Delação de Marcelo deixa executivos da Odebrechet inconformados (por SONIA RACY, no ESTADÃO)

Publicado em 14/12/2016 06:20 e atualizado em 15/12/2016 10:59
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A quem interessam estes vazamentos?... (em O ESTADO DE S. PAULO)

Boa parte dos executivos da Odebrecht que fizeram delação premiada está inconformada com a atitude de Marcelo Odebrecht. Esperavam que o ex-presidente executivo do Grupo assumisse que era realmente o chefão da contabilidade paralela.

E que comandava o esquema com mão de ferro.

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Se ele tivesse tido esta atitude, acreditam que muitos dos mais de 70 envolvidos não teriam que passar por processo penal. Principalmente os que se limitavam a aprovar, em seu centro de custos, as operações determinadas por Marcelo.

Claro que poderiam ter discordado do capo e pedido demissão. Mas não o fizeram.

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Para quem estranhou o linguajar na delação de Claudio Melo Filho, tornada pública, vai a informação: as delações foram reescritas diversas vezes para que se carregasse nas tintas.

Exemplo: não valia dizer pagamento a alguém, tinha de ser “propina” paga de modo “nada republicano”. Uma forma de deixar claro o tipo de crime referido.

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Os delatores da Odebrecht estão apreensivos com o vazamento de seus depoimentos. Temem que suas delações sejam invalidadas.

A quem interessam estes vazamentos?

Delator de Temer cita “ligações telefônicas” como prova (COLUNA DO ESTADÃO)

O Planalto está apreensivo com um ponto do anexo de delação do ex-executivo da Odebrecht Cláudio Melo. No capítulo em que narra suposto pedido de dinheiro pelo presidente Michel Temer e a entrega de valores no escritório de José Yunes, assessor da Presidência, Melo diz que seu relato acompanha “elementos relevantes” de prova, como “ligações telefônicas”. Ressalta que “os dados de corroboração são fortes e permitem que a investigação vá bem além daquilo que o simples acesso ao sistema (de pagamentos) da empreiteira pode permitir”.


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EDITORIAL DO ESTADÃO: Quando a pressa é necessária

A economia está em cacos e exige medidas urgentes de correção de rumos. A responsabilidade por essa correção de rumos cabe primordialmente ao governo. Não a um governo de sonhos embalados pelo voluntarismo malicioso e irresponsável de uma oposição que, em última análise, jogou o País no buraco quando teve oportunidade de governá-lo. Quem precisa agir agora, com urgência, é o governo que temos, o que está aí, constitucionalmente legitimado. Tem toda a razão o presidente Michel Temer, portanto, quando reage ao vazamento de delações premiadas – nas quais seu próprio nome é mencionado – solicitando formalmente ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, “celeridade” na divulgação oficial das demais 76 delações de executivos da Odebrecht conduzidas pelo Ministério Público Federal, de modo a evitar a instabilidade institucional e seu efeito paralisante sobre a administração federal.

Tem razão o chefe do governo porque se impõe a necessidade de circunscrever ao âmbito de quem de fato delinquiu – e não, como tem sido feito, a todos os políticos e à inteira estrutura política nacional – o resultado do vazamento de informações que, no momento, servem apenas aos interesses dos que desejam se apresentar como salvadores da Pátria, bem como aos saudosos do populismo lulopetista que apostam no quanto pior, melhor, na política e na economia.

Falando na noite de segunda-feira, em São Paulo, sobre a carta que enviou ao procurador-geral da República, Michel Temer fez vigorosa defesa da necessidade de que as investigações da Lava Jato e operações congêneres prossigam no mesmo ritmo e que, “se houver delitos e malfeitos, que venha tudo à luz de uma vez”. A sensata preocupação do chefe do governo é que, tanto quanto possível, seja rigorosamente coibida a frequente reiteração do vazamento de detalhes das delações premiadas que, obviamente, não são divulgados aleatoriamente, mas atendendo a interesses que todo o País gostaria de ver desvendados.

O fato é que, se a corrupção fez terríveis males ao País, a estudada manipulação que se tem feito das apurações a respeito daqueles fatos criminosos também está corroendo o tecido social. Não se entenda do que foi dito acima que pregamos a imunidade ou a impunidade. Quem violou a lei deve pagar – e caro – por isso. Mas quem apura tais violações, ou manipula os resultados da apuração para manter a sociedade em constante sobressalto e as instituições em perigoso desequilíbrio, inocente não é.

Essa ponderação, aliás, levanta uma questão óbvia: até que ponto é realmente impossível a certas autoridades evitar a ocorrência de vazamentos? Policiais, procuradores, juízes e seus serventuários – além dos próprios delatores – têm acesso ou conhecimento dos depoimentos. A imprensa, não. Os meios de comunicação só os divulgam quando há vazamentos. Quanto aos delatores, é difícil imaginar que tenham pressa em tornar públicos os delitos que cometeram e muito menos comprometer, pela inconfidência, as vantagens decorrentes da colaboração.

Recentemente, o relator das ações da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Teori Zavascki, rebatendo críticas à morosidade daquela Corte no julgamento de ações que envolvem figurões da República, explicou que a demora se deve à complexidade do trabalho dos procuradores e policiais federais.

O procurador-geral da República e os procuradores federais devem se empenhar em criar condições para que o STF possa se desincumbir, com a rapidez pela qual os brasileiros clamam, da alta responsabilidade de julgar homens públicos acusados de corrupção.

O mesmo sentido de urgência que a unanimidade nacional atribui ao combate à corrupção aplica-se também às ações governamentais, especialmente aquelas que dependem de aprovação parlamentar, destinadas a promover o saneamento das contas públicas, a reforma da Previdência e outras providências destinadas a lançar as bases de um amplo programa de retomada do crescimento econômico. Não faz sentido, portanto, permitir que essas duas urgências entrem em conflito, principalmente por meio da manipulação política levada a efeito tanto por obstinados caçadores de glórias quanto pelos órfãos do poder obcecados por vingança.

Fonte: O Estado de S. Paulo

2 comentários

  • Edmeu Levorato Uberaba - MG

    ...Desconheço um líder capaz de executar tudo isso. Pelo menos entre os políticos de hoje não. Provavelmente exista gente capacitada para tanto escondido no meio da população. O problema que o povo gosta de demagogos que na época de eleição vendam ilusões. O povão acha que as coisas se resolvem com um passe de mágica.

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  • Elton Szweryda Santos Hortolândia - SP

    Pelo jeitão da coisa, a vaca foi pro brejo, Temer! Pmdb, outros partidos de sustençao, vale resaltar que eram os mesmo da comunista Dilma, o Psdb que se cuide pos irá afundar junto. Precisamos de um lider que seja radical contra a insegurança publica e juridica, que seja radical contra essas manifestações de vandalos, cadeia neles, que seja radical compra as pecuinhas da lei trabalhista, que seja radical contra os banditos que hoje possuem mais direitos que o cidadão de bem, que seja radical contra a burrocracia de hoje que travam o progresso, que ponha um basta nessas ongs ambientalistas que mandam nesse país, que as mesmas voltem aos seus paises de origem. Precisamos destravar o nosso país nem que seja na marra. Voces conhecem esse lider?

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    • Cassiano aozane Vila nova do sul - RS

      Eu tinha pensado no Trumph ,mas Bolso aro serve de tentativa, fora isso é milico ou anarquismo .kkkkk

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    • Rede hiperagro Candeias - MG

      E isso ai meus companheiros, todos com rasão, mas lideres são escolhidos pelo nosso voto para trabalharem honestamente, e pagamos muito bem nossos escolhidos, diga se de passagem com salários muito acima dos patrões (os cidadãos), em uma empresa privada quando se percebe um colaborador desonesto ele e colocado para correr de uma maneira ou de outra seguindo os ditames da legislação trabalhista, e muitas vezes e o próprio gerente ou ate mesmo um sócio mas, mesmo com o transtorno causado pela queda de um colaborador de alto escalão a diretoria substitui sumariamente o corrupto para o bem de todos. Então nossos colaboradores desde vereador ate o presidente da republica devem agir de forma honestíssima, exemplar, austera caso contrario tem que ser posto para correr sumariamente de acordo com a constituição. muito estranho ouvir declarações de instituições como a CNA querendo abrandar as ações contra corruptos quando todos dizem que no Brasil não falta leis e sim quem as coloca para funcionar. agora eu pergunto, será que a CNA consultou os produtores rurais sobre o que eles pensam da ação da justiça antes de manifestar sobre o assunto?

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    • carlo meloni sao paulo - SP

      ME PARECE QUE ESTA REDE HIPERAGRO ESTA' MAIS POR FORA DE QUE UMBIGO DE VEDETE-----A CNA ESTA' ACHANDO QUE O JUDICIARIO COMETE EXCESSOS CONTRA AGRICULTOR EM CASO DE SERVIÇO ESCRAVO E CRIME AMBIENTAL ONDE REDUZEM UM AGRICULTOR A PO'

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