadores, a saída visa tirar o foco do presidente Michel Temer, acusado pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero de pressioná-lo no caso do empreendimento imobiliário que acabou culminando no afastamento de Geddel.

"Primeiro, é um explícito reconhecimento de culpa e da gravidade do fato ocorrido. É o ministro mais forte do governo que termina obrigado a pedir demissão. Segundo, é uma demonstração desesperada, porque na verdade a crise já invadiu a sala da Presidência. Uma tentativa de jogar carne aos leões para segurar o governo", afirmou o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE).

Folha revelou nesta quinta-feira que, em depoimento à Polícia Federal, Calero disse que Temer o "enquadrou" no intuito de encontrar uma "saída" para obra de interesse de Geddel em Salvador.

Para o senador petista, o envolvimento de Temer no assunto deixa claro a ocorrência de crime de responsabilidade. "O episódio caracterizou a existência de uma articulação, uma estrutura organizada, que, entre outras coisas, pode defender interesses privados e isso caracteriza, sem dúvida, crime de responsabilidade", destacou Costa.

No Senado esta manhã, o líder da oposição, Lindbergh Farias (PT-RJ), voltou adefender o impeachment de Temer, que, segundo ele, deve ser apresentado na próxima segunda (28). Neste mesmo dia, o PSOL da Câmara também pretende protocolar um documento pedindo o afastamento definitivo do presidente da República do cargo.

Ele e a também petista Gleisi Hoffmann (PR) seguiram o discurso de Humberto Costa e afirmaram, em plenário, que a demissão de Geddel visa mudar o foco das atenções.

Além disso, defenderam que não pode ocorrer na próxima terça (29), conforme previsto, a votação da PEC que estabelece um teto de gastos para a União para os próximos 20 anos. "Um assunto dessa magnitude, no meio dessa crise! Haverá várias caravanas de movimentos sociais em Brasília. Vamos trazer o assunto para o plenário", afirmou Lindbergh, que completou: "Acho que esse governo perdeu todas as condições políticas de continuar".

Lindbergh entrará, ainda, com uma representação na PGR por infração penal comum, pedindo um julgamento de Temer pelo STF (Supremo Tribunal Federal). "Ele cometeu um crime no exercício do mandato, dentro do Palácio do Planalto."

Além disso, farão um adendo a uma representação já protocolada na PGR na segunda (21), com pedido de afastamento de Geddel. Também pedirão investigação de Temer, Eliseu Padilha (Casa Civil), Gustavo Rocha (secretário de Assuntos Jurídicos) e Grace Mendonça (advogada-geral da União), de quem querem ainda o afastamento.

  Reprodução  
Carta de demissão de Geddel Vieira Lima
Carta de demissão de Geddel Vieira Lima

Mendes, presidente do TSE: “Anistia é a Batalha de Itararé da desinformação”: não existe! É o que venho afirmando aqui (por REINALDO AZEVEDO)

Creio que um ministro do Supremo Tribunal Federal, mormente quando presidente do Tribunal Superior Eleitoral, entenda um tantinho mais de legislação do que os abelhudos que estão por aí, falando porcaria, fazendo política, querendo aparecer no debate. Há até gente que, enquanto está batendo nos políticos, está preparando sua candidatura à Câmara dos Deputados…

O ministro a que me refiro, claro!, é Gilmar Mendes.

Ele participou de um seminário na Fiesp nesta manhã e criticou aqueles que sustentam que pode haver uma anistia ao caixa dois. Para ele, não passa de uma “Batalha de Itararé” (aquela que entrou para a história como a batalha que não houve) da desinformação. Ele criticou o emprego da palavra “anistia”.

A razão é simples, tantas vezes lembrada por mim neste blog: a nova lei de criminalização do caixa dois não pode mesmo retroagir.

Vamos às palavras de Mendes, publicadas pelo G1:
“Sabe que eu estou percebendo, na verdade, é que há um tipo de Batalha de Itararé de desinformação neste tipo de matéria, um jogo, assim, talvez de assimetria de informações. No que diz respeito ao caixa dois, no qual se reconhece que, inicialmente, não era crime, é claro que o crime só existirá daqui pra frente. Agora, se houver corrupção, lavagem de dinheiro, estelionato, qualquer outro tipo de prática, claro que não há de se falar de anistia”.

E o ministro prosseguiu, reiterando a impossibilidade de qualquer anistia:
“É evidente que, em relação à nova tipificação, ela não vai se aplicar a fatos anteriores e também não é de se falar em anistia, nem precisa falar em anistia, porque a lei não retroage. Me parece que está havendo aí uma brutal confusão, não sei se é intencional, se de fato há pessoas tentando anistiar outros crimes, eu não conheço o texto, ou se há realmente despreparo no debate. Mas a mim me parece que há uma Batalha de Itararé porque está se falando de coisa que não faz sentido”.

Como sempre sustentei aqui.

Vale dizer:
a: caixa dois deve passar a ser crime, e lei não vai retroagir.
b: qualquer tentativa de usar o caixa dois para anistiar outro crime não faz sentido porque se trata simplesmente de uma aberração.

Não darei a demiurgos da Lava Jato os seus dez meses de Terror Salvacionista (REINALDO AZEVEDO, na FOLHA)

Acho estranho que achem estranho que eu tenha críticas a fazer à Lava Jato. E não são novas. Como isso é possível? Justo o cara que criou os termos "petralha" e "esquerdopata"? Justo aquele que bate no PT desde Santo André, quando Celso Daniel ainda vivia? Alguns chegam a ver nisso uma regressão trotskista... Então não enxergo em Sergio Moro e em Deltan Dallagnol, respectivamente, os inimigos nº 1 e nº 2 de Lula, do PT, da "corja toda", como dizem por aí?

Pois é...

O PT é pequeno e tem uma importância só episódica no conjunto de elementos que formam minhas convicções e minhas prefigurações. Não me opus ativamente ao partido –recorrendo apenas à escrita, nunca à militância política– porque o PT se chama PT. Com as mesmas características, a legenda teria igual perfume caso se chamasse "Rosa".

Tampouco me incomoda a figura de Lula, que tanto rancor desperta na extrema-direita boçal: porque operário na origem, porque supostamente ignorante, porque nordestino, porque padece de idiopatia gramatical, porque é eneadáctilo... A propósito: Geddel Vieira Lima tem dez dedos.

Lula ainda é uma das maiores inteligências políticas do Brasil. Sua trajetória prova isso. De resto, nunca foi esquerdista. Tampouco fez um governo de esquerda. O que matou o PT foi o misto de populismo e roubalheira. O primeiro levou a economia para o buraco. A outra minou-lhe a reputação. E, sim, era Lula o chefe inconteste da equação.

Ao longo do tempo, opus-me à incompetência do PT; aos malfeitos; ao autoritarismo; ao uso descarado do Estado em benefício do partido e de seus asseclas; ao capitalismo de compadrio; à tutela crescente do Estado sobre a sociedade; às agressões às liberdades individuais praticadas por milícias disfarçadas de movimentos sociais; aos ataques à imprensa e aos jornalistas independentes, financiados com verba estatal –uma arquitetura originalmente concebida por Franklin Martins– e ao uso do dinheiro público para eleger os "campeões" do empresariado nacional.

Causavam-me ainda repúdio a contaminação ideológica de organismos de Estado como Ministério Público, Defensorias e Judiciário; a transformação das universidades públicas em aparelhos do partido; a permanente crispação que buscou dividir o país entre "nós" (eles) e eles (nós); a determinação de eliminar os adversários, não apenas de vencê-los; as ações concretas e objetivas que buscavam instaurar, na prática, um regime de partido único no país, ainda que as siglas fossem se multiplicando.

Jamais advoguei a criação de instrumentos de exceção para combater essa legenda. Nem quando a sua hegemonia chegou a ameaçar conquistas democráticas. Sempre apostei na luta política.

Eu me opus àquele concerto de pessoas e forças porque sou um liberal. Logo, sendo quem sou, não teria como condescender, por exemplo, com ao menos quatro das dez medidas com que o MP pretendia combater a corrupção (eram fascistoides). Defendo ainda sem reservas o projeto que muda a lei que pune abuso de autoridade e demonstro meu inconformismo sempre que a força-tarefa vai além do que lhe faculta o Estado de Direito.

Não darei a demiurgos os seus dez meses de Terror Salvacionista. Já tiveram a chance de dizer a que vieram, durante a Revolução Francesa, entre setembro de 1793 e julho de 1794. Não foi bacana. Meu apoio à Lava Jato, nos limites da lei e da Constituição, é incondicional.

Meu liberalismo não admite um período de autoritarismo profilático. Liberalismo assim é coisa de abestado.

Fonte:
VEJA.COM + FOLHA

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