Temer comemora corte surpreendente dos juros pelo Copom e vê condições para retomada econômica

Publicado em 11/01/2017 20:48
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Reuters

(Reuters) - O presidente Michel Temer comemorou a decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central de reduzir a taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual, e disse que estão dadas as condições para a retomada da economia e da criação de empregos.

"A decisão do Banco Central, que delibera de forma independente e com base em elementos exclusivamente técnicos, respalda a convicção do Presidente Michel Temer no sentido de que estão dados os elementos para uma retomada do crescimento econômico e da criação de novos empregos ao longo do ano", afirma do Palácio do Planalto.

"Abre-se espaço para que a taxa de juros seja gradualmente reduzida, de modo responsável, consistente e sustentável", acrescenta a nota do Palácio do Planalto.

O corte da taxa Selic para 13,0 por cento ao ano pelo Copom surpreendeu o mercado, que esperava uma redução de 0,50 ponto percentual.

Temer vinha dizendo esperar uma queda dos juros, como na última segunda-feira, quando disse não desejar "dar palpite nessa área, que é uma área muito delicada", mas afirmou que "certa e seguramente com a inflação caindo, naturalmente os juros irão cair".

 

Após Copom reduzir Selic, Bradesco anuncia cortes dos juros


SÃO PAULO (Reuters) - O Bradesco anunciou nesta quarta-feira a redução das taxas de juros de linhas de crédito para pessoas físicas e para empresas, logo após o Comitê de Política Monetária (Copom) ter cortado a Selic em 0,75 ponto percentual, para 13 por cento ao ano.

Para pessoa físicas, o Bradesco cortou a taxa mínima mensal do crédito pessoal de 2,84 para 2,78 por cento ao mês, e a máxima de 7,78 para 7,72 por cento. A taxa máxima do cheque especial passou de 13,55 para 13,49 por cento ao mês.

Na linha de capital de giro para micro e pequenas empresas, a taxa mínima do Bradesco caiu de 2,10 para 2,04 por cento ao mês, enquanto a máxima sai 4,27 para 4,19 por cento ao mês.

As medidas entram em vigor na próxima segunda-feira, informou o banco.

Surpresa dupla, por CELSO MING, no ESTADÃO

Esta quarta-feira trouxe duas surpresas de impacto entrelaçado: o tombo da inflação, maior do que o esperado; e a decisão do Banco Central de derrubar os juros em dose reforçada, maior do que aquela com que contavam os analistas do mercado.

São fatos positivos que podem funcionar como o tranco a que se submete o motor da economia, afogado e sem bateria, para pegar de novo.

Como ficou reconhecido de forma inédita no comunicado divulgado logo após a reunião do Copom, a intenção não era tudo isso. Era reduzir os juros básicos (Selic) em apenas 0,50 ponto porcentual ao ano, para, ao mesmo tempo, passar o sinal de que cortaria 0,75 ponto somente na reunião agendada para 22 de fevereiro. Mas o Banco Central mudou de ideia, aparentemente depois que conferiu o "processo de desinflação mais disseminado" e depois de ter verificado o tamanho do tombo do PIB. A decisão foi de "antecipar o ciclo de distensão da política monetária, permitindo o estabelecimento do novo ritmo de flexibilização". Deixou de dançar bolero e mandou a orquestra atacar um frevo animado.

SELIC

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Desta vez, ao contrário do que vinha fazendo, o Banco Central não deu nenhum aviso anterior de que mudaria a dose, mesmo tendo admitido semanas antes que a inflação está sob controle, em convergência para a meta, que as expectativas estão alinhadas e que a demanda está tão fraca como não se via há anos.

E de fato, a inflação de dezembro ficou alguns degraus abaixo das projeções com que vinha trabalhando a maioria dos analistas. Ficou nos 0,30%, o que perfez uma acumulada de 6,29% em 12 meses (veja o Confira). Essa acumulada, abaixo do teto da meta (que é de 6,5% no ano-calendário), é fato positivo com que também ninguém contava. No fim de novembro, na reunião anterior do Copom, por exemplo, o próprio Banco Central trabalhava com uma inflação, em 2016, de 6,6%.

Os analistas vão agora debater ardorosamente sobre os próximos passos. Seguirá o Banco Central nesse ritmo mais agressivo, como nesta quarta-feira, ou tenderá a dosá-los mais?

Vai depender da reação da economia. O comunicado põe força em três principais riscos de inflação, fatores que poderiam segurar as tesouradas: (1) no alto grau de incerteza do cenário externo - e isso leva o nome de Donald Trump; (2) no comportamento dos tais "componentes mais sensíveis da inflação", que têm a ver com os preços administrados (tarifas reajustadas pelo governo); e (3) nos solavancos que vêm aí em torno do processo das reformas. Faltou dizer que risco tão grande quanto estes é o impacto que poderão produzir, na economia e na política, as tais denúncias premiadas do fim do mundo que deverão ser divulgadas nas próximas semanas.

Tem também de ser perguntado se o tranco vai produzir efeitos, agora esperados, sobre a máquina. Algum efeito vai certamente produzir. Mas é bom não contar demais com isso, porque a política de juros é apenas um instrumento da economia. Vai ser preciso saber mais: até que ponto o governo conseguirá equilibrar as contas públicas; se conseguirá ser bem-sucedido nos novos leilões e contratações de investimentos de infraestrutura; e até que ponto a confiança voltará na atividade econômica.

CONFIRA:

 

IPCA

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Aí está a evolução da inflação nos últimos sete anos.

Mais reajustes

A inflação de novembro foi de 0,18%, a de dezembro, de 0,30% e, de acordo com o que espera o mercado, a de janeiro será quase o dobro disso, 0,58%. Mas essa esticada inevitável de janeiro não significa novo avanço da inflação nem coloca em risco a meta do ano. Deve ser vista como ajuste sazonal. É o mês de grande número de reajustes: mensalidades escolares, tarifas de condução, salários do setor de serviços, etc.

MICHEL TEMER DESMONTA DISCURSO DE DILMA ROUSSEFF NA ECONOMIA

Por GABRIEL GARCIA, no DIÁRIO DO PODER

O presidente Michel Temer adota na economia proposta diferente da sua antecessora, a ex-presidente Dilma Rousseff. Durante a campanha eleitoral de 2014, Dilma acusou o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) de elevar os juros para controlar a inflação. Era uma estocada no candidato, por ela derrotado, Aécio Neves (PSDB-MG).

“Candidato, vocês sempre gostaram de plantar inflação para colher juros”, disparou a ex-presidente em direção a Aécio. A bala reverberou na petista, conforme mostram os números econômicos.

Nesta quarta-feira (11), o Comitê de Política do Banco Central (Copom) baixou a taxa básica de juros (Selic) de 13,75% para 13% ao ano. O resultado foi possível porque o governo do presidente Michel Temer, que tem como principal aliado o PSDB, consegue controlar a inflação deixada por Dilma.

Enquanto presidente da República, Dilma deixou o Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial usado para medir a inflação, em escorchantes 9,28%.

Dilma ainda entregou o Brasil com uma taxa de juros em 14,25% ao ano. Em novembro de 2014, a Selic estava em 11% ao ano. Ainda no campo econômico, o governo do PT entregou o Brasil com 12 milhões de desempregados.

Esse é o legado do PT.

Fonte: Reuters + ESTADÃO + DP

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