Não processem a Imperatriz Leopoldinense...por enquanto

Publicado em 16/01/2017 09:08
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Recebi a indicação de uma matéria do Jornal da Manhã, de Uberaba, Minas Gerais. A matéria avisa que o Sindicato Rural de Uberaba estuda processar a escola de samba Imperatriz Leopoldinense que criticará o agro no próximo carnaval. Eu acho que é um erro. O setor rural não deve, na minha opinião, processar a escola de samba. Pelo menos não por enquanto.

O enredo da escola de samba na verdade não é um problema. É preconceituoso e falso em relação ao agro, mas é apenas um sintoma. O problema é forma torta como a sociedade urbana enxerga o agro. Essa forma torta se manifesta de diversas maneiras. Se manifesta na postura de certos procuradores do Ministério Público, em decisões judiciais, em matérias de jornal, no movimento ambiental e por aí vai.

Processar a Imperatriz Leopoldinense não ajudará em nada na solução do problema real. Pelo contrário. Se conseguíssemos uma decisão judicial favorável, o que é improvável, a escola desfilaria de burca e morreria dizendo que os ruralistas malvadões censuraram o carnaval. A sociedade ficaria do lado da escola e contra nós. Como, aliás, já está ficando em razão da nossa incompetência na área de comunicação.

Na minha opinião, as entidades que emitiram nota contra o enredo da Imperatriz Leopoldinense, ao invés de processar a escola ou enveredar por outras maluquices, deveriam se juntar em um fórum para discutir de forma SÉRIA e competente COMO SE COMUNICAR COM A SOCIEDADE URBANA.

Não estou falando aqui de propagando no Fantástico. Isso é ineficaz e ineficiente. Falo de um trabalho sério de comunicação. 

Não processem a Imperatriz antes do carnaval. Há uma obra de arte moderna chamada "Merda d'artista". Um italiano chamado Piero Manzoni armazenou seu próprio cocô em 90 latinhas numeradas contendo 30g de bosta cada uma. Em 2015, a lata nº 54 foi vendida em um leilão da Christies por £ 182,500, pouco mais de R$ 700 mil.

Uma lata de cocô que vale R$ 700 mil é o preço que a sociedade paga para ter um Rembrandt ou um Renoir. Michel Foucault é o custo social de Albert Einstein, Paulo Coelho é o custo social de Euclides da Cunha, Miriam Leitão é o custo social de Truman Capote. A arte, a ciência, a literatura e o jornalismo devem ser livres para fazer o que bem entenderem. Devem, entretanto, se responsabilizar pelas consequências dos seus atos.

Eu penso (e todo penso é torto) que o setor deveria deixar a Imperatriz desfilar em paz. Depois do desfile, o setor deve caracterizar muito bem o dano de imagem ao agro decorrente do enredo preconceituoso da escola e processá-la com todas as forçar.

O mais importante agora, todavia, além de qualificar a nossa posição, é canalizar a indignação do setor para um projeto sério de comunicação.

Sarney Filho enfrenta motim no Ibama

A diretoria de licenciamento do Ibama, Rose Hoffmann, nomeada por Sarney Filho, enfrenta um motim. Hoffmann colocou três servidores concursados em disponibilidade por insubordinação a ordens superiores. A associação dos servidores chama a medida de tentativa de mordaça e perseguição a quem tenha opiniões diferentes da direção do órgão.

De acordo com o jornal O Globo, Hoffmann assinou memorando em 16 de dezembro no qual informa à diretoria de Planejamento da casa que “diante da insubordinação dos servidores abaixo listados no atendimento a ordens superiores, ... , coloco-os à disposição da Coordenação-Geral de Recursos Humanos”.

Os servidores colocados em disponibilidade não querem ter seus nomes revelados. Um deles alega que foram perseguidos por produzirem notas técnicas e pareceres que não foram solicitados, mas que expuseram problemas administrativos do próprio Ibama. 

Vitor Sarno, diretor da associação dos servidores da carreira no DF (Asibama-DF), avalia a ação da diretoria do Ibama como tentativa de mordaça. "É uma clara perseguição a quem tem opiniões diferentes da coordenação", disse Sarno ao O Globo.

Parece que ninguém, além das ONGs, quer Sarney Filho no Ministério do Meio Ambiente.

Com informações do jornal O Globo (íntegra) e imagem composta com fotos de Paulo de Araújo/MMA (Sarney Filho) e Lucio Bernardo Junior/Câmara dos Deputados (Rose Hoffmann)

Survival International acusa WWF de violar direitos humanos na África

Survival International e WWF

Uma acusação por abusos de direitos humanos contra o WWF, a maior ONG ambientalista do mundo, deve ser examinada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em uma etapa sem precedentes.

Equipes anti-caça do governo de Camarões, na África, os "eco-guardas", parcialmente financiados e logisticamente apoiados pelo WWF, vem destruído campos e propriedades pertencentes ao povo caçador-coletor Baka. A milícia do WWF é acusada ​​de usar a força física e ameaças de violência contra o povo Baka ao longo de vários anos.

A queixa contra o WWF foi apresenta no ano passado à OCDE na Suiça (onde fica a sede do WWF) por uma outra ONG, a Survival International, ligada a proteção de povos tradicionais. O relatório de 228 páginas alega que os Baka também tiveram o acesso às suas terras tradicionais negado depois que o governo Camarões estabeleceu Áreas de proteção ambiental "com o apoio vital do WWF".

Sob as diretrizes da OCDE, a disputa entre a Survival International e o WWF será agora mediada por um funcionário do governo suíço. É a primeira vez que a conduta de uma ONG ambientalista internacional será examinada sob as diretrizes da OCDE para empresas multinacionais, que geralmente regulam condutas responsáveis de empresas comerciais.

A Survival documentou as alegações de abuso do povo Baka. Um homem da tribo no ano passado disse à instituição de caridade: "[Os guardas ecológicos anti-caçadores] bateram as crianças, bem como uma mulher idosa com facões. Minha filha ainda está doente. Eles a fizeram se agachar e eles a espancaram por toda parte - de costas, em baixo, por toda parte, com um facão".

Stephen Corry, diretor da Survival, disse: "A OCDE admitiu a nossa queixa é um passo gigante para os povos vulneráveis. Eles já podem usar as diretrizes da OCDE para tentar impedir que as corporações andem por lá, mas esta é a primeira vez que se concorda que as regras também se aplicam a ONGs de escala industrial como a WWF ".

O relator especial da ONU para os direitos dos povos indígenas elogiou no ano passado o WWF-Camarões pelo seu trabalho para conseguir que o governo Camarões melhore o processo de buscar o consentimento dos povos indígenas para medidas de conservação. Mas Michael Hurran, ativista da África para a Survival, disse que a instituição de caridade esperava que o processo de mediação persuadisse a WWF a agir adequadamente em Camarões.

"O objetivo da queixa é finalmente fazer com que a WWF fale com todas as comunidades baka, o que está totalmente de acordo com seus próprios princípios", disse Hurran. "Eles visitam as comunidades Baka e têm reuniões, mas nunca as consultaram adequadamente sobre essas áreas protegidas em suas terras e os esquadrões contra a caça furtiva".

A WWF concordou voluntariamente com o processo de mediação na Suíça, embora tenha dito que não concorda em transformar as diretrizes da OCDE projetadas para as empresas comerciais "em um mecanismo para resolver questões entre duas ONGs".

Com informações do The Guardian: Human rights abuses complaint against WWF to be examined by OECD.

Fonte: Blog Ambiente Inteiro

1 comentário

  • carlo meloni sao paulo - SP

    Os alunos que ridicularizam o professor, os funcionários do IBAMA que desobedecem o superior..., e' a imagem do caos existente no Brasil... SEM ORDEM NAO HA" PROGRESSO----

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    • R L Guerrero Maringá - PR

      Quem foi que disse que queremos o Ibama em ordem?

      Queremos é que se matem!

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    • Fernando Cardoso Gonçalves Santiago - RS

      Por favor, quem escreveu a matéria para não processar a escola?

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    • carlo meloni sao paulo - SP

      Fernando você nao entendeu ,, ele disse POR ENQUANTO,, ou seja o cara que escreveu sugeriu esperar,,, para você ter um argumento FIRME na hora de abrir o processo--

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