Dissidente teme aumento da repressão após morte de Fidel (em VEJA)

Publicado em 27/11/2016 06:22
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'As ditaduras são mais perigosas no começo e no final', disse o opositor Guillermo Fariñas, que pediu o apoio da comunidade internacional

Neste sábado, dezenas de opositores cubanos exilados foram às ruas para comemorar após receberem a notícia da morte de Fidel Castro. O dissidente Guillermo Fariñas, contudo, não se juntou ao coro. Para o ativista que é um dos mais importantes opositores do regime castrista, a partida do líder da revolução cubana pode aumentar os atos de repressão no país.

“Achamos que haverá mais repressão. Já existem vários irmãos com as casas vigiadas, não podem sair. Simples e ingenuamente o que precisamos neste momento é mais do apoio da comunidade internacional e de governos democráticos”, afirmou Fariñas neste sábado. “As ditaduras são mais perigosas no começo e no final. Acredito que a repressão vai aumentar caso não exista solidariedade internacional.”

O jornalista e psicólogo de 54 anos deu as declarações sobre a morte de Fidel em Porto Rico, onde participa de uma série de atividades do Encontro Nacional Cubano ao lado do também dissidente René Gómez Manzano.

Cuba pós-Fidel: entre o Vietnã e a Coreia do Norte

Com a morte do ditador Fidel Castro, a ilha de Cuba fica entre duas alternativas: Vietnã ou Coreia do Norte.

“Este evento pode ser como a morte de Le Duan no Vietnã em 1986. Foi isso o que permitiu uma eleição mais liberal no Congresso do Partido Comunista e o pacote de reformas ‘doi moi’, que abriu o país”, diz o economista Rafael Romeu, da Associação para o Estudo da Economia Cubana, em Washington.

Essa perspectiva é baseada na ideia de que Raúl Castro, que assumiu o poder em 2008, seria mais propenso a permitir mudanças econômicas, mas não teria ido adiante por causa da influência do irmão Fidel.

A China, por exemplo, demorou apenas cinco anos para realizar todas as reformas necessárias. Raúl está no poder há oito anos e nada mudou.

Cubanos em Miami comemoram morte de Fidel Castro

Dezenas de cubanos se reuniram na madrugada deste sábado com bandeiras de seu país e dos Estados Unidos nos arredores do restaurante Versailles, no bairro de Little Havana, em Miami, após tomarem conhecimento da morte de Fidel Castro, líder da revolução que levou milhares de pessoas a fugir de Cuba desde 1959.

O famoso restaurante foi palco de celebrações semelhantes cada vez que se intensificavam rumores da morte de Fidel, e de protestos e reuniões dos exilados em Miami.

+ 33 fotos que contam a trajetória de Fidel Castro

Muitos sorriam para as câmeras, outros choravam da emoção e alguns bebiam champanhe diretamente da garrafa sem se importar com a presença de curiosos.

A notícia da morte de Fidel Castro foi dada por seu irmão Raúl Castro, atual presidente de Cuba, pouco antes da meia-noite, por isso muitos miamenses de origem cubana ainda não souberam.

A famosa rua 8 de Miami, a avenida principal da região chamada Little Havana, teve o tráfego interrompido porque muita gente foi para o asfalto.

+ 10 fatos sobre Fidel Castro, morto aos 90 anos

Ramón Saúl Sánchez, líder da organização do exílio cubano Movimento Democracia, lamentou hoje que a morte de um “tirano” – como definiu Fidel Castro – não signifique “a liberdade do povo de Cuba”.

“É a maior tristeza que tenho em meu coração”, afirmou à Agência Efe o ativista.

Fidel Castro morreu aos 90 anos às 22h29 de sexta-feira (hora local; 1h29 de sábado em Brasília), informou seu irmão, o presidente Raúl Castro, em pronunciamento na rede de televisão estatal.

O corpo do líder histórico da Revolução Cubana será cremado, “atendendo sua vontade expressa”, explicou Raúl, bastante emocionado.

(Efe)

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O dissidente cubano Guillermo Fariñas (Desmond Boylan/Reuters/VEJA)

 

Fonte:
veja.com

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