DATAFOLHA: Popularidade de Temer cai; agora 51% desaprovam o governo

Publicado em 10/12/2016 10:09 e atualizado em 11/12/2016 09:18
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No ESTADÃO: Delator da Odebrecht cita Temer e ministros do PMDB -- Ex-executivo diz que presidente negociou no Jaburu com Marcelo Odebrecht em 2014 repasse de R$ 10 mi e parte foi entregue no escritório de amigo do peemedebista

Segundo pesquisa da Datafolha, 51% dos brasileiros consideram a gestão do peemedebista ruim ou péssima. Em julho, o número era 31%. Os que consideram o governo regular caiu para 34% contra 42% em julho.

A população apontou que considera Temer falso (65%), inteligente (63%), defensor dos mais ricos (75%) e desonesto (58%). Metade dos ouvidos também apontam o presidente como autoritário.

O pessimismo em relação ao país também foi alto. Para os brasileiros, 66% acredita que a inflação vai aumentar, e 67% aposta no crescimento do desemprego – atualmente, 11,8% da população não tem emprego, porcentagem que representa 12 milhões de pessoas. Apenas 9% acredita que o quadro econômico apresentou uma melhora.

Assim como a última pesquisa, de julho, 63% pede pela renúncia do presidente para que um novo mandatário seja eleito pelo voto direto.

Na comparação com Dilma, a gestão Temer é considerada pior por 40% da população, igual para 34% e melhor para 21%.

A pesquisa foi feita entre 7 e 8 de dezembro, datas em que o presidente ainda não tinha sido citado nas delações da Odebrecht. Foram ouvidas 2.828 pessoas com mais de 16 anos.

No ESTADÃO: Delator da Odebrecht cita Temer e ministros do PMDB

BRASÍLIA - O ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho afirmou, em anexo entregue ao Ministério Público Federal, que o presidente Michel Temer pediu “apoio financeiro” para as campanhas do PMDB em 2014 a Marcelo Odebrecht, que se comprometeu com um pagamento de R$ 10 milhões. 

No documento de 82 páginas, que o Estado teve acesso, o delator cita ainda o papel do ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) e do secretário executivo do Programa de Parcerias de Investimentos, Moreira Franco, além dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e de outros parlamentares.

O anexo foi entregue durante as tratativas para o acordo de delação, no qual o executivo se compromete a contar o que sabe sobre o esquema de corrupção. Melo Filho precisará confirmar tudo que narra no anexo, em depoimento formal.

Após todos os depoimentos, o material será encaminhado para que seja ou não homologado pelo ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal. Caso seja homologado, as delações vão basear possíveis procedimentos de investigação formal. 

Jantar. O ex-executivo detalha um jantar com Temer no Palácio do Jaburu, no qual estiveram presentes Temer, Marcelo Odebrecht e Padilha. Segundo o delator, Temer solicitou “direta e pessoalmente para Marcelo, apoio financeiro para as campanhas do PMDB no ano de 2014”. 

Uma das entregas foi feita no endereço do escritório de advocacia de José Yunes, amigo de Temer e atual assessor da Presidência da República, segundo ele, o que sugere o pagamento em dinheiro em espécie. 

“No jantar, acredito que considerando a importância do PMDB e a condição de possuir o Vice-Presidente da República como Presidente do referido partido político, Marcelo Odebrecht definiu que seria feito pagamento no valor de R$ 10.000.000,00. Claramente, o local escolhido para a reunião foi uma opção simbólica voltada a dar mais peso ao pedido de repasse financeiro que foi feito naquela ocasião”, disse Melo Filho em seu depoimento. Ele cita que há troca de e-mails nos quais Marcelo Odebrecht se refere ao pagamento definido no jantar com referência a Temer como “MT”.

Do valor negociado no jantar, R$ 4 milhões foram realizados “via Eliseu Padilha”, a quem Melo Filho chama de “preposto de Temer”. Parte do pagamento, segundo Padilha informou ao delator, foi destinada ao deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). “Compreendi que os outros R$ 6.000.000,00, por decisão de Marcelo Odebrecht, seriam alocados para o Sr. Paulo Skaf”, afirmou. 

O depoimento traz descrição detalhada e o ex-executivo complementa as informações com data do jantar e placa dos carros da empresa que entraram no Jaburu, além de mencionar horário de chamada telefônica a Padilha no mesmo dia. 

No depoimento, Melo Filho detalhou que tinha um relacionamento “muito próximo com o núcleo político” de Temer. Segundo ele, Padilha e Moreira Franco eram responsáveis por transmitir os pedidos da Odebrecht ao atual presidente. “Tratei poucas vezes diretamente com Michel Temer”, disse o executivo. Segundo ele, foi o ex-ministro Geddel Vieira Lima quem o apresentou ao atual presidente da República, em 2005.

Em 2011, Marcelo Odebrecht pediu que o executivo informasse a Temer que a então presidente da Petrobrás, Graça Foster, perguntou expressamente quais pessoas do PMDB o presidente do grupo ajudou financeiramente na campanha de 2010. 

Marcelo disse que não respondeu à presidente da estatal, porque “não dizia respeito a ela a relação dele com o PMDB”, e pediu pressa na transmissão do recado ao vice-presidente. O recado foi passado a Moreira Franco, que pouco tempo depois marcou um jantar no Jaburu, no qual Melo Filho contou a história a Temer. “Para fazer chegar a Michel Temer os meus pleitos, eu me valia de Eliseu Padilha ou Moreira Franco, que o representavam. Essa era uma via de mão dupla, pois o atual Presidente da República também utilizava seus prepostos para atingir interesses pessoais, como no caso dos pagamentos que participei, operacionalizado via Eliseu Padilha”, escreveu o delator.

Ele também contou que Temer “esteve disponível” para ouvir tema de interesse da Odebrecht em uma viagem institucional do vice a Portugal. “Esse exemplo deixa claro a espécie de contrapartida institucional esperada entre público e privado”, relatou Melo Filho.

Além do repasse de R$ 4 milhões “via Padilha”, o delator informou que tratou com o atual ministro sobre o Aeroporto de Goiânia, sobre energia para a petroquímica, sobre política na Bahia e as pretensões de Geddel, e também sobre o seu escritório de advocacia em Porto Alegre. O codinome de Padilha era “Primo”. 

Moreira, com quem o executivo diz conhecer há muitos anos em razão de um “parentesco distante”, tinha o apelido de “Angorá”. O ex-executivo diz ter tratado com Moreira de demanda da Odebrecht para manter o modelo de concessões de aeroportos. ( COLABORARAM FABIO SERAPIÃO, VERA ROSA e MURILO RODRIGUES ALVES de O ESTADO DE S. PAULO).

Temer repudia ‘falsas acusações’ de executivo da Odebrecht

BRASÍLIA - O presidente Michel Temer rechaçou as acusações feitas pelo executivo Cláudio Melo Filho, ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht, e assegurou não ter havido caixa 2 nas campanhas do PMDB. Em nota, a assessoria de Temer disse que todas as doações feitas pela empreiteira foram declaradas ao Tribunal Superior Eleitoral.

“O presidente Michel Temer repudia com veemência as falsas acusações do senhor Cláudio Melo Filho”, informa a nota. “As doações feitas pela Construtora Odebrecht ao PMDB foram todas por transferência bancária e declaradas ao TSE. Não houve caixa 2, nem entrega em dinheiro a pedido do presidente”, completa.

O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, classificou a delação do executivo como “mentira” e disse confiar nas investigações. “Não fui candidato em 2014! Nunca tratei de arrecadação para deputados ou para quem quer que seja. A acusação é uma mentira!”

Na mesma linha, o secretário executivo do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Moreira Franco, negou qualquer irregularidade. “É mentira. Reitero que jamais falei de política ou de recursos para o PMDB com o senhor Claudio Melo Filho”, afirmou.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse, em nota, que a chance de se encontrar irregularidades em suas contas pessoais ou eleitorais “é zero”. “Em quase uma década, não se produziu uma prova contra o senador”, diz o texto divulgado pela assessoria da presidência do Senado.

O líder do governo no Congresso, Romero Jucá (PMDB-RR), disse desconhecer a delação “do senhor Claudio Melo Filho”. “O senador está à disposição da Justiça para prestar quaisquer esclarecimentos”, disse sua assessoria.

Candidato ao comando do Senado, o líder do PMDB na Casa, Eunício Oliveira (CE), lembrou que todas as suas contas foram aprovadas pela Justiça Eleitoral. “O senador nunca autorizou o uso de seu nome por terceiros e jamais recebeu recursos para a aprovação de projetos ou apresentação de emendas legislativas”, afirma a nota de sua assessoria.

Citado na delação do executivo da Odebrecht, o presidente do DEM, senador José Agripino (RN), também desmentiu ter recebido R$ 1 milhão da companhia, há dois anos. “Em 2014 sequer fui candidato. Desconheço e repilo os fatos citados”, disse Agripino.

Em nota, a Odebrecht informou que não se manifesta sobre a negociação com a Justiça. A empresa ressaltou, porém, ter compromisso “com atuação ética, íntegra e transparente”. 

Leia delação de Cláudio Melo Filho, da Odebrecht

O ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho afirmou, em anexo entregue ao Ministério Público Federal, que o presidente Michel Temer pediu “apoio financeiro” para as campanhas do PMDB em 2014 a Marcelo Odebrecht, que se comprometeu com um pagamento de R$ 10 milhões.

 

Documento

 

No documento de 82 páginas, que o Estado teve acesso, o delator cita ainda o papel do ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) e do secretário executivo do Programa de Parcerias de Investimentos, Moreira Franco, além dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e de outros parlamentares.

O anexo foi entregue durante as tratativas para o acordo de delação, no qual o executivo se compromete a contar o que sabe sobre o esquema de corrupção. Melo Filho precisará confirmar tudo que narra no anexo, em depoimento formal.

Após todos os depoimentos, o material será encaminhado para que seja ou não homologado pelo ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal. Caso seja homologado, as delações vão basear possíveis procedimentos de investigação formal.

Jantar. O ex-executivo detalha um jantar com Temer no Palácio do Jaburu, no qual estiveram presentes Temer, Marcelo Odebrecht e Padilha. Segundo o delator, Temer solicitou “direta e pessoalmente para Marcelo, apoio financeiro para as campanhas do PMDB no ano de 2014”.

Uma das entregas foi feita no endereço do escritório de advocacia de José Yunes, amigo de Temer e atual assessor da Presidência da República, segundo ele, o que sugere o pagamento em dinheiro em espécie.

“No jantar, acredito que considerando a importância do PMDB e a condição de possuir o Vice-Presidente da República como Presidente do referido partido político, Marcelo Odebrecht definiu que seria feito pagamento no valor de R$ 10.000.000,00. Claramente, o local escolhido para a reunião foi uma opção simbólica voltada a dar mais peso ao pedido de repasse financeiro que foi feito naquela ocasião”, disse Melo Filho em seu depoimento. Ele cita que há troca de e-mails nos quais Marcelo Odebrecht se refere ao pagamento definido no jantar com referência a Temer como “MT”.

Do valor negociado no jantar, R$ 4 milhões foram realizados “via Eliseu Padilha”, a quem Melo Filho chama de “preposto de Temer”. Parte do pagamento, segundo Padilha informou ao delator, foi destinada ao deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). “Compreendi que os outros R$ 6.000.000,00, por decisão de Marcelo Odebrecht, seriam alocados para o Sr. Paulo Skaf”, afirmou.

O depoimento traz descrição detalhada e o ex-executivo complementa as informações com data do jantar e placa dos carros da empresa que entraram no Jaburu, além de mencionar horário de chamada telefônica a Padilha no mesmo dia.

No depoimento, Melo Filho detalhou que tinha um relacionamento “muito próximo com o núcleo político” de Temer. Segundo ele, Padilha e Moreira Franco eram responsáveis por transmitir os pedidos da Odebrecht ao atual presidente. “Tratei poucas vezes diretamente com Michel Temer”, disse o executivo. Segundo ele, foi o ex-ministro Geddel Vieira Lima quem o apresentou ao atual presidente da República, em 2005.

Em 2011, Marcelo Odebrecht pediu que o executivo informasse a Temer que a então presidente da Petrobrás, Graça Foster, perguntou expressamente quais pessoas do PMDB o presidente do grupo ajudou financeiramente na campanha de 2010.

Marcelo disse que não respondeu à presidente da estatal, porque “não dizia respeito a ela a relação dele com o PMDB”, e pediu pressa na transmissão do recado ao vice-presidente. O recado foi passado a Moreira Franco, que pouco tempo depois marcou um jantar no Jaburu, no qual Melo Filho contou a história a Temer. “Para fazer chegar a Michel Temer os meus pleitos, eu me valia de Eliseu Padilha ou Moreira Franco, que o representavam. Essa era uma via de mão dupla, pois o atual Presidente da República também utilizava seus prepostos para atingir interesses pessoais, como no caso dos pagamentos que participei, operacionalizado via Eliseu Padilha”, escreveu o delator.

Ele também contou que Temer “esteve disponível” para ouvir tema de interesse da Odebrecht em uma viagem institucional do vice a Portugal. “Esse exemplo deixa claro a espécie de contrapartida institucional esperada entre público e privado”, relatou Melo Filho.

Além do repasse de R$ 4 milhões “via Padilha”, o delator informou que tratou com o atual ministro sobre o Aeroporto de Goiânia, sobre energia para a petroquímica, sobre política na Bahia e as pretensões de Geddel, e também sobre o seu escritório de advocacia em Porto Alegre. O codinome de Padilha era “Primo”.

Moreira, com quem o executivo diz conhecer há muitos anos em razão de um “parentesco distante”, tinha o apelido de “Angorá”. O ex-executivo diz ter tratado com Moreira de demanda da Odebrecht para manter o modelo de concessões de aeroportos. / COLABORARAM FABIO SERAPIÃO, VERA ROSA e MURILO RODRIGUES ALVES).

 

Fonte: Folha/O Estado de S. Paulo/VEJA

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